França

Goleada por 0 a 0

O encontro entre Olympique de Marselha e Auxerre tinha ares de “final antecipada”, esse clichê que os adoradores de mata-matas arrumaram para se conformar com a excelência dos pontos corridos. A partida entre o líder e o segundo colocado da Ligue 1 fizeram do Abbé-Deschamps o centro das atenções na rodada. Embora a partida em si não tenha sido algo lá muito agradável aos olhos dos espectadores, o OM não estava nem aí para a beleza do espetáculo. O interessante mesmo era arrancar algum ponto fora de casa para seguir seu caminho rumo ao título. E foi o que aconteceu.

O clima tenso no jogo se refletiu mais nas atitudes dos atletas do que pela criação de lances perigosos por parte das equipes. A conivência do juiz para coibir as entradas mais ríspidas foi decisiva para determinar o andamento da partida, traduzida em meia dúzia (sendo bonzinho) de chances reais de gol e um número bem maior de disputas nas quais a lealdade ficou para trás – como por exemplo na cotovelada de Brandão em Hengbart, ou na entrada criminosa de Pedretti em Valbuena.

Em um primeiro momento, o Auxerre preferiu renunciar à posse de bola para tentar chamar o Olympique de Marselha para o seu campo. Só então, tentaria o bote para armar o contra-ataque e obter uma vantagem preciosa para administrar a partida. Bom, a tática montada por Jean Fernandez foi bem aplicada pela metade. O OM realmente teve mais a bola em seu poder, mas os dois times praticamente não souberam o que fazer com ela.

Houve uma certa pressão constante dos visitantes, mas que ficou apenas na ameaça. Como o AJA fazia uma marcação eficiente, principalmente em cima de Brandão, os marselheses se resumiram a rondar a intermediária dos anfitriões. O Auxerre também pouco fez para merecer uma vitória, por não querer se arriscar tanto. O pensamento era “melhor ficar cinco pontos atrás do que tentar diminuir a vantagem, levar um gol, ficar oito pontos atrás e dar adeus às chances de título”. Uma teoria compreensível, mas bastante questionável.

No fim, os dois times pareciam satisfeitos com o resultado. O Auxerre pareceu mais preocupado em somar um ponto e renunciou ao ataque. A chance de lutar pela taça da Ligue 1 estava longe de passar pelos panos do clube, cujo interesse ficou muito claro: garantir sua vaga direta na Liga dos Campeões, em um conformismo que beirou a falta de respeito com a torcida.

Para o Olympique de Marselha, que foi ao Abbé-Deschamps com a nítida intenção de segurar um empate, o 0 a 0 foi excelente. O time mantém os cinco pontos de distância sobre o Auxerre, seu rival mais próximo, a três rodadas do término da competição. Levando-se em consideração que o AJA encara o Lyon em seu desafio seguinte, os marselheses apenas aguardam para que a taça oficialmente fique com eles – e de preferência após a partida contra o Rennes no Vélodrome.

Reação ainda que tardia

Eram seis jogos sem vitórias. A Ligue 1 havia deixado de ser a bela princesa para se transformar na bruxa horrenda depois da meia-noite para o Bordeaux. As esperanças para os girondinos, porém, foram enfim renovadas. A hemorragia foi estancada com um triunfo mínimo, um 1 a 0 sobre o Toulouse. No entanto, apesar do placar parecer pequeno, para os jogadores dos Marine et Blanc foi como se o peso de todo o planeta fosse retirado das costas deles.

No dérbi da Garonne, o Toulouse deu a impressão de que a torcida do Bordeaux teria mais alguns motivos para sofrer. Em pleno Chaban-Delmas, os Violetas criaram as primeiras chances do jogo com Gignac. Mesmo sem brilho, os donos da casa saíram na frente em uma cabeçada de Ciani após uma cobrança de escanteio. Pronto; era o necessário para a calma voltar a reinar.

Laurent Blanc sabia que sua equipe estava longe dos seus melhores dias. Com uma enfermaria praticamente lotada e alguns atletas fisicamente em frangalhos, o treinador encontrou dificuldades para montar um time minimamente competitivo. O jeito foi escalar Sané na lateral-direita, Sertic e Jussiê no meio-campo. O Toulouse também deu sua contribuição para que os Marine et Blanc ressurgissem no campeonato.

O TFC não corre risco de ser rebaixado, mas também está distante da briga por uma vaga em competições europeias. Nos seus nove últimos jogos na Ligue 1, o time comandado por Alain Casanova obteve apenas uma vitória. Difícil encontrar alguma motivação em uma reta final que se mostra longa para os jogadores, mais interessados em sair de férias do que propriamente se matar em campo por três pontos que pouco mudarão a situação do time na tabela.

Para ajudar, Casanova demorou bastante para mexer na equipe e deixá-la um tantinho mais ofensiva. O Bordeaux, por sua vez, voltou a exibir os mesmos problemas de suas partidas mais recentes: falta de criatividade em seu meio-campo, ausência de objetividade no ataque e preparação física inadequada. Sendo assim, os girondinos recorreram às jogadas de bola parada para assustar o goleiro Pelé – além do gol, Henrique quase ampliou em lance parecido.

Para os atuais campeões nacionais, o triunfo desperta aquela pequena esperança de que nem tudo está perdido nesta temporada. Há chances de classificação para a Liga dos Campeões, mas o time precisa mostrar um futebol de qualidade muito superior se quiser garantir uma vaga no torneio continental.

O Lyon vem forte para esta reta final. Na casa do Montpellier, em uma partida tensa e marcada pela falta de espaços para se criar jogadas, os lioneses arrancaram uma vitória importantíssima por 1 a 0. Tudo bem que o gol de Michel Bastos saiu em uma falha grosseira da defesa adversária e que o Montpellier está em queda livre no final da temporada, mas não dá para se negar que o resultado fortalece demais os comandados de Claude Puel.

Aliás, o treinador mais uma vez se mostrou decisivo na partida. Pouco depois do gol marcado pelo brasileiro, Puel fez duas mudanças que mudaram a cara do time. A primeira ajeitou o meio-campo, que já não tinha a mesma pegada – entrou Jean II Makoun, saiu Kim Källström. A segunda foi para dar maior peso ao ataque e manter a bola no campo ofensivo – com Bafétimbi Gomis no lugar de Sidney Govou. A briga pela terceira vaga na LC promete pegar fogo.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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