França

Lyon à deriva

O ano de 2009 termina de forma lamentável para o Lyon. A equipe iniciou a temporada disposta a apagar a péssima impressão deixada em 2008/09. Após uma série de bons jogos, porém, o OL caiu de rendimento de forma súbita. A queda repentina se verificou na tabela da Ligue 1 e da Liga dos Campeões. O duelo contra o Bordeaux em Gerland definiria o que se esperar do time: a recuperação vinda com uma vitória sobre um concorrente direto pelo título ou então o afundamento completo no limbo. Venceu a segunda opção.

A expectativa em torno de um embate de alto nível logo se desfez na torcida presente ao Gerland. Embora a vitória lhe desse a chance de se aproximar do rival, o OL praticamente renunciou ao jogo. Tudo por conta da escalação feita por Claude Puel, especialmente em seu meio-campo. O técnico deixou clara sua intenção de deixar a vitória em segundo plano ao colocar Gonalons ao lado de Makoun.

A opção deu maior pegada ao setor, mas a forte marcação significou a perda de qualidade ofensiva dos donos da casa. Isso ajudou e muito o Bordeaux, que não estava em um dia genial, mas devido à extrema falta de criatividade lionesa conseguiu se segurar na defesa. Puel ainda teve a chance de se corrigir; porém, complicou-se mais ao fazer uma troca estranha: a saída de Michel Bastos para a entrada de César Delgado.

O festival de estranhices continuou a 18 minutos do fim, quando Puel mandou a campo Gomis no lugar de Pjanic. Ou seja: a velha história de achar que um time fica mais ofensivo se você entupi-lo de atacantes e esquecer da necessidade de um cérebro no meio-campo. Os Marine et Blanc aproveitaram para avançar a marcação, diante da passividade dos donos da casa. Ganharam o jogo por esta percepção.

Os girondinos temiam problemas defensivos com a lesão de Ciani no aquecimento. O jovem Sané, de 22 anos, entrou e simplesmente atrapalhou a vida de Lisandro López, o único jogador lúcido da linha lionesa. Enquanto Puel se complicava, Laurent Blanc trazia soluções. Na frente, Jussiê, Chamakh e Gouffran tiveram a frieza necessária para definir o jogo sem que o Bordeaux sofresse qualquer pressão.

Ao Lyon, sobrou a quinta partida seguida sem vitória na Ligue 1, o que não acontecia desde 2000. A equipe figura em um decepcionante nono lugar, oito pontos atrás do líder Bordeaux. Os lioneses emperraram muito antes do que se esperava, ainda mais pela alta expectativa criada para esta temporada. O time se arrasta em campo, com López e Lloris dando o sangue e o restante apenas em atitude contemplativa.

Puel volta a mostrar não ter pulso suficiente para dar o choque necessário para acordar o elenco. Enquanto o ‘queridinho da diretoria’ continua com prestígio em alta, apesar de sua notória ausência de comando, o Lyon patina na tabela do campeonato e corre o risco de ver sua temporada jogada no lixo de forma prematura.

Se o OL parece apenas bater o cartão de ponto, o Lille enche sua torcida de orgulho. Pelo quarto jogo seguido, o LOSC marca quatro gols. A vítima da vez foi o Monaco, que caiu por 4 a 0 em pleno Louis II. O segredo do sucesso dos Dogues no principado foi o domínio no meio-campo, mas de forma inteligente. Ao contrário do OL, o Lille não apenas se apoderou da posse de bola como a distribuiu com rapidez e criatividade.

Com Adriano improvisado na lateral-esquerda, o Monaco não resistiu às investidas do LOSC. O brasileiro sofreu com os constantes avanços de Gervinho e Debuchy, foi expulso e teve uma péssima lembrança da partida. Já Túlio de Melo viveu sensações completamente opostas às do compatriota: marcou dois gols, ajudou o Lille a ter o melhor ataque da Ligue 1 e fez seu clube subir para o terceiro lugar.

Panorama europeu

Na Liga dos Campeões, dois dos três clubes franceses passaram para as oitavas de final. O Olympique de Marselha, classificado para a Liga Europa, ao menos tem a desculpa de ter caído em um grupo com Real Madrid e Milan. Sem dúvida, um balanço bastante positivo para esta fase. Agora, fica a esperança de que girondinos e lioneses possam enfim levar o futebol francês mais longe na competição. As atenções se voltam principalmente aos Marine et Blanc.

Em um grupo com equipes de peso como Bayern de Munique e Juventus, o Bordeaux se sobressaiu com louvores. Os girondinos nem se importaram com o tamanho dos adversários e fecharam a fase de grupos da LC com a melhor campanha – 16 pontos ganhos em 18 possíveis. Os únicos pontos perdidos foram logo na estreia, quando empataram com a Vecchia Signora em Turim – em partida na qual mereceram a vitória.

A primeira colocação no grupo A deixou o Bordeaux em uma situação muito boa para o sorteio das oitavas. Os adversários mais complicados, desde já, são os dois times de Milão, muito embora a Internazionale tenha sofrido para se classificar em um grupo com Rubin e Dynamo Kiev. Há ainda a chance de se pegar o Porto, em um confronto que promete grande equilíbrio. Por fim, Stuttgart, Olympiacos e CSKA Moscou, pelo menos em teoria, seriam adversários fáceis para os Marine et Blanc.

O Lyon, por sua vez, tem motivos para se arrepender. A bobeada da equipe lhe custou a primeira posição da chave, que coube à Fiorentina. O OL teria um panorama tão favorável quanto o do Bordeaux, mas agora precisa torcer bastante para não cair com algum peso pesado e amargar uma nova eliminação nas oitavas – algo a se temer desde já, devido à péssima fase vivida pelo time.

O OL simplesmente terá um time espanhol ou inglês se quiser atingir as quartas. Não dá para imaginar que o Lyon tenha capacidade suficiente para fazer frente ao Manchester United, Chelsea e Arsenal em seus territórios. Muito menos ter a solidez defensiva necessária para impedir a vocação ofensiva de Barcelona, Real Madrid e Sevilla. Mesmo se os rojiblancos se colocarem no caminho dos lioneses, nem dá para usar a menor experiência da equipe de Luís Fabiano na LC como arma a favor.

Em qualquer um destes confrontos, o Lyon entra como zebra, e das grandes. Embora tenha se classificado pelo sétimo ano consecutivo para as oitavas, o OL mais uma vez deve ficar pelo caminho, frustrando o sonho de seu presidente Jean-Michel Aulas. Com a bolinha apresentada pelo time neste instante, não seria exagero imaginar que os lioneses saiam de campo derrotados tanto no jogo de ida como na volta.

Já o Olympique de Marselha deixa pelo terceiro ano consecutivo a impressão de que poderia ter ido além na LC. As falhas defensivas e os erros de finalização contra o Milan no San Siro foram cruciais para mandar o OM para a Liga Europa (nas duas últimas temporadas, o time também pegou o ‘atalho’ para a então chamada Copa Uefa).

Pelo menos o clube será cabeça de chave no sorteio, o que lhe confere alguma esperança de sobrevivência longa. O Olympique só precisa rezar para não ter pela frente o futuro campeão, como ocorreu em 2007 (Zenit St. Petersburg) e 2008 (Shakhtar Donetsk).
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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