Ligue 1

PSG atropela o Clermont e escancara desequilíbrio entre elencos na Ligue 1

Na estreia de Donnarumma, parisienses castigaram o valente Clermont

É um pouco óbvio, em 2021, dizer que o Paris Saint-Germain tem um elenco muito superior aos demais dentro da Ligue 1. Mas em partidas como a deste sábado, no Parc des Princes, contra o Clermont, essa talvez seja a explicação mais simples para o elástico placar de 4 a 0.

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Ainda que o PSG não force a barra ou não tenha uma atuação muito brilhante, o estelar grupo à disposição de Mauricio Pocchettino eleva a exigência que se faz a qualquer rival que cruze seu caminho, de Lyon e Marseille até o pequeno Clermont.

Um placar mentiroso?

Veja: foi uma goleada incontestável, mas que talvez disfarce um pouco o que foi o contexto da partida. De um lado, um ataque alinha com Julian Draxler, Kylian Mbappé e Rafinha, que é talvez a terceira ou quarta opção de formação para o setor, uma vez que Lionel Messi, Ángel Di María, Leandro Paredes e Neymar não estavam disponíveis após a Data Fifa. Do outro, Jodel Dossou, Jason Berthomier e Jim Allevinah municiavam o isolado centroavante Pierre-Yves Hamel. Não há como estabelecer qualquer comparação entre esses nomes. É cruel demais com o Clermont.

Dito isso, os visitantes viveram um daqueles momentos raros de exposição mundial em que é preciso subir o nível e a determinação para, se não vencer, talvez não passar vergonha. E os jogadores do Clermont fizeram um bom papel, ao contrário do que o placar sugere. Afinal, deram mais chutes do que o PSG e não ficaram tão pouco tempo com a bola como o esperado.  O estreante Gianluigi Donnarumma fez duas defesas e não decepcionou em sua primeira aparição com a camisa do clube.

Além disso, não tiveram medo de tentar estabelecer alguma paridade nas ações ofensivas, ignorando o aspecto intimidador de ter um plantel que custa centenas de vezes menos do que o do adversário. A diferença, evidentemente, se dá quando mesmo os jogadores coadjuvantes do elenco parisiense são de um nível que jamais será alcançado por equipes como a do Clermont.

O dia do elenco de apoio

Nesse contexto, os primeiros gols da tarde no Parc des Princes saíram dos pés de Ander Herrera na primeira etapa. Após o intervalo, mais relaxado, o PSG apenas administrou a sua vantagem. O time da casa tentou dar números mais dilatados ao placar, mas a conta só chegou até o número 4. Mbappé e Idrissa Gueye fizeram os outros gols da partida. Com uma hora jogada, o resultado já estava consolidado e não havia muito como o Clermont responder ou diminuir o estrago.

Mbappé perdeu alguns gols, mas não teve uma atuação que se possa criticar. Ele talvez fosse o jogador mais cobrado em campo, pelo que já construiu na carreira e pelo talento. A questão é que em um duelo tão tranquilo, com uma rodada de Liga dos Campeões vindo aí dentro de alguns dias, o PSG de fato não precisava acelerar tanto assim.

É nesses momentos que será requerida certa inteligência de Pocchettino ao gerir o cansaço de seus astros. Nesse sábado, o argentino tirou nota 10 por ter tanta gente de fora e ainda assim entregar uma vitória elástica. Para Poch, no fim das contas, azar de quem não pode ter uma rotação tão qualificada quando a corda esticar demais nos momentos decisivos da competição. Azar da Ligue 1, nesse caso.

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Felipe Portes

Felipe Portes é editor-chefe da Revista Relvado, zagueiro ocasional, ex-jornalista, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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