Ligue 1

Após temporada atipicamente equilibrada, PSG se colocou em boa posição para manter título da Ligue 1

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A oito rodadas do fim, muita coisa ainda pode mudar na Ligue 1, mas o PSG acaba de se colocar em boa posição para levar o título pelo oitava vez em nove anos após conseguir uma vitória enorme contra o Lyon fora de casa na rodada passada. O 4 a 2 causou ótima impressão pelo nível de jogo apresentado pelos parisienses e por ter sido obtido em um confronto direto contra um dos concorrentes à taça. Além disso, pode ter sido o empurrão final para que o clube da capital deixe para trás a temporada de altos e baixos e confirme seu favoritismo nesta reta final de campanha.

O triunfo enfim devolveu o Paris Saint-Germain à ponta da Ligue 1 após nove rodadas de liderança do Lille. Os Dogues, no entanto, somam o mesmo número de pontos (63) que os parisienses e não deverão abaixar os braços nas oito partidas finais – tampouco Lyon e Monaco, que aparecem com 60 e 59 pontos, respectivamente. Dito isso, os sinais são positivos ao time de Mauricio Pochettino.

Depois de uma primeira metade de temporada inconstante, em meio ao fim do ciclo de Thomas Tuchel, demitido em dezembro, e inúmeros problemas de lesão ou de Covid-19 no elenco, o PSG se recuperou com seu novo técnico e gradativamente foi mostrando um melhor futebol, que culminou na apresentação de gala em Lyon. Ao longo do caminho, e mesmo durante os jogos finais de Tuchel, tem exibido sua capacidade de passar por grandes testes, como na vitória por 3 a 1 sobre o Manchester United, pela fase de grupos da Champions League, e no triunfo por 4 a 1 sobre o Barcelona na ida das oitavas de final, ambos os jogos realizados como visitantes.

Tendo vencido o Lyon e lhe sobrando apenas o Lille como adversário direto na briga pelo título, a sensação é de que o PSG já atravessou o pior que tinha para atravessar. Mesmo este duelo com os Dogues, que acontece já na próxima rodada, 3 de abril, após a data Fifa, pode ser encarado como um desafio acessível aos parisienses, que ganharam confiança após vitória por 3 a 0 sobre o mesmo adversário na quarta-feira passada, pela Copa da França, ainda que contra um time misto (ele próprio, PSG, atuando com uma equipe mista).

A possibilidade de uma derrota inesperada pesar sobre o espírito da equipe também foi atenuada com a excelente reação mostrada recentemente pelos comandantes de Mauricio Pochettino ao revés para o Nantes, na zona da degola. Logo após perder por 2 a 1 para os canários, encaixaram as boas atuações contra Lille e Lyon citadas acima.

A corrida pelo título, no entanto, evidentemente não tem um caminho livre. Por mais que o próprio destino esteja mais nas mãos do PSG do que já esteve até agora na temporada, a concomitância da Champions League pode apresentar um obstáculo ao clube.

Santo Graal do projeto catariano, a Liga dos Campeões é o grande medidor para uma equipe que por quase uma década domina sua liga local. Com foco especial na competição internacional, não seria inédito para o PSG perder concentração no desafio doméstico. De fato, as duas últimas derrotas dos parisienses na Ligue 1, contra Monaco, em fevereiro, e Nantes, na semana passada, aconteceram logo após um encontro de Champions League.

Se em anos anteriores esta atenção à Orelhuda não representou dificuldades na busca pelo título nacional, desta vez não há margem – ao menos significativa – para tropeços.

A Liga dos Campeões, no entanto, apresenta aos parisienses também uma chance de catapultar mesmo a luta da equipe no Francesão. O sorteio das quartas de final foi implacável com o PSG, colocando à sua frente o atual campeão Bayern de Munique. Se por um lado os bávaros podem causar apreensão a qualquer adversário, por outro a sua presença como oponente de certa forma tira um pouco de pressão sobre os franceses, que podem imaginar dois cenários vantajosos: uma inesperada classificação impulsionaria o grupo, enquanto uma eliminação vendida cara manteria a dignidade e limparia o calendário de forma que a equipe pudesse focar apenas a Ligue 1 – há, é claro, sempre a possibilidade de você passar por um vexame contra um adversário poderoso como o Bayern, mas a experiência vivida pelo Barcelona no ano passado é alerta mais do que suficiente.

O outro obstáculo significativo que poderia se apresentar entre o PSG e o título da Ligue 1, por fim, é o fantasma dos problemas físicos. Ao longo da temporada, foram inúmeros os desfalques por lesão, com a lista contendo 12 jogadores simultaneamente contundidos em um ponto da campanha. Mesmo hoje, um de seus principais nomes no elenco, Neymar, acaba de se recuperar de sua quarta lesão na temporada e corre para estar 100% para os próximos compromissos. Outros jogadores importantes, como Di María, Mbappé e Marquinhos, perderam alguns momentos da temporada por questões físicas.

Conseguindo se manter relativamente livre de lesões e tendo um bom nível de concentração e equilíbrio entre suas duas principais disputas, o PSG tem todas as condições de confirmar seu favoritismo e frustrar os concorrentes. Diferentemente de muitos dos anos anteriores, possivelmente precisará fazer por onde até as rodadas derradeiras.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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