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Koundé toma posição firme contra lei que proíbe filmar ações policiais na França

A Assembleia Nacional francesa aprovou nesta terça-feira (24) uma enormemente contestada legislação com o nome de “Lei de Segurança Global”. Em seu mais polêmico artigo, ela proíbe a filmagem de policiais e demais membros das forças de segurança “com a intenção de prejudicar sua integridade física ou mental”. Em um movimento raro, um jogador de futebol francês de alto escalão, Jules Koundé, destaque do Sevilla, se posicionou contra a nova lei nesta quinta-feira (26).

Em publicação no Twitter, o defensor, de apenas 22 anos, compartilhou uma reportagem denunciando o mais recente episódio de abuso policial flagrante em Paris. No último sábado (21), na capital francesa, Michel, um produtor musical negro, foi alvo de uma sessão de espancamento por três policiais na entrada de seu próprio estúdio.

A situação teria começado porque os policiais observaram que o homem não vestia uma máscara. Em seu relatório, os oficiais apontaram que Michel teria tentado tomar as armas de suas mãos e teria sido violento. No entanto, imagens das câmeras de segurança do estúdio e registros feitos por vizinhos, a partir de suas sacadas, desmentiram a versão dos policiais.

Compartilhando a reportagem em vídeo, Koundé afirmou: “Contra este bando de policiais que ultrapassam em muito seus direitos, espancando e às vezes até matando, nossas câmeras são nossas melhores armas”.

Após a revelação das imagens, os três policiais foram suspensos e estão sendo investigados pela violência de sua abordagem e por falsificarem o relatório do incidente.

O posicionamento de Koundé vem em um momento de bastante contenção na França. A Assembleia Nacional acaba de aprovar uma lei apresentada pelo partido República em Marcha, do presidente Emmanuel Macron, que proíbe a filmagem e divulgação de policiais “com a intenção de prejudicar sua integridade física ou moral”.

Detratores da legislação apontam uma guinada autoritária, e a Anistia Internacional alerta que a França se tornaria “uma exceção entre as democracias” com o novo texto. Os críticos afirmam ainda que a lei, com sua abertura para interpretação, irá restringir a liberdade de expressão, a atuação da imprensa e levar a uma menor responsabilização da polícia por episódios de abusos.

Na reportagem exclusiva do Loopsider, denunciando as agressões da polícia a Michel, o homem espancado pelos oficiais respirou aliviado diante da presença das câmeras que registraram a ação truculenta da polícia: “Sem elas, eu estaria preso”.

Koundé dá um corajoso e importante passo ao se posicionar publicamente sobre o caso, em um país com um histórico extenso de violência policial contra minorias étnicas e manifestantes.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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