Guia da Ligue 1 (III)
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Na última parte do guia, conferimos a preparação do Lille para conquistar o bicampeonato. O LOSC deve ter forte concorrência do Paris Saint-Germain, que não economizou para contratar reforços. Saint-Etienne, Sochaux, Toulouse e Valenciennes tentam um lugar ao sol.
Transferências – legendas
Definitiva (time)
Empréstimo* (time)
Retorno de empréstimo# (time)
Paris Saint-Germain
Nome: Paris Saint-Germain Football Club
Fundação: 12/agosto/1970
Site oficial: www.psg.fr
Estádio: Parc des Princes (48.712 torcedores)
Técnico: Antoine Kombouaré
Colocação em 2010/11: 4º
Competição europeia: fase preliminar da Liga Europa
Destaque: Javier Pastore
Fique de olho: Mamadou Sakho
Quem chegou: Loris Arnaud# (Angers), Milan Bisevac (Valenciennes), Nicolas Douchez (Rennes), Kévin Gameiro (Lorient), Blaise Matuidi (St-Etienne), Jérémy Ménez (Roma-ITA), Granddi Ngoyi# (Brest), Javier Pastore (Palermo-ITA), Younousse Sankharé# (Dijon), Salvatore Sirigu (Palermo-ITA), Mohamed Sissoko (Juventus)
Quem saiu: Jérémy Clément (St-Etienne), Grégory Coupet, Apoula Edel (Hapoel Tel Aviv-ISR), Ludovic Giuly (Monaco), Claude Makélélé, Florian Makhedjouf (Sedan), Tripy Makonda (Brest), Yacine Qasmi (Rennes), Kévin Rimane (Boulogne), Younousse Sankharé (Dijon), Sammy Traoré
Objetivo na temporada: título francês
O novo rico do futebol francês (e europeu) tem sua grande chance de mostrar seu poder tanto dentro como fora de campo. O Paris Saint-Germain não hesitou em gastar o dinheiro vindo do Qatar para contratar reforços de peso e montar um elenco capaz de colocar medo em qualquer um. No entanto, nem sempre torrar as economias significa a conquista de todos os títulos que estão em disputa. Os mais de € 100 milhões gastos em contratações criaram uma expectativa tão grande em torno do time da capital que tudo pode ruir em um estalo e se transformar em um retumbante fracasso. Cabe lembrar que o treinador Antoine Kombouaré, embora tenha permanecido à frente do time, já vem desgastado pelos problemas vividos na última temporada. Um início sem vitórias convincentes, algo natural para um time em formação, colocará pressão sobre ele, que será obrigado a conviver com a sombra de Leonardo.
O brasileiro, com liberdade no cargo de diretor esportivo, comandou uma renovação muito interessante no PSG. O clube gastou os tubos para se reforçar, mas trouxe nomes adequados para corrigir alguns de seus principais problemas. Se Apoula Edel não passava confiança no gol e Grégory Coupet se aposentou, eis que chegam Nicolas Douchez e Salvatore Sirigu (com a experiência de defender a seleção italiana). Para a defesa, veio Bisevac, para dar mais segurança a um setor que já contava com o ótimo Mamadou Sakho. Makélélé pendurou as chuteiras? Veio Blaise Matuidi. Para acabar com a falta de criatividade do meio-campo, o clube da capital torrou € 42 milhões em Javier Pastore, em um dos maiores golpes do mercado. Para o ataque, nada menos do que Kévin Gameiro e Jérémy Ménez, ambos em evolução e com grande potencial na seleção francesa. O dream team foi armado, mas o PSG precisa provar ser um time de qualidade não apenas no papel.
Saint Etienne
Nome: Association Sportive de Saint-Étienne Loire
Fundação: 1919
Site oficial: www.asse.fr
Estádio: Geoffroy-Guichard (35.616 torcedores)
Técnico: Christophe Galtier
Colocação em 2010/11: 10º
Competição europeia: nenhuma
Destaque: Stéphane Ruffier
Fique de olho: Faouzi Ghoulam
Quem chegou: Pierre Aubameyang* (Milan-ITA), Jérémy Clément (Paris-SG), Fabien Lemoine (Rennes), Steed Malbranque (Sunderland-ING), Jean Mignot (Auxerre), Guirane N'Daw# (Zaragoza-ESP), Paulão (Braga-POR), Stéphane Ruffier (Monaco), Florent Sinama-Pongolle* (Sporting-POR)
Quem saiu: Gonzalo Bergessio (Catania-ITA), Carlos Bocanegra (Rangers-ESC), Gelson Gelson Fernandes* (Leicester-ING), Christophe Landrin (Arles-Avignon), Boubacar Mansaly, Blaise Matuidi (Paris-SG), Kevin Mirallas (Olympiakos-GRE), Jessy Moulin* (Clermont), Dimitri Payet (Lille), Vincent Planté (Guingamp), Emmanuel Rivière (Toulouse), Sidy Sagna
Objetivo na temporada: ficar no meio da tabela
Após passar duas temporadas bastante agitadas, quando correu grande risco de ser rebaixado, o Saint-Etienne enfim conheceu dias mais calmos em 2010-11. O décimo lugar ainda deixou algumas lamentações, mas a equipe comemorou o fato de não sentir mais as chamas do inferno se aproximando. Agora, os Verdes desejam se estabilizar na primeira metade da tabela, muito embora tenham que lidar com um difícil processo de reconstrução da equipe titular. Além disso, o calendário inicial do ASSE nesta Ligue 1 não colaborou, já que o time terá alguns desafios difíceis logo de cara. Para quem procura tranquilidade, um início claudicante pode comprometer o ânimo do grupo.
O técnico Christophe Galtier traçou dois grandes objetivos para o Saint-Etienne nesta temporada: fazer a equipe oscilar menos e sofrer menos gols. Para isso, ele terá como missão remontar a equipe titular. Alguns dos principais nomes do time foram para outros cantos (Dimitri Payet está no Lille, Blaise Matuidi acertou com o Paris Saint-Germain e Emmanuel Rivière assinou com o Toulouse). Outros, como Jérémie Janot e Sylvain Monsoreau perderam a condição de intocáveis. Resta saber como Florent Sinama-Pongolle, Pierre-Emerick Aubameyang, Jérémy Clément, Stéphane Ruffier e Paulão reagirão com esta herança. Para Ruffier, a situação se mostra até mesmo desconfortável. O goleiro, ex-Monaco, chega para ocupar a vaga de Janot, ídolo da torcida. Bastará uma falha para ele sentir a pressão para o retorno do antigo dono da posição. Os Verdes entram como uma incógnita.
Sochaux
Nome: Football Club Sochaux-Montbéliard
Fundação: 1928
Site oficial: www.fcsochaux.fr
Estádio: Auguste Bonal (20.005 torcedores)
Técnico: Mécha Bazdarevic
Colocação em 2010/11: 5º
Competição europeia: fase preliminar da Liga Europa
Destaque: Marvin Martin
Fique de olho: Mathieu Peybernes
Quem chegou: Papa Camara (Etoile Lusitânia-SEN), Sébastien Corchia (Le Mans), Frédéric Duplus# (Vannes), Steven Mouyokolo* (Wolverhampton-ING), Sloan Privat# (Clermont), Sébastien Roudet (Lens)
Quem saiu: Yann Boe Kane (Vannes), Boukary Dramé, Mathieu Dreyer (Fréjus), Jacques Faty (Sivasspor-TUR), Brown Ideye (Dynamo Kiev-UCR), Maxime Josse (Litex Lovech-BUL), Nicolas Maurice-Belay (Bordeaux), Ivan Stevanovic, Vaclav Sverkos (Banik Ostrava-TCH), Badara Sène, Ibrahima Tandia (Caen), Geoffrey Tulasne
Objetivo na temporada: vaga na Liga Europa
A filosofia de jogo do Sochaux continua a mesma, apesar da saída do técnico Francis Gillot. Mécha Bazdarevic, seu substituto, tem a mesma forma de pensar que a de seu antecessor. Ou seja, prefere um estilo cadenciado, calcado na posse de bola e na troca intensa de passes. Além de agradar aos olhos, tal estratégia se mostrou muito eficiente. Os Leões agora convivem com um dilema: o clube teria elenco suficiente para suportar a divisão em duas frentes? Afinal, disputar a Liga Europa e manter a mesma qualidade na Ligue 1 costuma ser um desafio, ainda mais para um time que almeja se consolidar no primeiro terço da tabela. Como o elenco sofreu poucas modificações, tal objetivo se torna mais complicado de se alcançar.
Os torcedores ficaram aliviados com a permanência de Marvin Martin na equipe, embora o atleta tenha deixado claro sua intenção de respirar outros ares. O meia, uma das principais revelações do país na temporada anterior, tornou-se o maior garçom da última Ligue 1 com 17 assistências. Aos 23 anos, ele galgou rapidamente vários degraus e não se abalou com isso. Seus primeiros jogos com a camisa da seleção francesa não deixaram dúvidas sobre sua evolução. Cobiçado por clubes do exterior, Martin terá mais uma vez a companhia de Boudebouz, em uma dupla de respeito. Alexandre Lacombe, presidente do FCSM, disse que só deixaria o meia sair se alguém viesse com € 25 milhões. Como ninguém apareceu com este valor, a torcida agradece. Mesmo com as saídas de Ideye e Maurice-Belay, o Sochaux deve surpreender mais uma vez – isso se não for atrapalhado pelas lesões.
Toulouse
Nome: Toulouse Football Club
Fundação: 1970
Site oficial: www.tfc.info
Estádio: Municipal (35.470 torcedores)
Técnico: Alain Casanova
Colocação em 2010/11: 8º
Competição europeia: nenhuma
Destaque: Moussa Sissoko
Fique de olho: Emmanuel Rivière
Quem chegou: Aymen Abdennour (Étoile du Sahel-TUN), Ümüt Bulut (Trabzonspor-TUR), Pavle Ninkov (Estrela Vermelha-SER), Rémy Riou (Auxerre), Emmanuel Rivière (St-Etienne)
Quem saiu: Florian Aigouy (Tarbes), Mauro Cetto (Palermo-ITA), Adrian Gunino# (Danubio-URU), Sören Larsen (AGF Aarhus-DIN), Luan (Palmeiras-BRA), Fodé Mansaré, Luis Mejia* (Fênix-URU), Xavier Pentecôte (Nice), Jean Perrier-Doumbé, Federico Santander# (Guarani-PAR), Yannis Tafer# (Lyon), Matthieu Valverde
Objetivo na temporada: ficar no meio da tabela
Oitavo colocado na última Ligue 1, o Toulouse se prepara para alçar voos mais altos. A diretoria não hesitou em colocar a mão no bolso para reforçar o elenco, sobretudo no setor ofensivo. Para contratar Umüt Bulüt e Emmanuel Rivière, o TFC gastou algo em torno de € 10 milhões. Alguns jogadores em fim de contrato foram embora, com algumas perdas importantes. A aposta em promessas se verifica com a análise do grupo, com vários atletas revelados nas categorias de base dos Violetas. Sissoko, Capoue, Tabanou, M'Bengué e Congré foram bastante assediados, mas o Toulouse os convenceu a ficar. O técnico Alain Casanova pretende manter seu esquema tático e usar apenas um atacante como referência. No entanto, ele faz planos ousados para esta formação.
Santander e Tafer, usados nesta posição, retornaram para seus clubes. O jovem Rivière, vindo do Saint-Etienne, chegou lesionado (tornozelo) e perderá o início da temporada. No entanto, ele já carrega o status de titular da equipe quando se recuperar, e terá papel fundamental na conclusão das jogadas preparadas por Bulüt – um esquema parecido com o qual atuava nos Verdes. A saída do capitão Mauro Cetto teria consequências imediatas no ambiente, mas o TFC agiu rápido. Para o lugar do argentino, contratou o tunisiano Aymen Abdennour, que deixou ótima impressão nos amistosos durante a pré-temporada. No gol, Riou acabou com a desconfiança que imperava na posição havia algum tempo. Com a esperança em seus jovens, os Violetas entram cotados para fazer um bom papel no campeonato.
Valenciennes
Nome: Valenciennes Football Club
Fundação: 1913
Site oficial: www.va-fc.com/
Estádio: du Hainaut (25.000 torcedores)
Técnico: Daniel Sanchez
Colocação em 2010/11: 12º
Competição europeia: nenhuma
Destaque: Grégory Pujol
Fique de olho: Vincent Aboubakar
Quem chegou: Gil (Cruzeiro-BRA), Kenny Lala (Paris FC), Mody Traoré (Le Havre)
Quem saiu: Milan Bisevac (Paris-SG), Jonathan Lacourt, Steven Langil# (Auxerre), Nicolas Pallois* (Laval), Grégory Wimbée
Objetivo na temporada: ficar no meio da tabela
Com um elenco praticamente inalterado, o Valenciennes deseja viver uma temporada menos estressante do que a anterior. Na última edição da Ligue 1, a equipe só escapou do rebaixamento na rodada final. As principais novidades do VA para 2011/12 não se referem ao time em si. Na diretoria, Francis Decourrière deixou a presidência do clube após sete anos e foi substituído por Jean-Raymond Legrand. No banco de reservas, o treinador Philippe Montanier acertou com a Real Sociedad. Para o seu lugar, veio Daniel Sanchez, que já anunciou a manutenção do estilo ofensivo da equipe, mas com maiores cuidados defensivos. Por fim, os torcedores devem se acostumar com a casa nova. O Valenciennes se despediu do estádio Nungesser e agora se orgulham do Stade du Hainaut, novinho em folha.
O Valenciennes sofreu poucas mudanças em seu grupo. A única perda significativa foi a de Milan Bisevac, que foi para o Paris Saint-Germain. As outras baixas (Wimbée, Lacourt, Langil e Pallois) eram de jogadores que apenas compunham o grupo. O VA se reforçou com o jovem lateral direito Kenny Lala, de 19 anos. A boa notícia para a torcida foi a permanência de Grégory Pujol. Terceiro colocado na lista de artilheiros da temporada passada, com 17 gols, o atacante despertou o interesse de diversos clubes, mas o VA conseguiu mantê-lo e renovou seu contrato por duas temporadas. A estabilidade que o time tanto almeja pode, enfim, começar a sair do papel agora, já que não terá mais preocupações com investimentos nas obras do estádio. O Valenciennes tentará ser apenas um bom coadjuvante, sem correr maiores riscos durante o torneio.
Lille
Nome: LOSC Lille Métropole
Fundação: 1944
Site oficial: www.losc.fr
Estádio: Nord Lille Métropole (18.185 torcedores)
Técnico: Rudi Garcia
Colocação em 2010/11: campeão
Competição europeia: fase de grupos da Liga dos Campeões
Destaque: Moussa Sow
Fique de olho: Lucas Digne
Quem chegou: Marko Basa (Lokomotiv Moscou-RUS), Laurent Bonnart (Monaco), Vincent Enyeama (Hapoel Tel Aviv-ISR), Peter Franquart# (Charleroi-BEL), Dimitri Payet (St-Etienne), Benoît Pedretti (Auxerre), Sylvio Rodelin (Nantes), David Rozehnal (Hamburg-ALE)
Quem saiu: Pierre-Baptiste Baherlé (Boulogne), Cédric Baseya (Cherbourg), Ludovic Butelle (Arles-Avignon), Yohan Cabaye (Newcastle-ING), Stéphane Dumont (Monaco), Emerson (Benfica-POR), Nicolas Fauvergue (Sedan), Peter Franquart (Mons-BEL), Pierre-Alain Frau (Caen), Gervinho (Arsenal-ING), Emil Lyng* (Lausanne-SUI), Adil Rami (Valencia-ESP), Arnaud Souquet* (Paris FC), Jerry Vandam (Caen)
Objetivo na temporada: título francês
O atual campeão francês entra nesta temporada com a missão de manter o estilo ofensivo e eficiente demonstrado pela equipe nas últimas temporadas. Após encerrar um longo jejum, o LOSC tem o desafio de se manter no Olimpo mesmo com a perda de jogadores importantes. Além disso, a Liga dos Campeões será uma prova de maturidade para os Dogues, que se notabilizaram por grandes atuações baseadas em um elenco de operários. O treinador Rudi Garcia mantém sua filosofia de que é possível jogar bola de uma forma eficiente e conquistar bons resultados. Difícil será conseguir isso com um grupo modificado; tanto que os dirigentes permanecem com os pés no chão e pensam apenas em terminar a Ligue 1 entre os três primeiros e fazer um papel digno na Liga dos Campeões. O que vier acima disso será uma bela recompensa.
As saídas de Adil Rami e Yohan Cabaye foram, na medida do possível, bem assimiladas pela diretoria. O Lille agiu rápido para compensar estas perdas e trouxe Marko Basa e Benoît Pédretti como substitutos, mas paira um ar de desconfiança sobre os dois. No setor ofensivo, sem dúvida a transferência de Gervinho para o Arsenal foi um duro golpe. O marfinense era o grande nome nas assistências e um dos pilares do sucesso da equipe com seus dribles e eficiência na cara do gol. Para tentar compensar a saída dele, os Dogues contrataram Dimitri Payet, ex-Saint Etienne. Ao menos durante os amistosos de preparação, ele logo assumiu a condição de líder, integrou-se rapidamente à equipe e mostrou qualidades suficientes para esperar algo de bom dele.
O Lille teve o mérito de segurar duas de suas joias, apesar do constante assédio de clubes mais poderosos. Moussa Sow, artilheiro da última Ligue 1, e Éden Hazard continuam no clube, em uma garantia de que o estilo ofensivo do LOSC permanece quase intacto. Mesmo com a manutenção da maioria de suas estrelas e com reposições que parecem preencher muito bem as lacunas deixadas, ainda assim há um sério risco de os Dogues enfrentarem problemas com seu elenco curto para o tamanho do desafio que terá pela frente, em especial com a Liga dos Campeões. Pode faltar fôlego bem na hora de se definir o que o time vai querer na temporada. Se quiser sonhar com algo mais alto, o clube precisa ousar um pouco mais nas contratações.