França

Golpe da maioridade

Os girondinos deram a maior prova do nível alcançado de sua maturidade. O Bordeaux faz parte do seleto grupo dos clubes que conquistaram a classificação para as oitavas de final da Liga dos Campeões com duas rodadas de antecipação. O feito foi celebrado com um triunfo marcante: em pleno Allianz Arena, os Marine et Blanc despacharam o Bayern de Munique com um 2 a 0 redentor.

Os atuais campeões franceses já haviam merecido respeito desde o início de sua caminhada na fase de grupos. Afinal, empatar com a Juventus fora de casa foi uma demonstração da mudança de personalidade da equipe. Acostumada a ser coadjuvante até mesmo dentro da França, o Bordeaux provou ter qualidades suficientes para encarar um adversário de maior peso.

E já havia sido assim no primeiro confronto diante do Bayern, no Chaban-Delmas. O sangue frio exibido diante de um rival poderoso trouxe uma vitória por 2 a 1, que poderia até mesmo se transformar em goleada se não fossem dois pênaltis perdidos. Para quem julgava ser uma “sorte de principiante”, o Bordeaux voltou à carga na Alemanha e mostrou um futebol de quem amadureceu de forma rápida.

Méritos para Laurent Blanc, que soube forjar a equipe com a experiência adquirida na LC passada e aproveitou o sucesso na Ligue 1 para incutir no elenco o espírito da vitória. A grande arma do Bordeaux no torneio continental foi se livrar da imagem de um mero figurante para assumir a condição de um concorrente capaz de peitar equipes de maior peso na Europa, como bem sabem Bayern e Juventus – que agora correm em busca da outra vaga do grupo.

Para o Olympique de Marselha, a quarta rodada da LC representou a renovação das esperanças. A equipe voltou a vencer o Zürich, mas não foi apenas um triunfo comum. A goleada de 6 a 1 sobre a equipe suíça serve como uma bela injeção de ânimo em um momento crucial, pois o time “só” terá pela frente Milan e Real Madrid – e tentar roubar de um deles a classificação para as oitavas.

Utopia? Pode até soar como uma ilusão perdida, mas o OM também comemorou o empate por 1 a 1 entre os rossoneri e os Merengues. Os dois peso-pesados somam sete pontos, apenas um a mais do que o Olympique. Os marselheses sonham em aprontar alguma surpresa para os gigantes, assim como fez o Bordeaux. Mesmo se falhar, o time ao menos ficará com o terceiro lugar, que lhe garante uma vaguinha na Liga Europa – algo que parecia ameaçado logo nas duas primeiras rodadas.

Dérbi da motivação

O Lyon se saiu bem no primeiro da série de confrontos especiais que terá em sequência. No dérbi contra o Saint-Etienne, um ex-verde se destacou na vitória lionesa por 1 a 0. Bafétimbi Gomis foi o responsável pelo triunfo do OL, que injetou ânimo na equipe para os duelos cruciais contra Liverpool (na Liga dos Campeões) e Olympique de Marselha (um dos mais fortes concorrentes na briga pelo título da Ligue 1.

Em seu caldeirão de Geoffroy-Guichard, o Saint-Etienne deu a impressão de que enfim encerraria o jejum – desde 6 de abril de 1994, o time não vence o Lyon. Com uma forte marcação, o ASSE deixou os visitantes sem ação, embora os lioneses viessem com uma formação bastante ofensiva (um 4-3-3 com apenas Makoun como volante). Só que o esquema de Alain Pérrin logo perdeu sua funcionalidade.

Aos 16 minutos de jogo, os Verdes perderam Matuidi, seu pilar criativo no meio-campo. O treinador demorou demais para resolver a perda de qualidade ofensiva da equipe e o Lyon soube se aproveitar disso. Após os perigos causados por Bergessio no primeiro tempo, o OL cresceu na partida à medida que a energia gasta pelo ASSE nos 45 minutos iniciais cobrava seu preço.

Neste aspecto, Claude Puel foi mais esperto. O técnico lionês colocou em campo Källström e Gomis e os dois tiveram participação direta no gol da vitória. O sueco, que organizou melhor o lado esquerdo do meio-campo do OL, bateu o escanteio que o atacante, vaiado até dizer chega pela torcida local, desviou para as redes em indecisão de Janot. Uma vitória achada na parte final do jogo, mas essencial para o Lyon ganhar forças para seus próximos duelos.

Para os lioneses, o triunfo ainda trouxe a vice-liderança. No confronto entre os dois primeiros colocados até então, o Bordeaux levou a melhor sobre o Monaco por 1 a 0. Mesmo jogando fora de casa, o time do principado surpreendeu ao exercer uma forte pressão no campo dos girondinos. O ASM criou várias boas chances em lances de bola parada, o que deixou a defesa local em polvorosa.

O domínio dos monegascos durou cerca de uma hora. Embora estivesse firme em campo, o Bordeaux só saiu das cordas graças a um lance de bola parada, que definiu a magra vitória e minou a resistência do Monaco. Por um momento, parecia que a série de vitórias consecutivas dos Marine et Blanc no Chaban-Delmas (agora são 15, somadas todas as competições) se encerraria, mas eles conseguiram mais uma vez tirar proveito do único momento de distração de um adversário complicado.

A se destacar o papel de Plasil no meio-campo girondino. O ex-monegasco não aparece sob os holofotes, como Gourcuff, Cavenaghi ou Chamakh, mas o tcheco cumpre função essencial para o bom andamento do time. O volante, um dos reforços contratados para esta temporada, logo se encaixou na equipe. Com seu espírito combativo, ele esteve no centro das principais ações do Bordeaux, líder e engrenado.
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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