FrançaLigue 1

Gignac 2 x 2 Ibrahimovic

Um clássico decidido por dois dos principais atacantes de suas equipes. Barcelona e Real Madrid? Nada disso; Olympique de Marselha e Paris Saint-Germain honraram as tradições e fizeram uma bela partida no Vélodrome… por 45 minutos. Se o primeiro tempo foi pleno de ações e alto nível, a etapa final foi de um marasmo bocejante. Para a torcida do PSG, o desenrolar do jogo revelou momentos de preocupação.

Se não fosse pelo carateca Ibrahimovic, o PSG teria perdido seu segundo jogo da temporada e mergulharia em depressão. Claro que o time sentiu o desgaste físico provocado pela maratona acumulada de jogos da LC, mas o OM também carregava nas costas o fardo de disputar a Liga Europa – e com um dia a menos de descanso por conta de seu jogo diante do AEL Limassol ter sido disputado na quinta.

Apagado, o PSG mais uma vez contou com o talento de Ibra para se salvar. A elasticidade e a bomba do sueco garantiam uma virada que o time da capital não merecia. Como o OM também tem um jogador em fase iluminada, não demorou para a justiça ser feita quando André-Pierre Gignac voltou a empatar o jogo. E assim se seguiu até o apito final, com o cansaço dominando as duas equipes no segundo tempo.

Dois personagens ajudam a entender bem como foi o comportamento de cada equipe durante o clássico. Do lado do PSG, Javier Pastore simbolizou a inoperância e, mais uma vez, desperdiçou uma excelente oportunidade de deixar uma boa impressão e enterrar de vez as dúvidas sobre suas condições de comandar o time em campo. Já o OM viu na figura de Gignac seu grande articulador.

Pastore ficou em campo por apenas 45 minutos. Nem mesmo Carlo Ancelotti aguentou ver a passividade do argentino durante o primeiro tempo e o acúmulo de erros cometidos por quem deveria ser o cérebro do time. O passe errado para Ibrahimovic no fim da primeira etapa, estragando um contra-ataque que seria mortal e, provavelmente, seria decisivo para a definição do resultado, traduz bem este sentimento. Ibrahimovic, que viu a bola quadrada tocada pelo meia, apenas observou com aquele olhar com adagas saindo de suas córneas.

Um lance apenas não serve para medir o talento de um jogador, há de bradar algum defensor do meia. Vamos então usar outro expediente. As estatísticas de Pastore no clássico são um desastre. Em 33 bolas recebidas, ele perdeu a posse nada menos do que 12 vezes. Seu posicionamento em campo também deixou a desejar. Esperava-se um atleta mais próximo da área, da região na qual tem seu poder de decisão ampliado. Pelo contrário: Pastore atuou mais recuado, como se estivesse acanhado com a missão incumbida a ele.

Ele mesmo já admitiu, mais de uma vez, que precisa se concentrar mais durante as partidas – inclusive, o argentino repetiu este discurso depois do clássico. Trata-se de tempo demais para quem custou € 42 milhões. Claro que a pressão que veio junto por conta desta cifra tem seu peso multiplicado por dez, mas Pastore ainda está devendo. Está mais do que na hora de deixar as desculpas de lado e assumir suas responsabilidades.

Por sua vez, Gignac engendrou uma incrível metamorfose. Achincalhado por conta de seu comportamento de garoto mimado, de seu pouco caso e até pelo desleixo com a forma física, o atacante mudou para melhor. O OM agradece a mudança e Benoît Cheyrou nem se importa de pagar a aposta feita para o clássico – se Gignac marcasse, ganharia um Big Mac por cada vez que balançasse as redes.

Em 2011/12, o clima era bem diferente. Gignac sofreu com lesões musculares recorrentes, viu sua transferência para o Fulham fracassar e acumulou discussões com o então treinador Didier Deschamps. Com os nervos à flor da pele, o atacante fez apenas um gol em 21 partidas na Ligue 1 e amargava a condição de negociável.

A transformação para 2012/13 foi algo quase mágico. Para começar, os problemas físicos desapareceram à medida que Gignac teve a chance de fazer um bom trabalho durante a pré-temporada. O primeiro gol no clássico não poderia ser feito com o Gignac de 2011/12. As entortadas em Jallet são uma prova de confiança de quem está voando em campo e não joga preocupado se vai se machucar caso faça um movimento mais brusco ou uma mudança de direção repentina.

A presença de Elie Baup no banco de reservas também foi decisiva para o salto de Gignac. Com um perfil bem menos autoritário do que Deschamps, o treinador conquistou a confiança de Gignac. Sem Loïc Rémy no começo da temporada, ele apostou no outrora rebelde e não se arrependeu. Em oito jogos na Ligue 1, Gignac finalizou 40 vezes – com uma excelente margem de 20 conclusões na direção do gol – ele é o líder absoluto neste quesito. Para comparar, Ibrahimovic chutou 28 vezes, com 13 finalizações certas.

Com os cinco gols marcados na Ligue 1 e outros três na Liga Europa, Gignac é o maior goleador francês da temporada, à frente de  Bafétimbi Gomis (5), Karim Benzema (3) e Olivier Giroud (2), de presenças constantes na seleção. Sem dúvida, o atacante foi o maior reforço para o elenco do OM nesta temporada.

Teste fracassado e uma esperança

Em seu primeiro grande teste nesta temporada, o Paris Saint-Germain falhou. O Porto dominou o duelo do início ao fim e a vitória por 1 a 0 acabou magra demais pela superioridade demonstrada pelos Dragões durante os 90 minutos. Não foi um massacre, mas sem dúvida o PSG sofreu um golpe daqueles para balançar sua busca pela legitimidade do status de equipe em busca do reconhecimento continental.

Para o jogo, Carlo Ancelotti mandou a campo seu esquema mais tradicional, mas com elementos diferentes em sua formação. Nenê e Gregory van der Wiel levaram a melhor na concorrência com Javier Pastore e Christophe Jallet. O PSG tombou do ponto de vista coletivo. O time da capital foi acuado em seu campo defensivo pelo Porto, que soube explorar muito bem os momentos de indecisão da zaga adversária.

A supremacia do Porto só não foi recompensada antes porque a pontaria de seus jogadores estava bem descalibrada. Enquanto isso, Zlatan Ibrahimovic, aniversariante do dia, sentia muitas dificuldades no ataque, já que mal via a bola chegar em boas condições para finalizar. O setor defensivo parisiense apresentou um grande desequilíbrio com a entrada de Van der Wiel, que já havia tido participações discretas contra Bastia e Sochaux.

O lateral holandês não encontrou o equilíbrio necessário para mostrar um bom futebol. Van der Wiel atuou avançado demais, mas sem que isso significasse um verdadeiro apoio ao ataque pelo lado direito. Pelo contrário: além de ser praticamente nulo nas subidas, ele deixou muito espaço às costas, plenamente aproveitados pelo Porto. Nem mesmo a entrada de Jallet corrigiu este problema.

Desde o pontapé inicial, o Porto pegou o PSG pela jugular e não mais desgrudou de lá. Além de contar com uma atuação sólida de seu meio-campo, o trio ofensivo formado por Rodriguez, Martinez e Varela deixou os laterais Maxwell e Van der Wiel exaustos de tanto correr atrás deles. Os parisienses enfrentaram uma situação que ainda não tinham vivido nesta temporada: encarar um rival que dita o ritmo do jogo. Afinal, o PSG se acostumou a fazer exatamente isso nas partidas disputadas até aqui na Ligue 1 por conta de sua superioridade técnica.

Se foi preciso em partidas anteriores, desta vez Verratti não teve a mesma eficiência no combate e na armação. Jéremy Ménez e Nenê também demoraram para encontrar seu melhor posicionamento no ataque, o que contribuiu para o isolamento de Ibrahimovic. Ficou a nítida impressão que o PSG, apesar de nomes experientes em seu elenco, ainda precisa da casca de quem apanhou muito na LC – caso mais do que perfeito do Porto.

O PSG precisa ter em mente a necessidade de trocar a chave seletora de Ligue 1 para LC com maior rapidez e eficiência. O Porto foi apenas o primeiro grande adversário que o time teve pelo caminho em seu projeto de se firmar como potência continental. Até lá, ainda vai apanhar muito – mas também deve dar suas estocadas.

Já o Montpellier salvou a honra francesa nesta segunda rodada. O atual campeão francês estava fadado a mais um fracasso quando viu o Schalke 04 fazer 2 a 1 de virada em Gelsenkirchen. Mesmo com um jogador a menos, o MHSC obteve um empate salvador, que serviu para redescobrir aquele time que surpreendeu na última temporada.

Quando fez 1 a 0 com menos de 15min de jogo, o Montpellier quase estragou tudo. Se até então o time parecia atento, o gol tornou a equipe mais vulnerável na defesa, como se a equipe tivesse se esquecido que o jogo ainda estava rolando. A virada veio naturalmente, mas René Girard teve sua sacada bestial. O treinador reposicionou Souleymane Camara no comando do ataque. Bingo. O gol no finalzinho, além das chances criadas ao longo do jogo, deixa-o em plenas condições de ocupar a vaga de Herrera.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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