
Na temporada passada, o Montpellier surpreendeu a França ao tirar o título do milionário Paris Saint-Germain, e um dos heróis dessa conquista foi o zagueiro brasileiro Hilton, que aos 35 anos é uma das referências da equipe. Pouco conhecido no Brasil, ele se destacou pelo Paraná Clube na Copa João Havelange de 2000, passou pelo Servette, da Suíça, Bastia e Lens, além do Olympique de Marseille, onde também conquistou o título da Ligue 1 na temporada 2009/10.
Aos 35 anos, Hilton já vive a fase final da carreira e tem consciência disso mas diz que ainda quer jogar por algum tempo e não descarta voltar ao Brasil em 2013. Em entrevista exclusiva à Trivela, ele fala sobre a carreira, o atual momento vivido pelo Montpellier, a Liga dos Campeões e afirma que vê como positivos para a Ligue 1 os investimentos feitos pelo Paris Saint-Germain. Confira:
O Montpellier fez história ao conquistar seu primeiro título francês em 2011/12, mas não vem tendo um bom desempenho na temporada atual. Como você explica essa queda?
O time tinha uma base formada, mas sofremos com muitos jogadores lesionados nesse início de temporada, não conseguimos repetir a mesma base do ano passado uma vez sequer. Além disso perdemos o Giroud, que é um grande centroavante e faz muita falta. A motivação dos adversários também conta, pois agora eles enfrentam o campeão francês, o clube a ser batido. Mas creio que é possível reverter esse quadro com a volta dos jogadores machucados e uma sequência boa de vitórias em casa, que ainda não tivemos.
O dono do Montpellier, Louis Nicollin, é conhecido por várias atitudes extravagantes, como pintar o cabelo, e dar várias declarações controversas. Como é o relacionamento com ele no dia a dia do clube?
Ele quase não vai ao clube, já está em uma idade avançada (N.R: 69 anos). O atual presidente é o filho dele, Laurrent, e com ele é aquela coisa: quando ganha, é uma maravilha, está tudo bem, e quando perde, ele cobra forte, e sabe dar um puxão de orelhas. Ele faz tudo pelo clube e quer que a gente trabalhe bem também. E nós, jogadores, sabemos que só depende da gente para que ele esteja do nosso lado.
Além do Montpellier, você também foi campeão com o Olympique de Marseille em 2009/10. Quais as diferenças entre as duas campanhas?
O Olympique de Marseille tem uma torcida enorme e não era campeão havia 17 anos, então o título foi muito comemorado na cidade. No Montpellier, aconteceu a mesma coisa, pois foi o primeiro grande título da história do clube, conquistado em cima do Paris Saint-Germain, que montou um elenco milionário e era o grande favorito.
Pouco antes de você sair do OM para o Montpellier, sua casa foi assaltada em Marselha. Foi um episódio determinante para a sua saída?
Não. Já naquela temporada, o Didier Deschamps, hoje treinador da seleção francesa, me avisou que eu iria jogar pouco se ficasse por lá. Eu ainda tinha um ano de contrato com o Olympique de Marseille e cheguei a conversar com alguns amigos no Brasil para tentar voltar, mas a janela de transferências estava fechada. Surgiu uma proposta do Evian, e eu quase fui para lá, mas acabei optando pelo Montpellier, por ser uma cidade no sul, próxima de Marselha. Isso facilitou muito na adaptação da minha família.
Como é o comportamento da torcida do Montpellier? Eles são tão fanáticos quanto os torcedores do Olympique de Marseille?
Não. Aqui eles são bem mais calmos. A comemoração pelo título foi grande, assim como a expectativa pela disputa da Liga dos Campeões. Mas a empolgação durou só até o início do primeiro jogo. Agora, já cobram mais e esperam por uma classificação para a segunda fase.
Você falou sobre o título do Montpellier sobre o milionário PSG no ano passado. Como você vê esse investimento feito pelo time parisiense? É ruim para a Ligue 1 esse desequilíbrio?
Não é ruim para a Ligue 1, vejo como uma coisa positiva. Estou há oito anos na França e vejo que somos a quinta liga da Europa em popularidade, atrás de Inglaterra, Espanha, Itália e Alemanha. Acho que essa postura do PSG pode contribuir para que outros investidores venham para o país e reforcem clubes grandes como Lyon, Olympique de Marseille. No momento, temos muitos jogadores bem formados nas categorias de base, mas só o PSG contrata grandes nomes.
A França vai organizar a Eurocopa em 2016. Como tem sido a preparação para o torneio até agora? Falam em construir estádios, como estão fazendo aqui no Brasil para a Copa do Mundo?
Já existem bons estádios por aqui, alguns podem ser reformados, mas Lille e Valenciennes inauguraram estádios recentemente, e eles terminaram dentro do tempo estipulado (N.R: Bordeaux e Lyon também terão novos estádios). Muito da estrutura que já existe aqui será utilizada no torneio.
Antes de acertar com o Montpellier, você falou que pensou em voltar ao Brasil. Aos 35 anos, quais são seus planos para essa fase final da carreira?
Acho que, por ser zagueiro e me cuidar bem, consigo jogar em alto nível por mais dois anos. Tenho contrato até o fim desta temporada, mas se rolar alguma proposta vantajosa para mim e para o clube, podemos fazer um acordo e sair. Mas no momento estou focado em jogar a Liga dos Campeões e ajudar o Montpellier.


