Ligue 1

Histórico de lançar jovens da base pesa a favor de Peter Bosz em seu novo desafio à frente do Lyon

Treinador nunca teve medo de apostar na garotada por onde passou e, no Lyon, encontrará uma grande leva de atletas promissores esperando por sua chance

Uma semana após a confirmação da saída do técnico Rudi Garcia, o Lyon anunciou a chegada do holandês Peter Bosz como seu sucessor. Embora não fosse a primeira opção dos lyonnais, Bosz preenche todas as exigências que tinha o OL para o posto e, com base em sua experiência, é uma excelente aposta para um casamento bem-sucedido. Em especial, o seu histórico de lançar jovens ao time principal deve pesar a seu favor à frente de um clube com uma das melhores categorias de base da França, se não a melhor.

O presidente do Lyon, Jean-Michel Aulas, destacou em entrevista coletiva neste domingo (30) que Bosz era alguém que estava no radar do clube desde 2017, quando, à frente do Ajax, o holandês eliminou os franceses na semifinal da Liga Europa 2016/17. No momento, no entanto, Bosz era apenas uma das opções.

O preferido dos lyonnais era Christophe Galtier, que acaba de ser campeão da Ligue 1 pelo Lille. No entanto, o francês está de malas quase prontas para assumir o Nice. Roberto de Zerbi e Marcelo Gallardo estavam também na mira, mas o primeiro já havia se acertado há meses com o Shakhtar Donestk, enquanto o argentino planeja deixar o River Plate apenas ao fim do ano. Por mais que tivesse tantos concorrentes, Bosz, cujo conhecimento do francês também contribuiu para a decisão, acaba sendo uma escolha firme do clube e com razões para dar certo.

O Lyon tem uma das principais academias da Europa, certamente a mais prestigiosa da França. Lança jogadores talentosos aos montes e, no elenco atual, conta com diversos nomes de grande potencial, como Rayan Cherki, Melvin Bard e Maxence Caqueret. Rudi Garcia, que comandou a equipe nas últimas duas temporadas, era bastante criticado não apenas pelo jogo muitas vezes sem brilho do OL, mas também por sua resistência a dar mais minutos aos garotos – e Bosz tem um histórico justamente de dar oportunidades aos jovens.

Ele já havia caracterizado assim o seu trabalho nos anos em que esteve à frente do Vitesse, entre 2013 e 2016. Reforçou a imagem no Ajax, que comandou na temporada 2016/17 com grande sucesso. Nos Godenzonen, apostou na garotada e levou uma equipe com Onana, De Ligt, Dolberg e David Neres à final da Liga Europa, dando também inúmeras oportunidades a outros jovens de destaque que iam surgindo no clube, como Frenkie de Jong, Donny van de Beek e Justin Kluivert.

Ao mesmo tempo em que fazia isso, conseguiu apresentar um futebol ofensivo e atrativo, com pressão intensa após a perda da bola. Para ele, sua filosofia tem uma explicação simples. “Jogamos para os torcedores, não para nós mesmos. O estilo de jogo com que atuaremos irá depender, é claro, dos jogadores, não faz sentido mencionar qualquer sistema no momento. (…) O mais importante é vencer, mas a maneira como vencemos é também algo importante”, afirmou na coletiva deste domingo.

Bosz ficou apenas uma temporada no Ajax porque logo atraiu o interesse do Borussia Dortmund, clube também conhecido por sua aposta nos jovens. Seu período nos aurinegros, no entanto, foi curto, e, após um início recorde na Bundesliga, de seis vitórias em sete jogos e sem sofrer gols nas primeiras cinco partidas, passou por um momento difícil, com apenas três pontos conquistados em oito jogos. Foi demitido ainda em dezembro de 2017, meses depois de ir para o Signal Iduna Park.

No Bayer Leverkusen, que assumiu em dezembro de 2018, Bosz seguiu seu princípio de colocar os jovens em campo e deu sequência ao desenvolvimento de Kai Havertz no clube. “É sempre uma questão de qualidade. Se os jovens têm qualidades, não tenho medo de colocá-los para jogar”, explicou o treinador neste domingo. E a temporada 2020/21 está aí para confirmar isso.

Foi Bosz quem lançou uma das mais empolgantes promessas atuais do futebol alemão. Florian Wirtz tinha apenas 16 anos quando ganhou sua primeira chance com o treinador e, com 18 anos completados no início deste mês, acaba de vir de uma temporada de brilho, com 29 jogos na Budesliga e oito gols e oito assistências na soma de todas as competições. Por mais que tenha acabado demitido em março deste ano, o técnico deixou uma base importante a partir da qual o time pode se desenvolver.

Bosz não vê a hora de conhecer melhor seu grupo e possivelmente desencadear a ascensão de uma grande leva de atletas com potencial: “O Lyon sempre teve bons jovens jogadores, não é algo episódico. Estou muito curioso para descobrir os jovens da academia”.

Nas redes sociais, a aprovação a Bosz entre os torcedores é grande. Ele representa, afinal, tudo aquilo que esperava a torcida e que Rudi Garcia não pôde entregar nos últimos dois anos.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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