França

Frustração e esperança

A França deixou uma boa impressão em sua estreia na Eurocopa-2012, mas ainda assim ficou um gosto amargo pelo empate por 1 a 1 com a Inglaterra. Pelo domínio exercido sobre o adversário, sobretudo no segundo tempo da partida realizada em Donetsk, os Bleus mereciam melhor sorte. O resultado poderia ser outro se Laurent Blanc não demorasse tanto para mexer na equipe.

Os franceses entraram em campo dispostos a apagar a péssima imagem deixada em suas últimas participações em torneios de grande porte. Na Eurocopa-08 e na Copa do Mundo-2010, os Bleus se mostraram apáticos em suas exibições. O jogo em Donetsk apresentou uma equipe bem diferente daquela que deu vexame na África do Sul diante de adversário de menor qualidade técnica.

Claro que uma claudicante Inglaterra, repleta de desfalques, tenta superar seu período de transição com o início de trabalho de Roy Hodgson. Embora seja um English Team mais enfraquecido, não se trata de uma mosca morta. Sabendo disso, a França demorou um pouco para engrenar na partida, muito por conta do calor no Donbass Arena. Só que a defesa foi mais lenta neste processo de aquecimento dentro do jogo e pagou caro por isso.

O gol de Lescott serviu para mostrar que os Bleus estão mesmo diferentes. O pânico que a desvantagem provocaria em outros tempos não existiu. Viu-se um time tranquilo, com os nervos no lugar e com a capacidade de responder à altura. Tanto que Nasri igualou dez minutos depois e seu gesto de calar a boca a um jornalista que o criticou foi quase como um grito de libertação.

O que se viu na segunda etapa foi um jogo de ataque contra defesa. Os ingleses, no melhor estilo do Chelsea contra o Barcelona, renunciaram às investidas ofensivas e se limitaram a parcos contra-ataques. Os Bleus exerceram seu domínio territorial, ocupando muito bem os espaços e trocando passes com inteligência até a intermediária. Faltava ser um pouco mais incisivo na hora de definir. Quem tinha o poder para mudar esse panorama era Blanc, mas o treinador demorou demais para perceber que ele precisava tomar alguma atitude.

As entradas de Martin e Ben Arfa eram mais do que urgentes, mas Blanc errou ao promover as alterações apenas quando faltavam cerca de dez minutos para o fim do jogo. Foi muito pouco tempo para que ambos entrassem no ritmo de jogo e pudessem mudar alguma coisa de fato. Eles deveriam ter entrado quando a pressão francesa estava em seu auge diante dos ingleses recuados e unicamente preocupados em fazer o relógio andar mais depressa.

Embora o empate tenha trazido um sentimento de frustração pelo nível do futebol apresentado, os Bleus recolhem um saldo positivo de sua estreia na Euro-12. Franck Ribéry parece se sentir bem à vontade de novo com a camisa azul e, além de suas participações decisivas na frente, também se destacou na marcação. Samir Nasri, por sua vez, exerceu com louvor seu papel na armação. Premiado com o gol e eleito melhor em campo, o meia agora precisa manter este nível e se fixar como uma opção confiável pela direita, deixando suas oscilações no passado.

Dúvida cruel

Para o jogo contra a Ucrânia, Blanc ganhou um abacaxi para resolver. Recuperado de lesão, Yann M’Vila está em condições de ir a campo, mas ele tem espaço entre os titulares? A estreia contra a Inglaterra mostrou uma equipe consistente no combate no meio-campo, e o retorno do volante poderia prejudicar o acerto de um setor que já está bem redondo.

Antes do amistoso contra a Islândia, parecia indiscutível a condição de titular de M’Vila. Parecia. A lesão no tornozelo direito lhe causou mais problemas do que apenas as dores físicas. Alou Diarra chegou de mansinho, tomou sua vaga e deixou Blanc em maus lençóis. Embora o gol da Inglaterra tenha saído em uma desatenção sua, Diarra subiu de produção durante a partida e foi um dos destaques neste primeiro jogo.

A favor de M’Vila, está o fato de seu concorrente não conseguir encaixar boas apresentações seguidas ao longo da última temporada. Sua irregularidade, que pode se agravar no forte calor ucraniano, não daria as garantias necessárias aos Bleus em uma partida crucial para suas pretensões – ainda mais quando seu próximo adversário é o dono da casa.

Se quiser uma formação mais cautelosa, Blanc pode até mesmo escalar Diarra e M’Vila juntos para conter a empolgação dos ucranianos, inflamados por sua torcida. Neste caso, Malouda dançaria, também com a justificativa de preservar suas condições físicas. Esta opção parece ser a menos interessante, já que a Ucrânia, por ter vencido a Suécia em sua estreia, pode muito bem preferir um conveniente empate.

Outra vantagem em escalar M’Vila na vaga de Diarra está em sua melhor qualidade no passe. Para quem precisa ser mais incisivo no ataque (como ficou comprovado contra os ingleses), o jogador do Rennes se encaixa perfeitamente neste papel de homem-surpresa. Vale lembrar que o plano inicial de Blanc era montar a equipe com M’Vila e Cabaye desde o início.

Contudo, Blanc deu a entender que só mexerá no time em caso excepcional. M’Vila está recuperado, mas seria um pouco arriscado colocar um atleta cujo ritmo de jogo ainda está um pouco abaixo dos seus companheiros. Pela prudência, o mais recomendado seria deixar o volante no banco e deixá-lo jogar alguns bons minutos durante o segundo tempo, conforme o desenrolar da partida.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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