França

Inferno parisiense

Parece notícia velha, mas de novo o Paris Saint-Germain mergulha no inferno criado por sua própria torcida. Os fãs do Olympique de Marselha nem foram ao Parc des Princes, como protesto, mas nem a tal da “torcida única” foi capaz de garantir um dia de paz e sossego na capital francesa. Duas facções organizadas do PSG se engalfinharam fora do estádio, um homem ficou ferido gravemente e mais uma vez a polêmica volta à tona: o que fazer para acabar com a violência?

Robin Leproux, presidente do time da capital, ao menos está fazendo sua parte, embora seja fácil tomar medidas depois que a tragédia acontece. Basicamente, três medidas foram tomadas: até segunda ordem, não serão vendidos ingressos para jogos da equipe fora de casa; o PSG não recorrerá das possíveis punições que sofrerá pela selvageria de parte de sua torcida; e o clube fechará os setores destinados aos grupos de hooligans.

Durante o clássico contra o Olympique de Marselha, dois homens da tribuna Boulogne tentaram invadir o gramado, mas foram rapidamente contidos. Dentro do Parc des Princes, as medidas de segurança fazem efeito, apesar de ainda termos sinalizadores lançados em campo. Há câmeras de vigilância espalhadas em todo canto e seguranças sempre a postos para evitar qualquer balbúrdia. Só que o problema está lá fora.

Como dito antes, nem mesmo a ideia de torcida única vingaria (psiu! É, você mesmo, que defende esta proposta absurda toda vez que vê um caso de violência no futebol brasileiro). Ela não se sustenta exatamente por isso: hooligans vão ao estádio com o intuito quase exclusivo de arranjar briga. Se a torcida adversária não veio, serve aquele pessoal ali que não é da facção. Assim foi a batalha entre membros da Boulogne e da tribuna Auteuil.

Em uma coisa o PSG tem completa razão: sozinho, não dará conta de resolver o problema da violência de seus torcedores. Como os confrontos ocorrem fora do estádio, cabe também ao poder público criar mecanismos capazes de evitar tragédias. No caso, um controle rígido sobre estas torcidas organizadas e seus membros, reforço na segurança e em medidas de inteligência para evitar conflitos em áreas distantes já ajudariam demais.

Os ultras do Olympique de Marselha, que também não são rapazes educados em Sorbonne, decidiram não se deslocar para a capital por julgarem insuficientes as condições de segurança oferecidas. Imaginem se por acaso eles ignorassem isso e fossem para Paris mesmo assim. Teríamos cenas parecidas com as que vemos no Call of Duty – e sem direito a reiniciar o jogo toda vez que se morre.

Estão vivas na memória as cenas de 2006, quando um jovem torcedor do PSG foi morto por um policial durante a confusão que se seguiu a um jogo da Copa Uefa. Um torcedor do Hapoel Tel Aviv foi perseguido pelos hooligans parisienses, o que deu origem à tragédia. Dois anos depois, parte da torcida parisiense demonstrou sua intolerância com uma bandeira de conteúdo racista, direcionada a seguidores do Lens na final da Copa da Liga. Nesta temporada, em Marselha, também houve confrontos.

Ou seja: os casos de violência se repetem e quase nenhuma medida enérgica foi tomada. Enquanto o poder público se mobiliza apenas quando há algum novo caso, os hooligans fazem a festa e desfilam impunes pelas arquibancadas. Parece o Brasil, mas falamos da França, que aparenta não saber lidar com este problema da mesma forma como já nos acostumamos por aqui.

Em campo

Deixando a violência que cercou o clássico de lado, a partida entre Paris Saint-Germain e Olympique de Marselha jogou mais combustível na fogueira na qual se encontra o time da capital. A derrota por 3 a 0 em casa para o maior rival simbolizou o atual momento das duas equipes: um OM prático, simples e que luta pelas primeiras posições, contra um PSG esforçado, mas ineficiente, incapaz de se recuperar de um golpe sofrido e que perambula pelo meio da tabela e sem grandes aspirações.

Os parisienses até começaram bem a partida, mas logo levaram um gol de Ben Arfa aos 15 minutos de jogo. Apesar da desvantagem, os donos da casa criaram boas chances para o empate. Só não contavam com a péssima atuação de Erding, que praticamente errou todas as jogadas nas quais tentava alguma coisa. Enquanto isso, o OM continuava firme graças à solidez de seu sistema defensivo e do bom aproveitamento das jogadas de bola parada.

Na segunda etapa, o 2 a 0 imposto por Lucho González desmontou de vez o PSG. A mediocridade do time da capital se concentrou em Erding, que perdeu duas vezes cara a cara com Mandanda. Cheyrou fechou o caixão parisiense, deixando os marselheses em excelentes condições de lutar por uma vaga na Liga dos Campeões e, porque não, até mesmo pelo título.

Na parte tática, o destaque ficou por conta da inteligência de Didier Deschamps em controlar o jogo da forma como quis. Com seu tradicional 4-3-3, o treinador do OM demoliu o sistema de jogo confuso do PSG. Enquanto Antoine Kombouaré tentava organizar seus jogadores em vão, deslocando-os de um lado para outro, Deschamps resumiu seus propósitos com a entrada de Abriel, de melhor qualidade para prender a bola, no lugar de Valbuena, no momento da partida no qual o Olympique mais precisava retê-la em seus pés.

Com a quarta vitória seguida na Ligue 1, o OM ficou a apenas três pontos do Bordeaux, embora tenha um jogo a mais do que os girondinos. O Montpellier, em estado de graça, igualou-se aos Marine et Blanc ao bater o Rennes por 3 a 1. E o Lyon se mantém na briga com o suado 1 a 0 sobre o Nice em Gerland, o 19º ponto conquistado pelo OL dos últimos 21 possíveis. Este fim de temporada promete.

Vantagem

Dono da melhor campanha da fase de grupos da Liga dos Campeões, o Bordeaux teve sorte no sorteio que definiu seu adversário nas oitavas de final do torneio. Como ficou provado na partida de ida, na Grécia, o Olympiacos não mostrou muita resistência diante dos Marine et Blanc. Aliás, para quem prometeu fazer um inferno no Georgios Karaiskakis, o nível do futebol apresentado pouco intimidou os visitantes.

Sem enrolar, o Bordeaux entrou rapidamente no modo Liga dos Campeões. A equipe logo tomou conta da posse de bola, uma de suas maneiras mais eficientes de minar a paciência do adversário. Nos primeiros 15 minutos da partida, os girondinos ficaram com ela por 60% do tempo. Foi o suficiente para a torcida do Olympiacos perder o ímpeto inicial e o time grego deixar a empolgação de lado para exibir uma face de preocupação.

Com o aspecto emocional controlado, o Bordeaux se baseou em dois grandes fatores para conquistar a vitória. O primeiro foi a tranquilidade demonstrada pela defesa, firme no bloqueio a qualquer tentativa do Olympiacos. A segunda foi a eficiência nas jogadas de bola parada. Foi assim que surgiu o gol solitário de Ciani, que deu a vitória por 1 a 0 aos Marine et Blanc e uma valiosa vantagem para o duelo no Chaban-Delmas.

Para se ter uma ideia do feito do Bordeaux, o Olympiacos havia vencido suas três partidas em casa na fase de grupos. Os girondinos ostentam agora outras marcas interessantes. O gol de Ciani foi o oitavo da equipe em decorrência de uma bola parada – 80% do total da equipe na Liga dos Campeões. O time completou 444 minutos sem ver suas redes balançarem; pela quarta vez consecutiva, a equipe saiu de campo sem levar um gol. Tudo caminha para uma tranquila classificação para as quartas.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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