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O que o PSG está fazendo é tão perigoso quanto a Superliga, diz presidente de La Liga

O PSG e a liga francesa responderam enfaticamente às novas críticas de Javier Tebas aos enormes gastos dos Clubes-Estados

Os Clubes-Estado, agremiações de futebol financiadas por países, como Paris Saint-Germain (Catar) e Manchester City (Emirados Árabes), são tão inimigos quanto a Superliga Europeia, e o atual projeto do PSG, especificamente, é tão perigoso quanto, afirmou o presidente de La Liga, Javier Tebas, que perdeu duas das suas principais estrelas ao poderoso clube francês nesta janela de transferências.

Causou um ressentimento muito evidente em Tebas, que também disse que o PSG parece a “Liga das Lendas” pela idade de jogadores como Sergio Ramos, 35 anos, e Lionel Messi, 34, que trocaram Real Madrid e Barcelona, respectivamente, para se juntar a Neymar na capital parisiense. Apesar de nenhum deles ter exigido taxa de transferência, assim como Gianluigi Donnarumma e Georginio Wijnaldum, a folha salarial do PSG torna o projeto insustentável, segundo o dirigente. O PSG e a Ligue 1 responderam enfaticamente.

“Não sinto falta apenas de Messi e Sergio Ramos, mas também de Cristiano Ronaldo. Ninguém é imprescindível. Estou preocupado em trabalhar para crescer”, afirmou Tebas. “La Liga tem jovens como Vinícius Júnior. (O campeonato) terá a oportunidade de crescer com jogadores muito mais jovens. O PSG parece uma liga de lendas, pela idade de alguns jogadores. Vamos resolver o problema do PSG. O que o PSG está fazendo é tão perigoso quanto a Superliga. Trabalharemos contra os Clubes-Estado. Esses clubes são tão inimigos quanto a Superliga”.

“Atualmente, o PSG gasta mais de 500 milhões de euros em salários. Com os prejuízos da COVID-19 e a diminuição de receitas de televisão na França, isso é insustentável”, calculou Tebas, notório crítico de PSG e Manchester City, e da Superliga, e um dos inimigos de Florentino Pérez, presidente do Real Madrid. “Nós denunciamos PSG e City há alguns anos e é evidentemente algo que voltaremos a fazer”.

O PSG não deixou quieto. “Várias e várias vezes você se permitiu a fazer ataques contra a liga francesa, nosso clube, nossos jogadores – e jogadores de outros clubes – e aos torcedores do futebol francês, ao mesmo tempo em que constantemente expressa insultos e declarações difamatórias insinuando que não cumprimos as regulamentações financeiras do futebol, entre outras afirmações sem sustentação”, escreveu o secretário-geral do PSG, Victoriano Melero, em uma carta enviada a Tebas vista por veículos como Reuters e Guardian.

“A liga francesa, ao contrário da sua liga, não esperou até recentemente para tomar ação e colocar em vigor regulamentações financeiras fortes. É de conhecimento público agora que certos clubes espanhóis e a sua liga estão com níveis insustentáveis de dívidas após péssimas administrações, sem mencionar a maneira como o futebol espanhol vinha sendo financiado na última década – incluindo pelo Estado”.

“Seus comentários notáveis sobre a idade dos jogadores não apenas insultam o passado e os atuais papéis que eles têm em definir como nosso grande esporte é jogado, mas também milhões de torcedores ao redor do mundo que os idolatram. Estou muito surpreso que você não esteja dando mais atenção aos dois clubes da sua liga que permanecem focados em rachar a sua liga e o futebol europeu como um todo”.

“Pedimos que você foque na resolução dos seus problemas domésticos, pelos quais você é responsável, e pare suas tentativas transparentes e repetidas de desviar a atenção”, completou.

A liga francesa também não deixou quieto. “A Liga Profissional de Futebol (LFP) gostaria de responder com determinação à última declaração do senhor Javier Tebas sobre o Paris Saint-Germain e sobre a situação da Ligue 1 no geral. As palavras do presidente da liga espanhola não são dignas da instituição que ele representa e que sempre foi respeitada pela Liga Profissional de Futebol. A LFP, portanto, pede que o senhor Javier Tebas monitore as suas declarações ultrajantes”, afirmou a entidade em comunicado.

“A LFP e La Liga obviamente não compartilham da mesma abordagem em relação a como a relação entre ligas deveria ser. A LFP não quer ser usada pelo senhor Tebas para esconder problemas internos do futebol espanhol. Por outro lado, gostaria de pontuar que as farturas financeiras que foram aproveitadas por clubes espanhóis por tantas temporadas e que agora estão na raiz dos atuais problemas não são da responsabilidade nossa, nem do Paris Saint-Germain”.

“Sobre isso, a LFP não tem nenhuma lição a aprender na área de controle financeiro dos clubes. É um fato indiscutível que a LFP teve uma atuação pioneira no cenário europeu com a criação da DNCG (Direção Nacional de Controle e Gestão) que até hoje é um modelo regulatório eficiente e reconhecido por todos”.

“Concluindo, a Liga Profissional de Futebol aconselha o senhor Tebas a ter mais moderação. Cada liga profissional precisa trabalhar para o desenvolvimento do seu campeonato e para o bem comum do futebol europeu profissional, que precisa trabalhar em conjunto para se recuperar da crise sanitária que afetou severamente a sua economia”.

“As ligas europeias precisam se unir para encarar as próximas ameaças ao calendário internacional. Esse é o significado do trabalho que líderes do futebol francês executam por meio de suas ações com órgãos internacionais de futebol – UEFA, Associação dos Clubes Europeus (liderada pelo presidente do PSG), Fórum Mundial das Ligas e Ligas Europeias”, completou.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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