Leonardo surge como sucessor de Ancelotti. Aposta segura?
O Paris Saint-Germain se tornou um canteiro de obras. A aposentadoria de David Beckham apenas desviou um pouco o foco em torno da indefinição sobre quem comandará a equipe na próxima temporada. A saída praticamente certa de Carlo Ancelotti abre uma lacuna no clube da capital e os boatos se multiplicam no Parc des Princes. Enquanto não encontra o substituto ideal para o italiano, a solução pode estar bem abaixo do nariz do PSG.
O sonho de consumo dos dirigentes se chama Arsène Wenger. Os qatarianos do QSI sonham há tempos com o treinador do Arsenal, mas suas pretensões esbarram em uma característica marcante do técnico: ele costuma cumprir seus contratos até o fim. Wenger tem vínculo com os Gunners até junho de 2014, mas a diretoria acredita que conseguirá convencê-lo a mudar de ideia com uma proposta estratosférica. Algo difícil de se concretizar.
Enquanto os nomes proliferam, uma opção bem mais fácil se desenha com certeza cada vez maior nos corredores do Parc des Princes. Leonardo gostaria de retomar a carreira como treinador e não veria problema em acumular a função com o cargo de diretor de futebol, de acordo com o L’Équipe. Ele ficaria no banco de reservas por apenas uma temporada, para que o clube tivesse tempo suficiente para conversar com Wenger.
A solução provisória ganha força por alguns detalhes. Leonardo conhece o elenco do PSG como a palma de sua mão e seus poderes para a contratação de reforços o ajudaria muito para não perder tempo no início de seu trabalho. Os dirigentes também economizariam dinheiro com uma resposta caseira e sem a pressão para encontrar alguém importante em um curto intervalo de tempo.
Tudo estaria perfeito se Leonardo tivesse segurado a onda no fim desta temporada. Seu dia de fúria contra Alexandre Castro no fim da partida contra o Valenciennes pode estragar o plano. Para quem não se lembra, o dirigente empurrou o árbitro no caminho para os vestiários e o acusou de prejudicar o time. O resultado pode ser uma suspensão por um ano, o que impediria o brasileiro de voltar ao banco de reservas.
Caso esta punição seja mesmo confirmada e seja das mais pesadas, o PSG deve voltar suas atenções para Rafa Benitez. O espanhol está nos Estados Unidos com o Chelsea para uma turnê de despedida e já foi procurado pela diretoria parisiense. Benitez estaria encantado com o projeto do clube da capital, mas o PSG precisa driblar o interesse do Napoli, que procura um substituto para Walter Mazzarri.
O PSG se esforça para segurar Ancelotti, mas trata-se apenas de um jogo de cena. Todos sabem do desejo do treinador de deixar o clube e sua saída está prestes a acontecer. A opção por Leonardo parece ser a mais coerente no momento, dadas as dificuldades de se contratar um técnico de excelente qualidade para fazer o time subir degraus – principalmente na Liga dos Campeões. Resta saber se o brasileiro saberá controlar melhor seus nervos, sob risco de levar a equipe ao naufrágio.
Mudanças no Rennes
Se o PSG procura um treinador, o Rennes já escolheu seu comandante para a próxima temporada. Philippe Montanier torcou a Real Sociedad pelos bretões e tentará repetir o sucesso alcançado pelo clube basco nesta edição da Liga Espanhola – a equipe ocupa a quarta posição e, no momento, ficaria com a última vaga para a Liga dos Campeões. Apesar da oferta para prolongar seu contrato, o técnico francês preferiu voltar ao seu país-natal.
O Rennes ofereceu um vínculo de três temporadas a Montanier, que não demorou para aceitar. O treinador se convenceu da seriedade do projeto dos bretões, que desejam acabar de vez com a fama de clube regional. Nas últimas temporadas, o time se acostumou a flertar com uma sonhada vaga na Liga dos Campeões e fracassar, mas em 2012/13 a conversa foi bem diferente.
O Rennes perdeu muita força na reta final do campeonato e hoje ocupa um frustrante 11º lugar, longe das competições europeias. Já a Real Sociedad deu uma arrancada impressionante na Liga Espanhola. Em novembro, a equipe fazia parte do bloco dos rebaixados. Seis meses depois, está firme na briga para ir à LC e trava uma disputa acirrada, ponto a ponto, com o Valencia.
François-Henri Pinault, principal acionista dos bretões, deposita suas esperanças em Montanier para reagir. O clube aguarda com ansiedade para que a fama de revelador de talentos adquirida pelo treinador se confirme, assim como seu estilo ofensivo calcado em um toque de bola refinado. Para um time que venceu apenas uma partida desde fevereiro, qualquer esperança de dias melhores já basta.


