Lanterna da discórdia

Quem enfrenta o Arles-Avignon sabe que a vitória está praticamente no papo. O Lyon, mesmo jogando fora de casa, sabia disso. A torcida já esperava a conquista de três importantes pontos para fazer a equipe se distanciar das últimas colocações e, quem sabe, consolidar sua reação na Ligue 1. Eis que a zebra resolveu aprontar para cima dos lioneses e fez o pior time das principais ligas europeias arrancar um empate por 1 a 1.
Os mais otimistas diriam que este é o quinto jogo seguido sem derrotas do Lyon. Só que empatar com o Arles-Avignon tem um gosto de tragédia no ar, ainda mais após a bela exibição do OL contra o Benfica pela Liga dos Campeões. No primeiro tempo, os lioneses foram completamente dominados pelos donos da casa, uma situação bastante estranha até mesmo para os torcedores do Arles-Avignon, acostumados a ver seu time não oferecer grande resistência.
A situação parecia se complicar para o Arles-Avignon quando Camel Meriem se machucou após um choque com Cris. Sem sua referência, era de se esperar que o time perdesse ainda mais força. No entanto, os anfitirões se deram muito bem ao explorar os contra-ataques. Já o Lyon, nem parecia ter entrado em campo, tamanha a passividade de seus atletas. Com uma defesa instável, um meio-campo omisso e um ataque ausente, o OL foi para os vestiários com uma derrota parcial de 1 a 0 nas costas.
Claude Puel ao menos soube mexer com os ânimos da equipe para a segunda etapa ao colocar Gomis e Pjanic em campo. Ao se olhar para a escalação inicial, era praticamente o mesmo time que começou a partida contra o Benfica e exibiu um futebol vistoso. O OL subestimou o lanterna do campeonato? Talvez, mas o resultado serviu para acordar os lioneses, que ainda mostram sonolência quando encaram a Ligue 1.
Para completar o quadro quase dantesco, Jean-Michel Aulas se irritou com uma matéria publicada pelo diário L’Équipe, na qual havia insinuações de que o elenco não estaria tão fechado com Puel. Depois da partida contra o Arles-Avignon, o presidente do OL se esqueceu do que havia aocntecido em campo poucos minutos antes e preferiu disparar sua fúria na direção do jornalista que escreveu a tal matéria.
Como se vê, nem tudo anda em paz pelos lados de Gerland. Se o Lyon faz uma campanha irretocável na LC, patina na Ligue 1 e deixar no ar a incerteza sobre suas reais condições nesta temporada. Quando se imagina que o time vai bem, algo aparece para desestabilizar o ambiente que caminhava para a completa tranquilidade. Sem esse sossego, o OL corre o risco de comprometer sua campanha no torneio continental – e aí o clima vai azedar de vez.
Príncipe das trevas
O Monaco iniciou a temporada de olho em uma vaga para as competições europeias. Passadas dez rodadas da Ligue 1, o time do principado encara uma realidade bastante diferente da qual sonhava. Com a derrota por 2 a 0 para o Valenciennes em casa, a equipe entrou na zona de rebaixamento e demonstrou todo seu nervosismo com a inesperado situação no torneio.
A equipe conquistou uma mísera vitória até aqui na competição – número melhor apenas do que o Arles-Avignon, a Hispania da Ligue 1. O Monaco vem de uma série de seis partidas sem sentir o gostinho de um triunfo. São duas derrotas consecutivas diante de sua torcida no Louis II. Pelo terceiro confronto seguido, o time não balança as redes adversárias. O ASM parece atordoado.
Tal falta de reação se verificou no jogo diante do Valenciennes. Logo após o gol marcado por Pujol, o ASM não demonstrou qualquer sinal de vida, mesmo jogando em casa. Sofreu o segundo e manteve o mesmo semblante, de quem está acuado nas cordas à espera do gongo soar. O treinador Guy Lacombe falou pouco sobre a atual fase, mas lamentou a perda de jogadores na janela de transferências – da mesma forma como o grupo foi elogiado por contar com um setor ofensivo interessante com nomes como os de Park e Mbokani, além de uma defesa elogiada com as chegadas de Hansson e Bonnart.
Há quem diga que o time não tem tanta pressão, em qualquer fase vivida pelo time. A falta de cobrança seria uma das causas do relaxamento, mas ainda me parece uma explicação frágil. O Monaco entrou em uma espiral negativa e não consegue sair dela. O time começou a perder e as derrotas em campo tiraram qualquer confiança do elenco, que sente dificuldades em recuperá-la.
A tensão no grupo se tornou visível quando Alonso deixou o campo ao ser substituído por Gakpé. Frustrado por sua atuação ruim e vaiado pelo público, ele fez gestos para a torcida que o ofendia e chutou uma garrafa de água para extravasar sua revolta. Um ato de indisciplina que ilustra o pavio curto que toma conta do time.
Na temporada passada, o Monaco havia perdido os mesmos três jogos de agora, mas a diferença estava no número de vitórias: seis. No momento, o ASM ostenta o título de “rei dos empates”, com seis igualdades até aqui. Embora conte com um bom setor ofensivo, a equipe sente muitas dificuldades para definir suas jogadas ofensivas, com uma fraqueza impressionante.
Quem afirma não haver pressão no principado conhece pouco a volatilidade dos dirigentes do Monaco. Apesar das promessas de estabilidade, ela só existe no mundo dos sonhos no ASM. Os planos a longo prazo nunca foram a especialidade dos dirigentes do clube, por isso Lacombe precisa se preocupar em obter uma melhora a curto prazo sob risco de perder seu emprego.


