Os primeiros colocados da Ligue 1 passaram vergonha na 29ª rodada. Nenhum dos nove times mais bem posicionados na tabela ganhou seus compromissos. O pior vexame foi protagonizado pelo Lyon, goleado pelo Bastia por 4 a 1 fora de casa. Além da dor de cabeça pelo resultado, o OL ainda viu o Paris Saint-Germain ampliar em um ponto a distância na liderança com o empate por 2 a 2 com o Saint-Étienne.
Os ares da Córsega parecem fazer mal ao Lyon. Após a apresentação pífia diante do Ajaccio, quando foi derrotado por 3 a 1, o OL conseguiu fazer uma apresentação ainda pior. Com erros grotescos em sua defesa e sem encaixar seu jogo, os lioneses sofreram com mais uma pane de Yoann Gourcuff. O meia poderia ajudar o time a compensar a fragilidade defensiva, mas decepcionou com seu jogo sonolento.
Gourcuff a cada dia reforça sua fama de maior decepção lionesa das últimas temporadas. Contra o Bastia, suas condições físicas estavam nitidamente em um nível abaixo da dos demais companheiros. Como se não bastasse esta deficiência, o meia ainda contribuiu de forma negativa ao perder a posse de bola seguidas vezes. O time corso agradeceu e conseguiu vários contra-ataques a partir de desarmes em cima dele.
A dupla de zaga formada por Dejan Lovren e Milan Bisevac também terá pesadelos da Córsega. Nervosos, os dois foram completamente dominados pela linha de frente do FCB. O time da casa explorou muito bem os contra-ataques, nos quais as falhas de cobertura evidenciaram as limitações da zaga lionesa.
Já o líder PSG esteve com uma vantagem de dois gols no placar, mas amargou um empate por 2 a 2 com o Saint-Étienne no caldeirão de Geoffroy-Guichard. Mesmo com muitas baixas no meio-campo e na ligação ao ataque (Thiago Motta, Verratti, Ménez e Lucas não jogaram), os parisienses se apoiaram em um convincente David Beckham, titular pela primeira vez desde sua chegada ao clube.
Os vinte primeiros minutos de jogo tiveram um PSG quase perfeito e com sorte. Beckham não foi decisivo, mas mostrou que não veio a Paris como um simples turista. Sua determinação e o entrevero com Brandão ilustram como o Spice Boy quer mesmo provar que ainda tem lenha para queimar. Seus colegas de PSG o procuraram bastante em campo, em demonstração de confiança plena em sua capacidade de cadenciar o ritmo e liderar a equipe.
O maior vencedor da rodada veio da parte de baixo da tabela. Lanterna, o Nancy ganhou fôlego em sua luta contra o rebaixamento ao derrotar o Nice por 1 a 0. O OGC tinha a chance de alcançar o pódio da Ligue 1, mas viu sua defesa abandonar Ospina completamente. O goleiro ainda fez alguns milagres, mas não conseguiu impedir o gol decisivo de Bakar. O ASNL, determinado e mais coerente em campo, ainda tem cinco pontos de distância para o Brest, primeiro time fora da zona da degola. Ao menos a esperança permanece.
Teste de verdade
Chegou a hora da verdade para o Paris Saint-Germain na Liga dos Campeões. O sorteio das quartas de final reservou o pior adversário possível para o clube da capital, mas o duelo contra o Barcelona servirá como medida exata da real posição do PSG dentro do cenário europeu. Em seu maior teste até agora na competição, a equipe terá a oportunidade de medir em qual estágio se encontra após o milionário investimento para a formação de seu elenco.
Há quem veja uma missão impossível nos confrontos contra o Barcelona. Claro que as chances do PSG seriam bem maiores diante de um Galatasaray, mas também não dá para considerar a eliminação como algo certo e definitivo. Tudo depende de como os parisienses reagirão ao primeiro jogo no Parc des Princes. Sem Zlatan Ibrahimovic (caso o clube não consiga reverter a suspensão pelo cartão vermelho diante dos Ches), o PSG precisa provar que consegue se virar sem o atacante sueco.
O PSG entra nesta disputa sem nada a perder. Já voltou à disputa das quartas de final da LC após um intervalo de 18 anos e tenta mostrar sua força turbinada pelos petrodólares qatarianos. Se na esfera esportiva a permanência na Champions parece com os dias contados, o PSG espera aproveitar ao máximo o duelo contra o Barcelona para fazer algo que tem feito muito bem nos últimos tempos: lucrar com a festa e a exposição na mídia.
A corrida para a compra dos ingressos para o jogo de ida já mostra como o PSG tem um imenso produto em mãos para capitalizar em cima dele. Receber Messi e companhia se tornou um objeto de desejo, quase como aquele bem de consumo que, se você não tem, é um fracassado na vida.
A se julgar pelo futebol apresentado contra o Valencia no Parc des Princes, o PSG tem motivos para duvidar de alguma chance de incomodar o Barcelona. No empate por 1 a 1 contra os Ches, os parisienses não contaram com o suspenso Ibrahimovic e penou diante de um rival com pouco peso ofensivo. A vantagem obtida no primeiro duelo (vitória por 2 a 1) até pode ser usada como desculpa para o relaxamento, mas mesmo assim não justifica uma atuação tão apática.
A alternativa testada por Ancelotti deu pouco resultado. O treinador preferiu uma formação mais defensiva, com Chantôme no meio-campo e Lucas e Lavezzi na frente. Sem criatividade, o PSG só incomodou o Valencia quando Gameiro entrou em campo e fortaleceu o ataque. Se apostar em um esquema mais cauteloso, Ancelotti corre sério risco de repetir a bobagem e ver o Barcelona definir a classificação logo no primeiro jogo.
Para sonhar com alguma coisa, o PSG precisa mais do que nunca confiar na experiência de seus principais nomes. Atacar o Barcelona como um bando de índios é suicídio, assim como chamar o adversário para seu campo. Encontrar o equilíbrio passa a ser a missão do treinador, algo que ele ainda sente dificuldades para encontrar mesmo com a temporada se encaminhando para seu final.


