Auxerre supera disputa tensa de pênaltis e consegue o acesso, rebaixando o Saint-Étienne à Ligue 2
Cenas de terror foram vistas após a confirmação da queda dos Verts, no Geoffroy Guichard
Da forma mais dramática e brusca possível, o Saint-Étienne foi novamente rebaixado para a segunda divisão da França. Neste domingo (29), contra o Auxerre, os Verts tiveram a torcida a seu lado para evitar a queda, mas acabaram sucumbindo nas penalidades, em um cenário de guerra no estádio Geoffroy Guichard.
A campanha tenebrosa na Ligue 1 ainda teve algum consolo no fim, quando ao menos a equipe de Pascal Dupraz teve a chance de permanecer na elite após mais dois jogos. Foram apenas sete vitórias em 38 rodadas, o que culminou com uma pontuação de 32 pontos, apenas um a mais do que os rebaixados Metz e Bordeaux.
O drama veste verde
Para o duelo derradeiro desse domingo, a pressão estava toda em cima dos decacampeões franceses: após empate na ida por 1 a 1, o Auxerre poderia se contentar com uma vitória simples e sabia que teria alguma vantagem psicológica para lidar com o contexto da partida. Desde o início, os visitantes pareciam mais calmos em campo e, por esse motivo, abriram o placar pouco após a volta do intervalo, com Hamza Sakhi. O golpe se provou quase fatal aos donos da casa.
Até o final da partida, muito mais na base do desespero, o Saint-Étienne bombardeou o gol do Auxerre e fez o goleiro Donovan Leon trabalhar intensamente. Não à toa, Leon fez uma partida exuberante e barrou as melhores chances, somando oito defesas. A pressão deu resultado até o minuto 76, quando Mahdi Camara deixou tudo igual e deu uma sobrevida aos locais.
Veio a prorrogação e as penalidades, piorando bastante o clima entre arquibancada e gramado. Novamente, os Verts foram melhores, mas faltou competência para resolver a situação com bola rolando. Com a defesa de Leon na cobrança inicial de Ryan Boudeboux, o Auxerre ficou apenas esperando a definição do acesso, mostrando frieza para vencer o goleirão Paul Bernardoni. Deu tudo certo para eles: quando o capitão Birama Touré correu para a bola, a recompensa veio.
Maior campeão da França ao lado do Paris Saint-Germain, com dez títulos, o Saint-Étienne amarga seu quarto rebaixamento, e embora tenha perdido bastante prestígio neste século, estava há 18 anos na elite. A temporada terminou mais ou menos como se previa no início. A campanha acidentada largou com o técnico Claude Puel, demitido em dezembro, e teve em Duprat um apelo desesperado para se salvar, uma vez que o técnico tem ampla experiência em recuperar times no fundo da tabela.
A cartada não deu certo e a torcida não perdeu tempo após o gol de Touré: uma invasão maciça transformou o Geoffroy Guichard em um formigueiro, uma praça de combate. Bombas e sinalizadores foram lançados, houve muitas agressões e os dois times correram em desespero para dentro do vestiário, sob uma cortina de fumaça. A polícia só conseguiu dispersar a situação disparando para o alto. Foram cenas bastante apreensivas para quem acompanhava o pós-jogo. Ainda não há notícia de feridos.
I’m watching this unfold on TV. Wild scenes as the saint etienne fans launch flares and explosives at their own team after getting relegated:
— Matt ? (@3amWaffleHouse) May 29, 2022
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Guy Roux sorri
Do outro lado, o Auxerre, que também já foi campeão francês e viveu período dourado entre o fim dos anos 1990 e início dos 2000, não disputava a Ligue 1 há dez anos. Desde a saída do lendário Guy Roux, em 2005, as coisas não foram as mesmas. Roux fez história no clube por ter assumido o comando técnico em 1961 e, entre duas saídas breves, ficou mais de quatro décadas como a face de uma simpática agremiação que levantou quatro vezes a Copa da França e uma vez a Ligue 1.
Em 2022, o nome do triunfo é o carismático Jean-Marc Furlan, que ostentou uma ousada combinação de blazer, camisa e boné para trás, como mandava o figurino de Sérgio Mallandro. Furlan está no Auxerre desde 2019 e tem uma história bastante peculiar: quando treinava o Brest, na temporada 2018-19, conseguiu ascender à Ligue 1, mas foi demitido antes de disputar uma partida sequer na elite. Apesar de ter esperado três temporadas, o comandante também conduziu o time borgonhês a uma campanha competitiva e cumpriu com sua expectativa.
O Auxerre, com Furlan, mudou de postura, deixando de ser conformado com o status de meio de tabela na Ligue 2 e vislumbrando uma promoção direta na reta final da competição. O milagre quase aconteceu, mas o Ajaccio conseguiu se manter na segunda posição por um ponto, o que forçou o AJA a buscar o acesso via play-offs. Neste domingo, com todo o sofrimento, a missão foi cumprida.



