Ligue 1

Lyon ainda não saiu da crise, mas começo de ano dá bons indícios em sua busca por estabilidade

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O saldo trágico depois da derrota por 1 a 0 para o Rennes, em casa, pela 18ª rodada da Ligue 1, parecia o cenário típico de uma equipe em uma espiral negativa. O Lyon, até ali, não apresentava consistência nos resultados ou no futebol jogado. Perder em uma só partida, e para o resto da temporada, Jeff Reine-Adelaïde e Memphis Depay, dois de seus melhores jogadores, lesionados, soava como o golpe mais duro de uma campanha em que o fundo do poço se desenhava cada vez mais profundo. Como o futebol tem dessas coisas, foi justamente a partir dali que começou uma inesperada reação, que dá indícios aos lyonnais de que a salvação da temporada está ao alcance dos comandados de Rudi Garcia.

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Sabendo se aproveitar da fraqueza dos adversários seguintes, o Lyon passou a construir uma positiva sequência de invencibilidade e, com algumas histórias individuais, dentro e fora de campo, começou a desenhar uma perspectiva mais otimista para a segunda metade da temporada 2019/20.

Começando pelos resultados, a resposta à derrota por 1 a 0 para o Rennes veio três dias depois, quando a equipe enfrentou o perdido Toulouse pela Copa da Liga Francesa e, com um 4 a 1 sem brilho, impôs ao adversário sua então oitava derrota seguida, contando todas as competições. Fechando o ano, viajou a Reims, onde abriu o placar contra o time da casa, mas mostrou a convalescência habitual da temporada e concedeu o empate em 1 a 1.

A virada de ano talvez tenha trazido também uma virada de ânimo no grupo lyonnais, e começar 2020 contra uma equipe da terceira divisão foi a ocasião perfeita para limpar um pouco os ares. O time fez valer o abismo financeiro e técnico, aplicou goleada por 7 a 0 e avançou na Copa da França. Dias depois, agora pela Copa da Liga Francesa, fez o dever de casa e bateu o Brest por 3 a 1.

Ao menos por um período curto, os resultados começaram a vir, mas faltava a atuação verdadeiramente convincente – e ela veio contra um adversário fragilizado, mas ainda assim nada simples de se enfrentar fora de casa: o Bordeaux. Se olharmos para o placar de 2 a 1, a história do jogo é incompleta. No duelo contra os bordelais, o Lyon teve sua atuação ofensiva mais interessante na temporada, tanto na qualidade técnica individual de seus jogadores quanto na construção de jogo e movimentação ofensiva. Parte do ganho técnico no meio de campo veio graças a uma agradável novidade no elenco de Rudi Garcia: Maxence Caqueret.

Maxence Caqueret, do Lyon (Divulgação)

Perto de completar 20 anos, o meia soma apenas seis jogos pelo Lyon, cinco deles como titular, e sua estreia foi apenas no fim de novembro. Seus principais atributos estiveram em evidência no domínio exercido pelo time de Rudi Garcia contra o Bordeaux: posicionamento apurado, boa tomada de decisão, passes precisos, dinamismo com a bola e boa projeção para receber passes. Complementa tudo isso com uma contribuição defensiva notável: desde sua estreia na Ligue 1, é o jogador com mais recuperações de bola por jogo na competição, com média de 10,3 por partida. E tudo isso com um corpo franzino, de apenas 63 quilos e 1,74 metro de altura.

Como? “O futebol é uma questão de inteligência mais do que de físico”, explicou o garoto ao L’Équipe.

A ascensão de Caqueret é uma das histórias paralelas que contribuem para o momento de possível virada de sorte ao Lyon. Dentro de campo, Houssem Aouar e Moussa Dembélé têm entregado mais do que na primeira metade da temporada, com o atacante marcando quatro gols nas três partidas disputadas em 2020.

Fora das quatro linhas, um impasse que simbolizava o descompasso entre equipe e torcida parece se encaminhar para um acerto. Ao fim da partida contra o Bordeaux, o zagueiro brasileiro Marcelo se encaminhou até o setor em que estava a torcida visitante lyonnais, trocou algumas palavras com alguns ultras, abraçou um torcedor e oficializou uma reconciliação que gerava expectativas, já que o caso havia até supostamente dividido o vestiário.

Tudo tinha começado quando ultras do Lyon haviam confrontado os jogadores no aeroporto, em outubro, após derrota na Champions League para o Benfica, e Marcelo os havia enfrentado. Após o duelo contra o RB Leipzig, que encerrou a fase de grupos e garantiu a vaga às oitavas de final ao Lyon, um torcedor levou uma bandeira em que representava o brasileiro como um burro, e o gesto gerou uma grande confusão, com o capitão da equipe, Memphis Depay, confrontando o torcedor e tentando tomar dele a bandeira.

Por pior que tenha sido esta primeira metade de temporada, de alguma forma o Lyon se encontra hoje nas oitavas de final da Liga dos Campeões e a apenas três pontos do quarto colocado, que vai à Liga Europa. Com um jogo a mais, está a quatro pontos do terceiro colocado, o Rennes. Situação propiciada pelo início instável de basicamente todos os franceses, à exceção de PSG e Olympique de Marseille.

A maneira como o Lyon dará sequência a este bom começo de ano será essencial para desenhar a história final de uma temporada tão adversa. Jean-Michel Aulas e Juninho Pernambucano tentam segurar nomes como Moussa Dembélé, visado pelo Chelsea, e reforçar a equipe diante das baixas físicas, mas o principal trabalho será mesmo o de Rudi Garcia, administrando a mentalidade do grupo e buscando oferecer mais do que mostrou contra o Bordeaux e menos do que havia mostrado até ali.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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