Ligue 1

Além de oficializar Sampaoli, Marseille demite presidente inimigo da torcida e promove ex-olheiro ao cargo

Jacques-Henri Eyraud não é mais presidente do Olympique de Marseille. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (26) pelo proprietário do OM, o empresário norte-americano Frank McCourt, que aproveitou a ocasião para anunciar Pablo Longoria como o novo mandatário, além da contratação de Jorge Sampaoli como técnico da equipe phocéenne.

O Olympique de Marseille tem vivido uma temporada bastante delicada institucionalmente. Como explicamos na coluna de futebol francês da semana passada, houve uma ruptura entre a torcida e o presidente Jacques-Henri Eyraud após declarações e decisões polêmicas do mandatário, com a escalada de tensão desbocando em um ataque de cerca de 400 torcedores ao centro de treinamento do clube no fim de janeiro.

Entre as várias reclamações dos torcedores, havia a queixa de que Eyraud teria um perfil mais próximo do mundo corporativo do que do futebol, e a decisão de McCourt parece responder justamente a este anseio. Observando seu currículo, se tem uma coisa de que Longoria gosta e entende é futebol.

Pablo Longoria é um espanhol que chegou ao futebol por um percurso ainda relativamente raro. Não foi jogador e muito menos integrou comissões técnicas. Apaixonado pelo esporte, desenvolvendo seu apreço pelo futebol com análises individuais de jogadores e por meio do Football Manager, teve sua primeira chance profissional em 2005, ainda com 18 anos, quando se tornou estagiário de scouting do Huelva na época em o clube era treinado por Marcelino Toral. Por seu perfil, era conhecido pela imprensa local, segundo a revista francesa So Foot, como “o menino do PlayStation”.

Longoria ficou no Huelva entre 2005 e 2007 e depois passou por Racing de Santander e Newcastle antes de retornar para o Huelva em 2009, desta vez como diretor de recrutamento. Em seguida, passa a dar voos mais altos: primeiro como recrutador da Atalanta, entre 2010 e 2013; depois, como diretor de recrutamento no Sassuolo, entre 2013 e 2015, dando em seguida um salto para ocupar o mesmo cargo na Juventus. Longoria permanece na Velha Senhora até o início de 2018, quando deixa o clube para assumir a liderança de recrutamento no Valencia, onde fica até setembro de 2019.

O espanhol, enfim, se juntou ao Olympique de Marseille em julho de 2020, contratado pelo próprio Eyraud, a quem sucede agora. No OM, Longoria ocupava até esta sexta-feira um cargo novo e de maior importância do que os anteriores, tendo substituído Andoni Zubizarreta. Mesmo com pouquíssima experiência em um posto de hierarquia geral elevada, deve ter mostrado capacidade suficiente lá dentro para que McCourt lhe confiasse a presidência em um momento de crise.

Olhando de fora, a impressão é de que a escolha do proprietário do Marseille é também uma aposta na paixão pelo futebol como resposta aos anseios igualmente apaixonados da principal torcida da França. Neste sentido, a contratação de Jorge Sampaoli parece complementar bem esta visão e a busca por algo novo.

A chegada do argentino parece uma tentativa de reviver a última grande relação do clube com um treinador. Em 2014/15, Marcelo Bielsa dirigiu o Olympique de Marseille e, como em várias das equipes pelas quais passou, gerou um frenesi ao seu redor. Sua proposta era de jogar um futebol vistoso, para cima, e a torcida comprou a ideia, se apaixonando pelo treinador e sua filosofia de amor ao jogo. Sampaoli nunca escondeu a influência de “El Loco” sobre sua própria carreira. “Eu era louco pelo Newell’s (Old Boys) do Bielsa. Era dependente disso, ouvia as entrevistas dele a toda hora. Eu era um bielsadependente, literalmente”, comentou em entrevista à revista argentina El Gráfico, conforme repercutido pelo Estado de Minas.

Com uma premissa interessante em suas escolhas para presidente e treinador, o Marseille, ainda assim, está fazendo uma aposta. Apesar do sucesso passado no futebol de seleções à frente do Chile, Jorge Sampaoli ainda tenta se provar na Europa, depois de uma primeira passagem morna pelo Sevilla, em 2016/17. Longoria, por sua vez, não tem qualquer lastro que prove que seu conhecimento de futebol e paixão pelo esporte possam ser traduzidos para uma gestão eficiente de todo um clube. Como qualquer contratação para esses cargos, a grosso modo, é sempre uma aposta, ao menos Frank McCourt parece querer partir de uma boa intenção.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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