Ligue 1

Arsene Wenger vê um problema claro na Ligue 1: muitos técnicos estrangeiros

Wenger foi técnico do Arsenal, da Inglaterra, por mais de 20 anos, e acredita que a falta de treinadores locais tem sido um problema na Ligue 1

Após ficar mais de 20 anos à frente do Arsenal, Arsène Wenger agora atua como Diretor de Desenvolvimento Global do Futebol da FIFA. Buscando a evolução do esporte, o renomado treinador francês não poderia ficar sem analisar sua própria casa.

Durante o aniversário de 50 anos do Instituto Nacional de Futebol de Clairefontaine, Wenger se mostrou preocupado com o futebol em seu país. O francês colocou a mão na consciência e explicou como o excesso de técnicos estrangeiros atrapalha a Ligue

Ao lado de Didier Deschamps, treinador da Seleção Francesa, e Thierry Henry, que está marcado como um dos maiores jogadores de todos os tempos do país, Arsène Wenger levantou um debate que vem a tona ano após ano no país: a diminuição no número de técnicos locais na Ligue 1.

Dos 18 times do Campeonato Francês, 10 contam com profissionais de outros países: Luis Enrique (PSG), Francesco Farioli (Nice), Adi Hutter (Monaco), Paulo Fonseca (Lille), Will Still (Reims), Luka Elsner (Le Havre), Gennaro Gattuso (Marseille), Laszlo Boloni (Metz), Michel Der Zakarian (Montpellier), Carles Martínez (Toulouse) e Fabio Grosso (Lyon).

Curiosamente, dos seis primeiros colocados da Ligue 1, apenas o Lens conta com um treinador francês (Franck Haise). Para Wenger, a proporção de profissionais estrangeiros no país não está correta.

– Acho que a proporção não está certa neste momento, é um pouco alta na França. É normal que haja uma parcela de treinadores estrangeiros porque eles trazem ideias novas. Eu mesmo fui treinador no estrangeiro. Mas agora que existe reciprocidade no reconhecimento dos diplomas de treinador na Europa, não há nada a fazer para travar esta tendência.

Como justificativa, o ex-técnico do Arsenal aponta a “identidade dos donos” dos clubes na França. Atualmente, 11 times no país são propriedades de holdings ou empresários de fora do país. Para ele, isso mostra que a prioridade dessas equipes é procurar um treinador estrangeiro.

– O que quero dizer acima de tudo é que tudo isto não está ligado à qualidade dos treinadores (franceses), mas sim à identidade dos proprietários (dos clubes).

Arsène Wenger foi por muito tempo um estrangeiro fora da França

Em 1996, um jovem Arsène Wenger chegou em Londres para assumir o Arsenal, onde ficaria marcado na história do clube e da Premier League. Contudo, ele chegou à Inglaterra como um dos poucos técnicos estrangeiros do país.

Ao todo, foram 22 temporadas na Inglaterra, onde conquistou vários títulos com os Gunners: três Premier League (1997/98, 2001/02 e 2003/04, sendo esse último invicto); sete FA Cup e oito Supercopas inglesas. Além disso, o treinador francês conseguiu classificar o Arsenal para a Champions League por 20 temporadas consecutivas.

Mesmo longe de casa, Wenger teve uma carreira de sucesso. Com a vivência de ser um estrangeiro na Inglaterra, o técnico não esconde seu desejo de ver mais franceses na Ligue 1 e nas principais ligas do mundo

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Técnicos franceses ‘desaparecem’ nas principais ligas do mundo

Com a demissão de Rudi Garcia no Napoli na última terça-feira (14), a França sofreu um duro golpe na classe de treinadores: nenhum profissional do país trabalha nas principais ligas de futebol mundial.

Premier League, Bundesliga, LaLiga e Serie A não contam com nenhum técnico francês. E isso se estende para países como Holanda, Portugal, Bélgica, Turquia, Escócia e até mesmo Arábia Saudita, que tem apostado majoritariamente em profissionais estrangeiros.

A exceção da presença de franceses em uma grande primeira divisão europeia é a própria Ligue 1. Isso ajuda a explicar o temor de Arsène Wenger em ver treinadores de outros países sendo a regra, e não a exceção, na França.

Foto de Matheus Cristianini

Matheus CristianiniRedator

Jornalista formado pela Unesp, com passagens por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia. Na Trivela, é redator de futebol nacional e internacional.

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