Ligue 1

Grosso fala pela primeira vez sobre ataque ao ônibus do Lyon: ‘tragédia’

Técnico do Lyon, Fabio Grosso precisou receber 12 pontos após ataque ao ônibus do Lyon antes de jogo contra o Olympique de Marselha

O grave ataque ao ônibus do Lyon antes da partida contra o Olympique de Marseille no Estádio Vélodrome, no domingo (29), ainda repercute na França. Atingido por estilhaços do vidro do veículo, quebrado por pedras atiradas por torcedores do OM, o técnico Fabio Grosso se manifestou publicamente pela primeira vez nesta terça-feira (31) após o incidente. O comandante italiano, que precisou receber 12 pontos em decorrência dos cortes na testa e na sobrancelha esquerda, fez uma publicação protocolar nas redes sociais lamentando o ocorrido, mas o suficiente para esquentar os debates sobre o local onde o jogo será disputado quando for remarcado.

— O que aconteceu na noite de domingo poderia ter sido uma tragédia, e certamente foi para o esporte e para todos aqueles que o amam. Desejo de todo o meu coração que isto possa ser uma lição para o nosso futuro. Obrigado a todos pelo apoio e pela proximidade — escreveu Grosso na legenda da publicação no Instagram.

Segundo a mídia francesa, o treinador do Lyon recebeu um atestado de incapacidade total para o trabalho de 30 dias. Mesmo assim, o italiano esteve presente na sessão de treinamento de terça, mesmo que não tenha comandado as atividades. Com um boné escondendo parte dos ferimentos, ele observou a sessão feita por seus auxiliares da beira do gramado.

Discordâncias sobre local da partida

O ataque ao ônibus do Lyon resultou no cancelamento da partida contra o Olympique de Marseille, que será remarcada para outra data. As duas equipes lamentaram e condenaram o ocorrido, mas estão em discordância sobre o local em que o confronto adiado será disputado. O OM quer que o jogo aconteça em seu estádio e com portões abertos, enquanto os Gones desejam que o duelo seja realizado em campo neutro.

A Ligue 1 ainda não abordou o assunto publicamente, o que revoltou Vincent Ponsot, diretor-geral do Lyon, em um programa transmitido pelo canal oficial do clube. Por mais que nenhuma decisão tenha sido tomada, Ponsot falou sobre qual seria a posição oficial da organização do Campeonato Francês.

— A posição da Liga é que, como os fatos aconteceram do lado de fora do estádio, a sua responsabilidade não está comprometida. A comissão deve, portanto, definir se o Lyon, que se recusou a jogar, é responsável pelo adiamento da partida. Os representantes das forças públicas dizem-nos que correu tudo bem, a Liga diz que não é da sua responsabilidade e temos um treinador com 12 pontos, um grupo que está marcado. Tem que haver consequências. Hoje, não estão reunidas as condições de segurança para jogar em Marselha. Seria, portanto, necessário jogar em campo neutro — afirmou.

Vincent Ponsot ainda lembrou de outro episódio de violência em uma partida entre Lyon e Olympique de Marseille. Em novembro de 2021, Dimitri Payet (então jogador do OM) foi atingido por uma garrafa quando ia bater um escanteio no Estádio Groupama, fato que culminou em uma recusa celeste de continuar em campo e suspensão do jogo, que não tinha chegado nem aos quatro minutos do primeiro tempo. Menos de três meses depois, o clássico foi realizado no mesmo local, mas com portões fechados.

— Queremos repetir o jogo, os jogadores não têm nada a ver com isso. Assim como os nossos jogadores não tiveram nada a ver com isso quando a garrafa foi atirada no Groupama, mesmo que tenham sido sancionados desportivamente. O que queremos é que a segurança dos nossos jogadores seja garantida. Eles estão lá para jogar futebol e o que pedimos é que não levem bloco de concreto na cabeça — completou.

De acordo com o jornal L’Équipe, o destino da partida deverá ser decidido nesta quinta-feira (2).

Investigações sobre ataques ao ônibus, racismo e saudações nazistas

Os conflitos no Estádio Vélodrome também estão dando uma boa dor de cabeça para as autoridades francesas. Segundo a mídia local, três investigações foram abertas pelo Ministério Público de Marselha após os incidentes. A primeira delas é sobre um torcedor de 22 anos do Olympique de Marselha, que foi colocado em prisão preventiva nesta terça-feira enquanto aguarda seu julgamento em novembro.

O jovem admitiu ter atirado uma pedra no ônibus enquanto seu rosto estava escondido por um capuz, afirmando que arremessou de volta um projétil que caiu em seu pé. Nas redes sociais, o Lyon publicou imagens exclusivas do ataque em que é possível ver uma pessoa encapuzada lançando algo na direção do veículo.

Outro torcedor do OM, este de 50 anos, é suspeito de ter lançado uma bomba de fumaça. Ele admitiu os fatos e afirmou ter sido uma resposta a gritos racistas, o que não foi comprovado pelas investigações das autoridades francesas.

Por fim, a terceira e última investigação é sobre torcedores do Lyon que fizeram saudações nazistas e imitaram macacos nas arquibancadas do Vélodrome em direção aos torcedores do Olympique de Marselha. Os atos racistas foram reconhecidos pelo clube, que os condenou em uma breve publicação no X, antigo Twitter, afirmando ter solicitado que os autores dos crimes sejam identificados para não comparecerem mais às arquibancadas.

Foto de Felipe Novis

Felipe Novis

Felipe Novis nasceu em São Paulo (SP) e cursa jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Antes de escrever para a Trivela, passou pela Gazeta Esportiva.
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