França

Goleada do PSG abafa obsessão de Ibrahimovic

O Paris Saint-Germain disse a que veio na Liga dos Campeões logo em sua estreia na fase de grupos. O atual vencedor da Ligue 1 apresentou seu cartão de visitas ao Olympiacos e, embora tenha sofrido uma pequena pressão inicial, goleou sem grande trabalho na Grécia. Apesar de um primeiro tempo claudicante, o PSG exibiu sua superioridade e mostrou como sua classificação para as oitavas de final será bem tranquila.

O Olympiacos soube aproveitar os momentos de indecisão da defesa parisiense no começo da partida. Titular, Marquinhos demorou um pouco para entrar no jogo, até por não se encontrar em suas melhores condições físicas. Enquanto o ex-corintiano tentava se entender com o parceiro de zaga Thiago Silva, o clube grego partia para cima. Weiss acertou o travessão (assim como Fuster) e teve outra chance de abrir o placar aos 12min.
Quando estava mais pressionado, o PSG conseguiu colocar a cabeça para fora d’água e foi fatal em sua investida. O toque de bola envolvente na jogada do primeiro gol, porém, foi ofuscada pelo excelente solo de Weiss para empatar pouco depois. O Olympiacos voltou para o segundo tempo com uma postura bem diferente da exibida na primeira etapa e se arrependeu de se contentar apenas com o empate.
Os donos da casa adotaram uma postura bastante defensiva. O Olympiacos ofereceu a posse de bola ao PSG e tentava se proteger dos contínuos avanços da armada parisiense. Fracassou ao falhar na marcação nas cobranças de escanteio. Em lances idênticos, Thiago Motta apareceu livre duas vezes para marcar. Marquinhos também deixou o seu, em outro córner no qual esteve solto na área.
Algum crítico mais corneta pode bradar que o PSG só ganhou por conta das jogadas de bola parada, mas este tipo de lance se tornou quase um tabu para as equipes francesas, dada a dificuldade em mandar a bola para a rede neste tipo de lance. Com 59% da posse de bola, os parisienses finalizaram 12 vezes, dez delas na direção da meta adversária. O Olympiacos também chutou 12 vezes ao gol defendido por Sirigu, mas apenas cinco bolas foram na direção correta. Eficiência letal.
O PSG apresentou dois problemas preocupantes. O primeiro já é um velho conhecido da torcida e do treinador Laurent Blanc. O lateral direito Gregory van der Wiel mais uma vez fez uma apresentação do nível Gregory van der Wiel: deixou espaços em demasia e foi péssimo no aproveitamento dos passes (63%). Dos titulares, ele foi melhor apenas do que Lucas (50%), que saiu no intervalo. O holandês errou nada menos do que dez passes curtos, sendo o pior do time neste fundamento.

O que chamou a atenção foi a atuação de Zlatan Ibrahimovic. O atacante ganhou fama (negativa) por brilhar pouco em jogos decisivos da Champions. Parecia que o sueco estava incomodado ao ver o PSG golear e ele passar em branco. Talvez isso explique a ansiedade excessiva para cobrar o pênalti sofrido por ele mesmo, em uma tentativa de resgatar seu orgulho ferido – e sabemos como seu ego o domina.

É exatamente essa obrigação quase obsessiva de nunca ficar abaixo dos companheiros de equipe que prejudica Ibrahimovic e, sobretudo, o PSG. O fato de nunca ter conquistado um título continental relevante pressiona o sueco a querer, de todas as formas, acabar com esta fama de fracassado na LC.

Só que seus interesses pessoais jamais devem ficar acima dos planos traçados pelo clube. Ibra fará muitos gols na Champions, mas poderia deixar um pouco de lado este orgulho besta e essa vontade de querer se destacar a qualquer custo. Como os parisienses provaram diante do Olympiacos, é perfeitamente possível jogar bem quando seu principal jogador não está em um de seus bons dias.

Líder e preparado

O Monaco se deu ao luxo de puxar o freio de mão contra o Lorient e, mesmo assim, venceu por 1 a 0 sem dificuldades. O time do principado lidera a Ligue 1 sem corre grandes riscos e demonstra estar pronto para seu segundo grande duelo neste início de temporada. Após bater o Olympique de Marselha por 2 a 1 em pleno Vélodrome, chegou a hora de medir forças com o Paris Saint-Germain no duelo entre os maiores favoritos ao título.

Diante dos Merlus, o Monaco fez questão de jogar apenas nos 45 minutos iniciais. À vontade na exploração das jogadas pelos flancos, o ASM implodiu o 4-4-2 dos adversários logo aos seis minutos, em pênalti convertido por Falcao Garcia. Os donos da casa tiraram o pé na segunda etapa, já que as ameaças do Lorient foram muito infrutíferas. Cansado, Falcao foi substituído e o panorama continuava igual: monegascos seguros, Merlus incapazes de levar perigo.

Neste duelo contra o Lorient, o Monaco superou o cansaço de vários de seus principais jogadores, que vieram de desgastantes partidas pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2014. Como tem uma semana inteira para descanso e trabalho, o técnico Claudio Ranieri leva vantagem para armar sua equipe para o jogo contra o PSG. Os parisienses também tiveram este desgaste de atletas a serviço de suas seleções e, para piorar, ainda acumulam o cansaço da partida (e da viagem para a Grécia) contra o Olympiacos pela Champions.

De camarote, o Saint-Étienne acompanha a briga entre os dois gigantes e espera assumir a ponta enquanto os dois favoritos arrancam sangue um do outro. A humilhante eliminação da Liga Europa para o Esbjerg já faz parte do passado e os Verdes respiram com mais tranquilidade. O triunfo por 3 a 1 sobre o Valenciennes fora de casa deixa o ASSE em excelente posição neste começo de temporada. Postado em um 4-2-3-1 mais audacioso, o Saint-Étienne se impôs com facilidade diante de um rival assustado e que amargou sua quarta derrota consecutiva.

Por falar em fracasso, o Lyon se especializou na arte de decepcionar sua torcida. Com uma sequência de quatro derrotas (levando-se em consideração todas as competições que disputa), o OL continuou seu calvário ao empatar sem gols com o Rennes. Mais do que o resultado ruim em Gerland, o time exibe uma coleção sem fim de erros técnicos e uma ineficiência ofensiva de dar pena.

Bafétimbi Gomis foi o único sopro de inspiração dos lioneses. De volta ao time após o fracasso do plano de negociá-lo na janela de transferências, o atacante ao menos tentou segurar a bola, ajudar na marcação e teve uma boa chance para marcar o gol que daria a vitória ao OL. Ele deve se acostumar a jogar praticamente sozinho no setor ofensivo lionês e não esperar grande coisa de seus companheiros.

O Rennes também está longe de engrenar. O técnico Philippe Montanier se tornou conhecido por montar times calcados em um jogo agradável de assistir, como fez em suas passagens pelo Valenciennes e pela Real Sociedad. Em Gerland, porém, o que se viu foi um Rennes acovardado, retrancado em sua defesa e incapaz de produzir algo de bom. A estratégia era rezar por uma jogada individual de Pitroipa ou Oliveira dar certo. Muito pouco para quem tem altas pretensões para a temporada.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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