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França: Uma candidata muito mais forte do que parece

Onde vai se dar bem

A França conta uma equipe bastante homogênea, com nomes confiáveis em todas as posições. Ainda assim, o trio de volantes faz o meio-campo se sobressai. Paul Pogba, Blaise Matuidi e Yohan Cabaye se completam muito bem no setor. Possuem grande poder de marcação, potência física, ótima ocupação de espaços, qualidade nos passes e talento para chegar ao ataque. O coração pulsante dos Bleus, que garante o equilíbrio e a capacidade técnica ao time, tornando também os chutes de fora da área e o elemento-surpresa nas subidas à área armas também perigosas. O trio complementa também o forte ataque, liderado pelo faro de gol de Karim Benzema, que deverá contar com Mathieu Valbuena e Antoine Griezmann pelas pontas – uma dupla que proporciona profundidade e velocidade à equipe.

Onde vai se dar mal

O miolo de zaga da França conta com bons nomes, mas falta sequência para transmitir um pouco mais de confiança. Mamadou Sakho e Raphael Varane, a princípio, serão os titulares, mas não possuem sequência tão grande na temporada. Poucos meses antes, Laurent Koscielny e Eric Abidal (que sequer foi convocado) também já ocuparam o setor, demonstrando que a rotatividade é grande. E ainda há Eliaquim Mangala pedindo passagem. Por sorte, os Bleus contam com Hugo Lloris, capitão do time e forte candidato a ser um dos melhores goleiros da Copa. Já mais à frente, a perda de Ribéry é contornável do ponto de vista tático, mas pode ser sentida quando a França precisar de um jogador experiente para chamar a responsabilidade. Além disso, sua ausência pode ter algum impacto na confiança do grupo.

Quem pode desequilibrar

Paul Pogba é um volante espetacular. Marca e sai para o jogo, é um dos pilares da Juventus tricampeã italiana. Essa será sua primeira oportunidade de brilhar em uma Copa do Mundo, e ao menos para o prêmio de revelação do campeonato (podem ser eleitos apenas os garotos nascidos até 1993) ele já é forte candidato. Mesmo com poucas partidas pelos Bleus, o meio-campista já se consolidou na equipe. Por sua qualidade técnica e visão de jogo, serve como um maestro que chega de trás, ajudando os pontas, potenciais garçons do time. Campeão mundial sub-20 em 2013, Pogba possui uma chance que nem Messi teve: se tornar protagonista em uma Copa do Mundo um ano depois de ser eleito o melhor entre os juniores. Sentir o peso da responsabilidade não é um peso para ele.

A carta na manga

Antoine Griezmann foi testado pela primeira vez na seleção principal apenas no final de 2013. E vestiu a camisa azul como poucos nos últimos tempos. O jogador de 23 anos parece um veterano pela forma como se porta a serviço dos Bleus, sempre bem quando entra em campo. Por isso, é apontado como um dos principais responsáveis por Didier Deschamps se esquecer de Samir Nasri. Com a lesão de Franck Ribéry, é um dos mais cotados para assumir a posição do craque do time, na ponta esquerda. Mesmo sem o impacto do craque do Bayern de Munique, o jogador da Real Sociedad tem talento e ousadia para segurar a onda.

Até onde deve chegar

A França tem recebido bem menos atenção do que deveria. É certo que a campanha nas Eliminatórias esteve longe de ser brilhante, mas o choque de realidade proporcionado pela ida para a repescagem, sobretudo após a derrota em Kiev para a Ucrânia, fizeram os Bleus acordarem. A equipe parece unida e foi abraçada pela torcida francesa. Se o elenco se mantiver longe das polêmicas extracampo, que costumam fazer o ambiente desmoronar quase sempre, o time tem cancha para ir longe. Passar da primeira fase é obrigação e, se não fizer bobagem e terminar em primeiro lugar no grupo, o mesmo vale para as oitavas. O sorteio foi camarada, que projeta um confronto realmente complicado apenas para as quartas de final, contra a Alemanha. A partir daí, não se pode exigir nada dos Bleus, ainda que superar os alemães seja algo bastante viável.

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Foto de Ubiratan Leal

Ubiratan Leal

Ubiratan Leal formou-se em jornalismo na PUC-SP. Está na Trivela desde 2005, passando por reportagem e edição em site e revista, pelas colunas de América Latina, Espanha, Brasil e Inglaterra. Atualmente, comenta futebol e beisebol na ESPN e é comandante-em-chefe do site Balipodo.com.br. Cria teorias complexas para tudo (até como ajeitar a feijoada no prato) é mais que lazer, é quase obsessão. Azar dos outros, que precisam aguentar e, agora, dos leitores da Trivela, que terão de lê-las.

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