A quarta rodada da Ligue 1 foi marcada por feitos de Olympique de Marselha e Paris Saint-Germain. Enquanto o time da capital enfim conquistou sua primeira vitória na competição e conseguiu dar algum sinal de vida, o OM igualou uma marca histórica e quebrou um jejum de nada menos do que 80 anos.
Quem cobrava uma exibição de alto nível do PSG deve ter se regozijado com o desempenho da equipe contra o Lille fora de casa. Os comandados de Carlo Ancelotti nem pareciam aqueles que haviam apresentado um futebol sem imaginação no fraco empate sem gols com o Bordeaux na semana passada. Quem também já preparava as cornetas na direção de Zlatan Ibrahimovic se escondeu após a bela exibição do atacante sueco.
Diante de um adversário direto em suas pretensões de lutar pelo título, o clube da capital não se intimidou diante de um LOSC cujo conjunto esteve desconexo. O 2 a 1 foi apenas o quarto triunfo obtido pelos parisienses na casa dos Dogues. Já existem vozes anunciando que o PSG vive de uma Ibradependênca, já que o sueco foi o autor de todos os gols do time até aqui na Ligue 1. Não deixa de ser uma constatação verdadeira, mas o atacante melhora seu nível de jogo quando tem um bom apoio do meio-campo.
E foi exatamente isso o que aconteceu. Carlo Ancelotti montou um 4-4-2 com um losango um pouco diferente no setor de criação. Javier Pastore atuou como o vértice mais avançado, com Blaise Matuidi e Thiago Motta mais atrás; Marco Verratti jogou logo à frente da zaga, protegendo-a. Com o auxílio de um rápido Jérémy Ménez no ataque, Ibrahimovic sentiu-se mais à vontade e melhor municiado para concluir.
Além disso, a formação utilizada pelo PSG conseguiu ocupar muito bem os espaços deixados pelo Lille. Os donos da casa só arriscavam em chutes de longa distância ou em alguns cruzamentos, mas Mamadou Sakho, atento, cuidava para que nenhum deles levasse perigo. A saída de Verratti coincidiu com o período de maior domínio dos Dogues, mas nada que comprometesse o triunfo parisiense.
O OM transpira tranquilidade. Após se classificar para a fase de grupos da Liga Europa, o time continua sem encontrar rivais na Ligue 1. A vítima da vez foi um Rennes passivo, sobretudo no primeiro tempo, e que ofereceu pouca resistência na derrota por 3 a 1. André-Pierre Gignac mais uma vez mostrou que passou por uma metamorfose. O atacante deixou outro gol nas redes adversárias e exibiu uma mobilidade que parecia oculta em algum lugar do Vélodrome.
Os marselheses não conheciam um início de temporada tão bom desde o longínquo 1932/33. Até a sorte parece acompanhar o OM. Quando o time começava a apresentar sinais de cansaço, fruto de seu desgaste com os jogos da Liga Europa, haverá uma pausa para a disputa das Eliminatórias da Copa do Mundo-2014. Período mais do que providencial para recuperar fisicamente seus jogadores.
Já o Évian perdeu a paciência com Pablo Correa. A péssima campanha da equipe, que conquistou apenas um dos doze pontos que disputou até agora, motivou a demissão do treinador, que havia chegado ao clube há apenas seis meses. A tragédia, porém, estava anunciada desde a pré-temporada, quando teve desempenho pífio em seus amistosos.
Patrick Trotignon, presidente do Évian, havia dado um voto de confiança a Correa antes da derrota por 2 a 0 para o Ajaccio. Além da péssima apresentação do time na Córsega, o dirigente levou outro fator em conta para ser o primeiro a acionar a guilhotina nesta temporada. Em conversa com os jogadores, ele ouviu críticas ao trabalho do uruguaio, acusado de dar treinos monótonos, não realizar trabalho tático antes das partidas e praticamente não se comunicar com o grupo.
A culpa não é só dele, pois também não dá para fazer milagre com um time que se reforçou pouco (e de forma duvidosa), perdeu jogadores importantes e ainda sofre com os problemas físicos de quem poderia amenizar a situação quase caótica.
PSG se dá bem na LC; Lille e Montpellier em apuros
O sorteio dos grupos da Liga dos Campeões foi comemorado pelo Paris Saint-Germain, mas visto com temor por Lille e Montpellier. Enquanto o clube da capital caiu em uma chave bastante acessível, o campeão francês e o LOSC estão preocupados desde já com seu futuro. O destino de ambos será evitar uma esperada eliminação precoce, que comprometeria o rendimento deles no restante da temporada.
De longe, o Paris Saint-Germain terá a tarefa mais simples dos três clubes franceses envolvidos na LC. O time da capital não deve encontrar problemas para se classificar em um grupo no qual divide o favoritismo com o Porto. O Dynamo Kiev aparece com potencial para incomodar, mas não deve ser páreo para os dois. O Dynamo Zagreb entra apenas para fazer número.
De volta à LC após uma ausência de oito anos, o PSG volta a ter o Porto em seu caminho. As lembranças de 2004/05 não são das melhores, pois os parisienses foram eliminados na fase de grupos. Desta vez, porém, desenha-se um panorama bem diferente – ainda mais com a saída de Hulk dos Dragões, o que certamente reduz sua força diante de uma equipe que está começando a pegar no breu.
Cabe lembrar que o PSG corria grande risco de cair em um ‘grupo da morte’, já que fazia parte do pote 3 no sorteio. Ao escapar das potências continentais e que eram cabeças de chave, os parisienses ainda contaram com a sorte de evitar adversários complicados do pote 2, como Manchester City e Zenit St. Petersburgo – que, assim como o time da capital francesa, foram turbinados com dinheiro de poderosos investidores.
O Lille, que sofreu nos playoffs para conseguir sua passagem à fase de grupos, deve encarar mais uma pedreira. Não dá para imaginar a equipe oferecendo algum tipo de resistência diante do Bayern de Munique. O LOSC também está em um nível mais baixo do que o Valencia, com quem teoricamente teria mais chances de brigar pela segunda vaga. O BATE Borisov completa a chave sem grandes chances de lutar pelo terceiro lugar e a consequente classificação à Liga Europa.
Para o Montpellier, coube o pior desafio. Estreante na LC, o atual campeão francês já sabia das dificuldades pelas quais passaria por figurar no pote 4 para o sorteio. Ou seja: dificilmente escaparia de times tradicionais. E assim foi confirmado o destino cruel do MHSC, com Arsenal, Schalke 04 e Olympiacos. Mesmo o time grego, que em tese seria a terceira força do grupo, tem mais chances de se dar bem do que o Montpellier, fadado ao papel de mero figurante.
Lille e Montpellier ainda terão ingredientes extras para esta fase de grupos, com reencontros com ex-jogadores. No caso do LOSC, o time tentará passar por Adil Rami, que era um dos pilares de seus sistema defensivo e hoje presta seus serviços ao Valencia. O MHSC tem uma cicatriz bem mais recente e pode ser vítima de Olivier Giroud, seu principal destaque na última temporada ao ser artilheiro da Ligue 1.
Se der a lógica, o Paris Saint-Germain deve mesmo ser o único clube francês a se classificar para as oitavas de final da LC. O Lille corre por fora, com pequenas chances de sobrevivência. O Montpellier, por sua vez, deve se preparar para aproveitar ao máximo a experiência de disputar a fase de grupos da competição para amadurecer seu elenco e pensar em voltar em breve, com mais força e qualidade para incomodar.


