França

Jogo perdido para Trezeguet

Enfim era chegada a hora do retorno de David Trezeguet à seleção francesa. Foram necessárias as baixas de Karim Benzema e Thierry Henry para Raymond Domenech, enfim, curvar-se diante do atacante da Juventus. Artilheiro da Série A com 17 gols, ao lado de Borriello, ‘Trezegol’ tinha a chance de ouro de fazer o treinador engoli-lo a seco e fincar seu pé no elenco para a disputa da Eurocopa. As oportunidades lhe foram propícias: formou a dupla de ataque titular no amistoso contra a Inglaterra, um adversário respeitável, em ambiente propício para uma grande volta por cima nos Bleus. No entanto, Trezeguet falhou.

Ausente da seleção francesa desde setembro, quando foi chamado para enfrentar a Escócia pelas eliminatórias da Eurocopa, Trezeguet sucumbiu ao plano esperado por Domenech. A expectativa criada em torno de seu retorno aos Bleus virou-se contra ele e acabou por engoli-lo. O desejo em ver o atacante acabar com os adversários e fazer pelo menos quatro gols em cada tempo fez os torcedores saírem do Stade de France com um gosto de fracasso. Mesmo com uma atuação razoável, ficou a nítida impressão de que o bianconero decepcionou. Ponto para Domenech, que ganhou motivos para não chamá-lo de novo e corroborar sua tese de deixá-lo fora de convocações anteriores.

No gramado, esteve em campo um Trezeguet tímido, ciente da necessidade de se colocar à prova para um treinador birrento e uma torcida apreensiva e ao mesmo tempo esperançosa. Nos 64 minutos nos quais ficou em campo, o atacante sentiu esse peso. Ele participou de 14 jogadas e tentou chamar o jogo para si, mas ficou sem muitos argumentos. Zero chutes a gol e nenhuma ocasião nítida para arriscar uma finalização; números que traduzem seu nervosismo natural em uma situação como essa. Domenech ainda tentou amenizar o panorama, ao dizer que ‘o jogo não foi fácil para os atacantes, pois eles atuaram um pouco recuados’ e que Trezeguet pouco apareceu por ‘ser um homem de área e, por isso, ter poucos lances para definir’.

Na verdade, o treinador tratou de esconder sua falha na escalação dos Bleus. Diante de uma seleção inglesa bem fechada e de forte marcação e posse de bola, teria sido mais proveitoso mandar a campo o tradicional 4-3-3 em vez do 4-4-2 escolhido para o confronto. Embora tenha demonstrado mais uma vez sua solidez no sistema defensivo, com outra atuação convincente da dupla Toulalan-Makélélé, a França encontrou problemas para armar suas jogadas. Com um Malouda mais preocupado em cumprir suas funções de marcação, a equipe perdeu a possibilidade de explorar mais o jogo pelas pontas, como se convém diante de blocos herméticos. Anelka foi obrigado a buscar jogo e tentou auxiliar Ribéry nas jogadas ofensivas – e daí saiu a jogada do gol da vitória.

No segundo tempo, com a mudança no estilo de jogo dos ingleses (de toques rápidos para lançamentos na direção de Peter Crouch), os franceses cresceram na partida. Os Bleus agora tiveram maior posse de bola e não encontraram grandes problemas para administrar a vantagem. O amistoso teve poucas novidades para uma equipe equilibrada e ainda em busca de melhorias na armação. Para Trezeguet, o confronto contra os ingleses também não representou grandes mudanças em seu conceito com Domenech. O atacante, que cogitou até mesmo a possibilidade de se aposentar da seleção, segue em posição secundária na lista para a Eurocopa. Henry, Anelka, Benzema, Saha e Ben Arfa continuam em vantagem, e apenas uma atuação irrepreensível seria capaz de garanti-lo entre os 23. Uma tarefa quase improvável a esta altura.

Punição branda

A comissão disciplinar da Liga de Futebol Profissional (LFP) puniu o Metz com a perda de um ponto por conta das insultas racistas a Abdeslam Ouaddou, defensor do Valenciennes, durante o confronto entre as duas equipes. O castigo causaria um grande impacto se não fosse a situação dos Grenás no campeonato. Um, dois, cinco pontos a menos no final das contas não farão a menor diferença na situação da equipe, lanterna da competição com sobras.

A LFP havia aplicado punição semelhante ao Bastia na temporada passada. Na ocasião, os torcedores do clube corso ofenderam Boubacar Kébé, do Libourne Saint-Séurin, nascido em Burkina Fasso. No caso, o clube realmente sentiu o peso do castigo, pois se desgastou na luta por uma vaga para a promoção e deixou uma péssima impressão diante da opinião pública.

Embora o caso de discriminação sofrido por Ouaddou tenha levantado uma discussão nacional em torno do tema, a punição imposta ao Metz frustra quem esperava alguma mudança significativa. Haveria um sentimento de justiça muito maior se o clube recebesse uma pesada multa, uma suspensão ou fosse impedido de contratar reforços. Para quem está praticamente rebaixado, um ponto a menos não faz a menor falta. O jogador marroquino classificou a decisão da comissão disciplinar da LFP como uma ‘piada’. Ouaddou está coberto de razão; uma piada de péssimo gosto, constrangedora, obscena.

Rodada da confirmação

Gerland viveu um confronto para ratificar duas situações bem distintas na Ligue 1. Por um lado, o Lyon ganhou ainda mais forças em sua firme caminhada rumo ao heptacampeonato. Com uma mãozinha do Bordeaux, perdedor do duelo contra o Valenciennes, o OL abriu uma confortável diferença de nove pontos para os girondinos, vice-líderes, a oito rodadas do final do campeonato. Já o Paris Saint-Germain, além do amargor da derrota por 4 a 2 para os lioneses, o sinal de alerta está cada vez mais forte. O revés jogou o clube da capital para a zona de rebaixamento, em momento crítico.

Pressionado pela vitória do Sochaux sobre o Olympique de Marselha em pleno Vélodrome, o PSG entrou em campo com uma dose extra de nervosismo. Os Leões o haviam ultrapassado na tabela e, por isso, apenas uma vitória sobre os líderes seria capaz de devolver a calma e inflamar a equipe nos seus jogos finais. Foi exatamente esta obrigação por um triunfo o responsável pela distração dos parisienses nos minutos iniciais do confronto. Tempo suficiente para Fred marcar aos oito minutos.

O Lyon, com apetite voraz, partiu para cima de sua presa para resolver logo o assunto. Contudo, não contava com a perda prematura de Benzema, machucado após um choque com Camara. A saída do atacante trouxe momentos de desestabilidade para o OL, ainda mais pelo entrosamento dele com Fred, em rápida evolução nestas últimas partidas. Foi aí que o Paris Saint-Germain se recuperou e passou a incomodar os donos da casa. E, neste momento de afirmação, o PSG mostrou suas velhas deficiências.

Embora o 4-2-3-1 montado por Paul Le Guen tenha se mostrado equilibrado e compacto, o time não consegue disfarçar sua fragilidade. Souza, lento pela direita, nada acrescentou à equipe. Chantôme, por sua vez, tentou compensar na armação do meio-campo, embora tenha sido mais esforçado do que prático. Após o Lyon abrir 2 a 0, o PSG teve fôlego para buscar o empate, mas suas forças se esgotaram a partir do segundo tempo. O OL, embora com um ritmo oscilante, aproveitou para fazer o 4 a 2 em noite de Bodmer, autor de duas assistências.

Sem correr grandes perigos, os lioneses deram ao PSG a ilusão de que poderiam deixar Gerland com um sorriso no rosto. Concentrado na briga pelo hepta, salvação para uma temporada repleta de erros, o OL teve no time da capital uma vítima perfeita: desesperada, voltada para o ataque sem a organização necessária para isso e em condições físicas ruins. Enquanto o Lyon segue com tranqüilidade rumo a mais um título, o Paris Saint-Germain se afunda em sua mediocridade. Incapaz de reagir, as seqüências de resultados ruins minam a resistência de um elenco desgastado, pressionado e de qualidades técnicas discutíveis. O tempo corre contra os parisienses.

Desde a derrota para o Lyon há algumas rodadas, o Bordeaux parece ter jogado a toalha na briga pelo primeiro lugar. Fora de casa, os girondinos foram superados por 3 a 1 pelo Valenciennes, que vinham de uma seqüência de duas derrotas e três empates. Há de se dar um desconto aos Marine et Blanc pela estafante disputa de uma prorrogação diante do Lille pela Copa da França. Os 120 minutos de partida contra o LOSC cobraram seu preço na parte final do jogo com o VA.

Laurent Blanc não tem muito o que fazer neste momento. Não dá para querer escalar Cavenaghi como titular em todos os confrontos decisivos pela frente. Embora o argentino tenha decidido várias partidas para o time, não conseguirá manter o mesmo ritmo nem será tão útil se não tiver um descanso. O mesmo vale para outros jogadores, como Wendel, Micoud… Não fosse o elenco um pouco limitado e o conformismo em ver o Lyon na frente e o Bordeaux teria mais chances para sonhar.

Por falar em sonho, o Sochaux quebrou a série de nove vitórias seguidas do Olympique de Marselha no Vélodrome. Na casa do inimigo, os Leões falaram mais alto, venceram por 1 a 0 e deixaram o bloco dos rebaixados. O gol de N’Daw logo aos três minutos, em bobeada da defesa, fez o OM se arriscar demais, oferecer o contra-ataque aos visitantes e confirmar sua atual fase ruim. Sem Niang, machucado, e diante de uma defesa bem fechada, comandada por Richert, os marselheses viram como seu fim de temporada corre o risco de se tornar um pesadelo.
 

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Equipe Trivela

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