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Giroud aproveitou chance que caiu do céu para igualar Thierry Henry como maior artilheiro da França

O corte de Benzema garantiu que o atacante tivesse mais espaço na Copa do Mundo do Catar - e ele correspondeu de cara com dois gols

Olivier Giroud, mesmo sem ter feito gol, foi um jogador importante no título mundial de 2018, pela sua presença de área, capacidade de prender a bola, tabelar com os companheiros e inteligência no geral. Mas Karim Benzema, que sabe fazer tudo isso e muito mais, havia retornado à seleção. Não era impossível que os dois atuassem juntos, mas era razoável imaginar que Giroud seria mais uma alternativa, como na Euro 2020. O corte do detentor da Bola de Ouro, porém, no mínimo expandiu o seu espaço e ele aproveitou para se transformar no maior artilheiro da história da França, com dois gols na vitória por 4 a 1 sobre a Austrália, igualando Thierry Henry.

A conversa sobre Giroud é sempre a mesma. Tem quem ache grosso, e ele talvez não seja mesmo o jogador mais refinado tecnicamente. Mas é um centroavante extremamente competente e ninguém defende três clubes grandes, como Arsenal, Chelsea e Milan, sem ter muita coisa para oferecer. Na temporada passada, foi responsável por gols importantes no título da Serie A, inclusive decidindo clássico contra a Internazionale. A importância na seleção francesa estava garantida com a conquista da Copa do Mundo. Agora, ela foi aprofundada pelo seu lugar na lista de artilheiros.

Giroud tem uma ótima média de gols no futebol internacional. Os seus 51 saíram em 115 jogos, desde que estreou, com Laurent Blanc, em 2011, quando ainda era atacante do Montpellier. Marcou pela primeira vez em seu terceiro jogo, fora de casa, contra a Alemanha. Em Copas do Mundo, o tento inicial saiu diante da Suíça, na Arena Fonte Nova, em Salvador. Ele também disputou as Eurocopa de 2012 e 2016 antes de ser fixado como titular na segunda rodada da fase de grupos do Mundial da Rússia para ajudar Didier Deschamps a acertar o seu time.

Em mais de 10 anos, Giroud nunca passou muito tempo longe da seleção, exceto mais recentemente. Com o retorno de Benzema, foi reserva na Euro 2020, o que pode ser um indicativo do papel que teria no Catar se o colega não tivesse sido cortado. Desde então, fez apenas quatro jogos pela França. Mas, apesar de todo o talento que tem à disposição, Deschamps não abriria mão da sua experiência e o incluiu nos 26 convocados. Até porque está bem pelo Milan, com nove gols e quatro assistências em 19 jogos.

Na escalação de Deschamps contra a Austrália, sua capacidade de conectar com os companheiros ganhou mais importância porque o meio-campo foi limitado a Adrien Rabiot e Aurélien Tchouaméni. Ele teve a companhia de Antoine Griezmann, flutuando bastante, Kylian Mbappé pela esquerda e Ousmane Dembélé pela direita. No entanto, sua função foi mais de centroavante mesmo. Estava claro que era o alvo dos passes franceses e marcou seus dois gols graças ao senso de posicionamento. Apareceu no meio da área para virar, após grande jogada de Rabiot, que desarmou na lateral, tabelou com Mbappé e cruzou para o colega de Serie A. Depois, abriu 4 a 1 com cabeçada na entrada da pequena área.

Giroud marcou seus 51 gols até mais rapidamente que Henry, que encerrou sua carreira com 123 jogos pela seleção francesa, oito a mais que o atacante do Milan tem até agora. Ele deve se isolar na artilharia, mas está ameaçado por Antoine Griezmann, cinco anos mais novo, nove gols atrás – na verdade, está ameaçado mesmo por Mbappé, que tem 28 tentos e uma carreira inteira pela frente. Mas meio que tanto faz. O fato de ter chegado lá, contra tantos questionamentos, é o bastante para marcar um lugar definitivo para ele na história da bicampeã.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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