‘Melhorou as estatísticas e silenciou os críticos’: Como Igor Paixão teve reviravolta no Marseille
Brasileiro chegou como contratação recorde, sofreu críticas, mas tem sido um dos grandes nomes do time de De Zerbi
Igor Paixão chegou ao Olympique de Marseille como a contratação mais cara da história do clube. Os franceses pagaram 35 milhões de euros (R$ 227 milhões) para tirá-lo do Feyenoord depois de uma temporada que o colocou entre os melhores brasileiros em atuação na Europa.
Foram 16 gols e 10 assistências em 34 jogos da Eredivise. Foi o vice artilheiro e o segundo em participações em gols na liga. No entanto, o início na França foi mais lento que o esperado.
“Embora todos soubessem que ele estava voltando de lesão, Paixão foi fortemente criticado por seus primeiros jogos no OM quando entrava como substituto. As pessoas esperavam ver um jogador espetacular e explosivo, mas o que viram foi um atleta surpreendentemente discreto”, explicou Romain Lantheaume, coordenador do site francês “Top Mercato”.
Ainda assim, o brasileiro já tem seis participações em gols em oito jogos – incluindo uma atuação quase perfeita contra o antigo rival Ajax, na Champions League, que calou críticos. Então o que esperar de Igor Paixão 100% recuperado?
Na rodada mais recente, o brasileiro voltou a balançar as redes contra o Sporting, na derrota por 2 a 1, somando três gols no torneio europeu — foram apenas dois na temporada passada.
Paixão abriu o placar com um belíssimo gol aos 13 minutos do primeiro tempo após receber na grande área pela esquerda, cortar para dentro e bater de chapa, no ângulo direito do goleiro Rui Silva.
Mas com menos um jogador em campo, após a expulsão do lateral-esquerdo Emerson ainda no primeiro tempo, o Marseille cedeu a pressão dos Leões, que empataram aos 25 minutos da segunda etapa. A virada portuguesa aconteceu aos 41 minutos com o também brasileiro Alisson Santos.
Lesão freou início de Igor Paixão no Marseille
Ao fim da temporada passada, o problema físico do atacante de 25 anos preocupou o curso do seu futuro. Igor sofreu uma lesão muscular durante um treino do Feyenoord em julho. Mesmo sabendo que perderia parte da pré-temporada e início da campanha oficial, o Marseille ainda o contratou.
Foram mais de dois meses de recuperação para o brasileiro, que só estreou pelo clube francês no dia 12 de setembro, na quarta rodada da Ligue 1. Na ocasião, o Marseille já vencia por 3 a 0 (faria o quarto nos acréscimos), e Igor teve 30 minutos em campo.

Os jogos seguintes também não impressionaram. Começou no banco e entrou no segundo tempo contra o Real Madrid, e chegou a ser titular contra PSG e Strasbourg, mas foi substituído ambas as vezes por volta dos 60 minutos.
A forma como o técnico Roberto De Zerbi escalou o brasileiro também foi vista com dúvidas. Apesar de ter jogado em ambos os lados no Feyenoord antes, brilhou na temporada passada como um ponta-esquerdo, que encarava a defesa a partir da linha lateral e entrava no último terço em diagonal.
“Ele nem sempre foi ajudado pelas escolhas de Roberto De Zerbi, que às vezes o usava na ponta direita, particularmente no início do jogo contra o Strasbourg. Contra o PSG em particular, ele parecia estar abaixo do nível de seus companheiros de equipe”, pontuou Lantheaume.
Por outro lado, o próprio atacante exaltou o técnico italiano por sua recuperação – tanto em termos físicos quanto de confiança.
— Estou em boa forma física graças ao treinador. Ele me deu a oportunidade de entrar no ritmo. Estou pronto para jogar a cada três dias (…). Ele me aconselha sobre dribles individuais. Cometeremos erros, mas se passarmos, colocaremos nosso companheiro de equipe na frente do gol — declarou em entrevista coletiva antes do jogo contra o Sporting.
O Igor Paixão crava y baila ⚽🕺🇧🇷#OMAJA @IgorPaixao98 pic.twitter.com/ybqsgKjQxF
— Olympique de Marseille 🇧🇷 🇵🇹 (@OM_Portugues) October 1, 2025
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Como Igor Paixão está jogando no Olympique de Marseille
O atacante jogou em algumas configurações diferentes na equipe de De Zerbi:
- como ponta-direita em um 4-2-3-1;
- como um dos dois “camisas 10” em um raro 3-4-2-1, usado contra o PSG;
- e de forma mais recorrente, o ponta-esquerda do 4-2-3-1.
E nas últimas três partidas em que começou em sua posição ideal, Igor Paixão marcou três vezes e deu duas assistências. Contra o Ajax, inclusive, mostrou tanto a sua versatilidade na posição quanto a do próprio time de De Zerbi.
No primeiro gol, ilustra um dos principais padrões que têm surgido entre equipes que gostam da bola no futebol mundial: como ponta, ataca as costas da última linha quando o centroavante desce para receber um passe de ruptura da defesa.

Assim que o passe de Aguerd sai para Aubameyang, rompendo todo o campo, Igor já corre no espaço criado pelo centroavante, que puxou seu marcador. O brasileiro recebe um passe de primeira para conduzir e fica cara a cara com o goleiro.
No segundo, ajuda na pressão pós-perda do Marseille e encontra uma ótima finalização de fora da área. E na assistência para o quarto gol, acelera em um contra-ataque e recebe buscando o meio-espaço para dar um belo passe que perfura os defensores do Ajax para Aubameyang marcar.
O mesmo aconteceu na assistência para Greenwood contra o Le Havre. Apesar do grande mérito do inglês, que marcou um golaço, Igor mostrou como é crucial para os momentos em que o Marseille sai em contra-ataque ou acelera o jogo a partir de passes de ruptura: conduz com velocidade e progride a bola também com passes para frente.
“Mesmo que nem tudo esteja perfeito e ele ainda pareça ‘bagunçado demais’, seus três jogos permitiram que ele melhorasse suas estatísticas e silenciasse seus críticos. Tudo isso precisa ser confirmado contra adversários de nível mais alto”, completou Lantheaume.


