Ligue 1

Ligue 1 aprova a redução no número de participantes, de 20 para 18 clubes, a partir de 2023/24

Para aumentar a competitividade e as receitas, a Assembleia Geral aprovou a redução com 97% dos votos

A Ligue 1 aprovou nesta quinta-feira uma redução no seu número de participantes. A partir da temporada 2023/24, a primeira divisão do Campeonato Francês contará com apenas 18 clubes. A modificação foi votada pela Assembleia Geral da LFP (a Liga de Futebol Profissional, que organiza as duas primeiras divisões) e 97,28% dos votantes aprovaram a ideia – o Metz foi o único contrário. Desta maneira, a temporada 2022/23 terá quatro descensos e apenas dois acessos. A Ligue 2, a princípio, permanecerá com 20 times.

A proposta da Ligue 1 ao reduzir os times é melhorar a competitividade do campeonato e também aumentar os valores divididos em receitas, sobretudo aqueles referentes aos direitos de TV. “Essa é uma decisão muito boa, que mostra a união dos atores do futebol francês. Acima de tudo, ela cria as condições para um ambicioso plano de reformas no futuro”, declarou Vincent Labrune, presidente da Liga de Futebol Profissional.

Conforme a nota oficial divulgada pela LFP, a redução no número de clubes “é o primeiro passo para uma reforma mais abrangente do futebol profissional francês”. Na próxima temporada, haverá um trabalho em conjunto da liga e da federação para repensar a direção da Ligue 1. “Este trabalho irá se relacionar com a realização dos jogos, a filial comercial da LFP, a manutenção do estatuto profissional na terceira divisão, a arbitragem e o diálogo social”, diz a nota.

De certa maneira, a modificação também corresponde a um ano de perdas financeiras na Ligue 1. Além das consequências da crise gerada pela pandemia, especialmente com as arquibancadas vazias, o futebol francês tomou um calote em relação aos direitos de TV. A Mediapro havia adquirido as transmissões por um valor recorde, mas devolveu ao não ter mais condições de pagar. O Canal+ até comprou na sequência, mas pagou um valor inferior ao negociado inicialmente, o que causou impacto no planejamento das equipes.

Além disso, a redução no número de clubes também pode ser entendida como uma reverberação da Superliga Europeia. Num momento em que os principais times do continente criam planos para dominar as receitas, é necessário fazer o sistema atual mais atrativo e mais sustentável. Isso pesa ainda mais num cenário dominado pelo Paris Saint-Germain, com uma fonte de receitas bem maior que a dos concorrentes. De qualquer maneira, a redução dos times não parece suficiente, considerando as necessidades de uma divisão mais efetiva do dinheiro.

Outro fator importante é a redução no número de datas. A LFP já tinha extinguido a Copa da Liga Francesa em 2019/20. Agora, seus participantes ganham mais tempo de preparação e descanso. A mudança do calendário também permite à Ligue 1 adaptar o calendário e conceder períodos maiores de pré-temporada – caso os times desejem fazer excursões ou afins.

Do outro lado, o principal argumento contra a redução da Ligue 1 se concentra em fatores históricos e regionais. A diminuição no número de clubes participantes restringe as possibilidades e pode afastar equipes tradicionais da elite. Isso também pode ter um custo financeiro, considerando a maneira como certas cidades podem perder interesse na primeira divisão. Tal argumento tem sua validade especialmente ao se pensar a forma como o futebol na França se espalha por diferentes regiões do país e não se limita aos municípios mais populosos – com Paris e Marselha se contendo apenas em suas potências.

A Ligue 1 teve outros períodos em sua história nos quais contou com 18 participantes, em especial entre as décadas de 1950 e 1970. A competição já tinha reduzido o número de clubes de 20 para 18 em 1997/98, mas a ideia durou apenas até 2001/02. Desde então, o campeonato mantém as 20 equipes. O momento, no entanto, cobra uma revisão bem mais necessária neste sentido.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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