Jogos Olímpicos da Ligue 1

De um lado, uma equipe ainda nas nuvens pela classificação surpreendente para as quartas de final da Liga dos Campeões. Do outro, um adversário que ainda tentava digerir a eliminação nas oitavas da Liga Europa. Os dois se enfrentaram no Vélodrome com algo em comum: ficar mais perto da disputa pelo título francês. No duelo dos olímpicos, prevaleceu o Olympique de Marselha, mais do que nunca candidato a incomodar o Bordeaux nas rodadas finais.
Os primeiros minutos da partida davam a nítida impressão de que o OM ainda juntava os cacos depois da trágica eliminação para o Benfica, em casa, de virada, com um gol sofrido nos instantes finais. O Lyon se aproveitou do momento aéreo dos anfitriões para multiplicar as chances de ataque. Os marselheses se limitaram a explorar um ou outro lance de bola parada. Sem força para impedir os avanços lioneses, o Olympique também contou com um bocado de sorte.
Curiosamente, as duas equipes tiveram problemas ofensivos. Do lado do Olympique, o treinador Didier Deschamps preferiu deixar Brandão no banco de reservas, e no primeiro tempo viu a equipe dar apenas dois chutes a gol. A entrada do brasileiro em campo mudou a postura do time, já que agora tinha uma referência dentro da área. Era o que faltava para compensar os esforços de Lucho González, incansável na recuperação.
O Lyon, por sua vez, tinha um Lisandro López bastante isolado na frente, e o argentino pouco podia fazer contra a defesa marselhesa. A situação dele só melhorou quando o técnico Claude Puel mandou Gomis a campo. Com um jogador para fazer o papel de pivô e prender a bola no campo ofensivo, o OL teve a eficiência que lhe faltou nos primeiros 45 minutos, quando criou várias oportunidades e não marcou.
O OM tinha todos os motivos para mergulhar em depressão quando, após sair em vantagem com Kaboré, levou o gol de empate de Gomis a quase dez minutos do fim. O filme da eliminação para o Benfica já passava na cabeça dos torcedores marselheses, mas os donos da casa souberam dar a volta por cima. A lição já havia sido aprendida, com sofrimento, diante das Águias, e não teria como acontecer de novo em tão pouco tempo.
Ao demonstrar seu caráter de superação após uma dolorosa eliminação na Liga Europa, o Olympique lavou a alma, deixou para trás um forte concorrente direto e ganhou ânimo para as rodadas finais. Já o Lyon, cada vez mais distante do Bordeaux, começa a se preocupar com um dilema. Se abrir mão do Francês, pode muito bem se dar mal na Liga dos Campeões e ficar de mãos abanando. Também não dá para ir com tudo na Ligue 1 e deixar a LC de lado, ainda mais depois da heroica classificação contra o Real Madrid. Não gostaria de estar na pele de Puel.
Caseiro
Os representantes de Bordeaux e Lyon que foram até Nyon tinham um pensamento idêntico: torciam para que o sorteio das quartas de final da Liga dos Campeões fosse favorável a eles e jamais reservassem um confronto francês. No entanto, as bolinhas contraíram todas as figas, toques na madeira e todo tipo de mandinga feita para evitar este duelo entre os dois representantes do país.
Claro que seria muito pior se Bordeaux e Lyon caíssem nas garras de Barcelona e Manchester United. Os otimistas também encontraram um motivo dos mais simplistas para comemorar: ao menos a França terá um representante nas semifinais. Poderia ter os dois. Bastava um suposto encontro contra CSKA Moscou ou Bayern de Munique para as chances dessa dupla classificação se tornassem uma grande possibilidade.
A guerra de bastidores já começou entre as duas equipes. O Bordeaux chiou muito ao ver que o Lyon enfrentaria o Grenoble na sexta-feira, conforme um pedido feito pelo OL para antecipar o duelo. Os Marine et Blanc bateram o pé e acusaram o rival de favorecimento, clamando por justiça e igualdade de direitos. Resultado: Lyon x Grenoble foi marcado para o fim de semana.
O duelo fratricida colocará frente a frente duas equipes envolvidas na disputa pelo título da Ligue 1. Será o embate entre o ex-senhor absoluto dos campos franceses contra o responsável pela quebra da hegemonia (e que também deseja firmar suas raízes e perpetuar sua dinastia no poder). Para piorar, após os dois jogos entre eles pela Liga dos Campeões, não demorará muito para termos um novo e decisivo duelo Lyon x Bordeaux. Será em 17 de abril, com ares de uma final de campeonato.
Zebra
A Copa da França se tornou a grande vedete do futebol alternativo da Europa. A cada temporada, há sempre espaço para um time pequeno se agigantar, tomar corpo, eliminar favoritos e ir longe na competição. Desta vez, a honra de ser o bastião das zebras coube ao Quevilly, do CFA (quarta divisão), que manteve seu sonho vivo ao eliminar o Boulogne com uma categórica vitória por 3 a 1 em Rouen.
Antes de fazer mais um gigante (que não é tão grande assim, mas se trata de um time de primeira divisão), o Quevilly já havia arrancado os primeiros “ohhhs” dos franceses quando deixaram pelo caminho Angers e Rennes. A sensação não parou por aí. O Boulogne achou que teria vida fácil na partida por ter maior posse de bola logo no início, mas a estratégia se virou contra os visitantes.
Tomados pela empolgação e pela torcida inflamada, o Quevilly abriu uma vantagem de dois gols. O Boulogne diminuiu antes do intervalo – pasmem, esse foi o primeiro gol sofrido pelo Quevilly nesta edição da Copa da França. Na segunda etapa, tome pressão do Boulogne. Os donos da casa se aguentaram como puderam na defesa e, em uma das raras chances de sair do sufoco, foram eficientes.
A tática era simples: recorrer ao contra-ataque para tentar matar o jogo. Contra um dos times de pior desempenho ofensivo da Ligue 1, segurar-se na defesa foi tarefa árdua, mas não impossível. Ouahbi definiu o resultado, devolveu a tranquilidade aos companheiros e classificou sua equipe, à beira do amadorismo, para a semifinal da Copa da França. Que venham os grandes, pois o Stade de France está a apenas uma partida de distância para os bravos do Quevilly.


