FrançaLigue 1

Líder com problemas

Em um período dos mais complicados neste ano, o Lyon se vê de novo sem Yoann Gourcuff. O meia sofreu uma lesão na coxa durante o dérbi contra o Saint-Étienne e só voltará aos gramados em 2013. Para o técnico Rémi Garde, a ausência do jogador o obriga a quebrar a cabeça para montar o time para os duelos contra o lanterna Nancy e o concorrente direto Paris Saint-Germain para manter a vantagem na liderança.

Quando Gourcuff parecia encontrar um momento de equilíbrio, o meia volta a sofrer com seguidos problemas físicos – algo que já havia comprometido suas atuações desde sua contratação pelos lioneses. Em agosto, ele já sofrera com uma lesão no joelho que o afastou dos gramados por pouco mais de dois meses. As dores na coxa já o haviam tirado da partida contra o Olympique de Marseille.

Além da frustração por ver um de seus principais atletas sem se livrar das lesões, o Lyon sofre em uma hora crucial. Garde precisa queimar muitos neurônios para manter a qualidade de seu meio-campo por conta dos desfalques. Clément Grenier também está na enfermaria; Gonalons está suspenso. O treinador precisa, mais do que nunca, contar com seu banco de reservas para permanecer tranquilo no topo do pódio.

Uma das possíveis soluções seria repetir a estratégia usada contra o Brest. Steed Malbranque seria deslocado para a função de meia-armador, com o apoio constante de Ghezzal pela esquerda e Michel Bastos pela direita. Na ponta do ataque, o iluminado Bafétimbi Gomis deixa Lisandro López na reserva.

Contra o Saint-Étienne, o Lyon se impôs diante do caldeirão de Geoffroy-Guichard. Contra seu maior adversário, o OL se manteve firme mesmo quando ficou com dez em campo por cerca de meia hora. A vitória por 1 a 0 quebrou a série invicta de 13 partidas dos Verdes e reforçou a condição dos Gones na luta pelo título. Apesar do resultado, o jogo decepcionou quem esperava por um confronto aberto, decidido somente em uma cobrança de falta de Michel Bastos na etapa final.

O Saint-Étienne se mostrou bastante tímido e com preguiça de subir ao ataque. Como nos últimos dérbis, o Lyon tomou a iniciativa, mesmo que isso não tenha significado um primeiro tempo dos mais primorosos. Nem a expulsão de Dabo na segunda etapa provocou alguma mudança no estilo de atuar do ASSE. Os donos da casa continuavam sem força ofensiva, traduzida na atuação lastimável de Pierre-Emerick Aubameyang. O atacante gabonense tocou na bola 21 vezes no jogo inteiro e sua única finalização, para fora, ocorreu apenas nos acréscimos.

Nas cordas

O Olympique de Marseille, por sua vez, está grogue após receber um novo direto no queixo. Em pleno Vélodrome, o time foi derrotado por 3 a 0 pelo Lorient, apenas dez dias após a humilhante goleada por 4 a 1 para o Lyon no mesmo palco. Vale lembrar que o golpe veio também pouco depois dos 3 a 0 impostos pelo AEL Limassol na Liga Europa. Hora de chamar o elenco inteiro para uma terapia, até para conseguir entender como a equipe caiu tanto de produção nestas últimas semanas.

A reunião ocorreu no dia 10 e serviu como um desabafo para alguns, lavagem de roupa suja para outros… No entanto, a síndrome de cavalo paraguaio do OM já estava desenhada no script. Após fazer história e vencer sete jogos seguidos no começo da temporada, o time flutuava em campo. Estava tudo ok, sem jogadores lesionados ou jogos em intervalos curtos de tempo.

As coisas começaram a complicar quando o Olympique de Marseille precisou se dividir com a Liga Europa e as copas nacionais. Em outras palavras, quando precisou usar a força de seu elenco, o OM caiu feio. André-Pierre Gignac cumpria temporada exemplar quando se lesionou. Seu problema físico sintetiza a queda marselhesa, já que não houve um substituto à altura para manter o poder ofensivo da equipe.

Com um ataque previsível e ineficaz, o OM caiu em efeito dominó. Com novas lesões e suspensões, a equipe perdeu aquela liga construída em seus primeiros jogos. A solidez da defesa foi embora, como se viu em três goleadas sofridas. Contra o Lorient, a expulsão de Kaboré ainda no primeiro tempo nem foi o fator decisivo para a derrota. A ingenuidade dos donos da casa em oferecer o contra-ataque aos Merlus, quase como se subestimasse a força do adversário, foi fatal.

Loïc Rémy continua maltratando a torcida com suas apresentações discretas. Posicionado no lado esquerdo do meio-campo, ele pouco acrescentou no apoio ao ataque e teve apenas duas chances para marcar. Muito pouco para quem deseja compensar a ausência de Gignac. O técnico Élie Baup tem nas mãos um belo abacaxi para descascar.

Aposta certa

Quem apostaria no sucesso de Dario Cvitanich na Ligue 1? O Nice resolveu bancar € 400 mil para tirar o atacante do Ajax e hoje ri à toa por seu investimento. A diretoria acertou na mosca. De acordo com um levantamento feito pelo site Sportune.fr, o argentino desbancou Zlatan Ibrahimovic e lidera o ranking dos atacantes com melhor custo-benefício da Europa. Sim, você não leu errado, caro leitor.

A análise leva em conta os jogadores que trocaram de clube na última janela de transferências. Quando o estudo foi publicado, no último dia 2, Cvitanich liderava com folga à frente de nomes como Van Persie, Ibra e Manduzkic. O cálculo é simples: divide-se o número de gols marcados pelo valor da contratação e se obtém o valor usado para ordenar os atacantes.

Cvitanich marcou oito gols em todas as competições que disputou (até a data de publicação do estudo) e apresentava uma “taxa de custo benefício” igual a 20. O segundo colocado era Aritz Aduriz, do Athletic Bilbao (11 gols, contratado por € 2,5 milhões, índice de 4,4). Ibra, na época com taxa 0,75 (15 gols/€20 milhões), aparece em um modesto oitavo lugar. Apenas para comparação, Mandzukic vem em sexto (0,92) e Van Persie, em 10º (0,42).

Aos 28 anos, Cvitanich chegou ao Nice sob forte desconfiança. Afinal, passou quase despercebido pelo Ajax – tanto que foi emprestado duas vezes ao Pachuca e uma ao Boca Juniors. Nos Aiglons, ele caiu como uma luva no esquema 4-2-3-1 preparado por Claude Puel. Claro que o atacante não se tornou o Pelé do dia para a noite, mas conseguiu o espaço que não havia encontrado antes.

Em um time cujos pontos fortes são a posse de bola (o Nice só perde para Lyon, Lille e Toulouse neste quesito) e o estilo de toques curtos, Cvitanich se adaptou muito bem. Com seu 1,74m e 72kg, o argentino compensa o porte físico com seu oportunismo. Em dez anos, o OGC não vivia uma temporada tão repleta de gols – foram 22 em 17 rodadas da Ligue 1. Nada mal para uma equipe cuja preocupação inicial era evitar o rebaixamento e passar vergonha na competição.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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