França

França perde talento para a Euro sem Benzema, mas evita o seu maior trauma nos últimos anos

Inegavelmente, Karim Benzema está entre os melhores centroavantes da atualidade. E não apenas por seus números. A mobilidade e a participação do francês na construção das jogadas agregam muito ao Real Madrid, assim como a sua qualidade técnica. Não à toa, se mantém intocável no clube há quase sete anos. Na seleção francesa, o camisa 9 também despontou como um dos líderes na boa campanha na Copa do Mundo. Mas, restando dois meses da Eurocopa, ele acabou dispensado pela federação. Uma decisão que, apesar de toda a capacidade do artilheiro, faz sentido na preparação de um dos favoritos ao título continental.

A posição oficial da FFF se dá após o imbróglio entre Benzema e Valbuena. O centroavante teria tentado extorquir o companheiro de seleção, em caso não esclarecido. De qualquer forma, mesmo com o processo tramitando na justiça, o técnico Didier Deschamps e o presidente Noël Le Graët tomaram a decisão de “preservar a unidade do grupo de jogadores”, ressaltando que o “desempenho esportivo é importante, mas não o único critério para decidir as convocações da seleção francesa”. A união do grupo tem sido um dos trunfos do treinador na ascensão do time, especialmente desde a classificação na repescagem do Mundial de 2014.

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Por sua qualidade técnica, Benzema não tem substituto à altura, sem ninguém que some os seus predicados, mas há opções interessantes para ocupar o seu espaço. Caso Deschamps prefira um centroavante um pouco mais fixo, André-Pierre Gignac e Olivier Giroud estão um passo à frente. E o camisa 10 do Tigres, embora em uma liga de nível técnico mais baixo, se apresenta melhor fase. Nos amistosos de março, o treinador deu uma chance entre os titulares a cada um dos homens de área, com um gol de Giroud diante da Holanda e um de Gignac contra a Rússia.

Além disso, há outras alternativas para manter a mobilidade na linha ofensiva. Anthony Martial pode não ter experiência o suficiente, mas é o favorito nesta escolha tática. Antoine Griezmann, por mais que costumeiramente atue nas pontas pela seleção, também pode ser deslocado para o centro do ataque. E, entre as possibilidades, ainda há Alexandre Lacazette, que não é convocado desde outubro, lidando com as lesões e a queda de desempenho no Lyon. De qualquer maneira, permanece como um nome confiável.

A opção de Deschamps, no entanto, é pela dor de cabeça menor. Esportivamente, os Bleus possuem qualidade para se resolver. O problema está exatamente nos conflitos de vestiários que costumam minar a seleção francesa volta e meia. Um trauma que certamente pesou às vésperas da Eurocopa. Mais recentemente, os problemas marcantes aconteceram na Copa de 2010 e na Euro 2012, quando os rachas no grupo e as farpas trocadas com a imprensa implodiram a equipe dentro de campo. Explicam bastante as fracas campanhas feitas pelo país, especialmente quando contavam com jogadores para ir além. Por isso mesmo, há certo receio com Hatem Ben Arfa, apesar de sua excelente fase com o Nice. O atacante era parte das “laranjas podres” há quatro anos.

Nesta linha, faz todo sentido prescindir de Benzema. Até porque o caso pode voltar à imprensa e atrapalhar o elenco às vésperas da Euro, ou mesmo durante a competição. E, mesmo sem ser descartado pela federação, Valbuena (em declínio técnico, além de tudo) também pode ser limado da lista final. Perda de dois nomes tarimbados que pode abrir as portas para a volta de outro velho conhecido dos Bleus: nos últimos dias, Franck Ribéry conversou com Deschamps sobre sua ideia de rever a aposentadoria da equipe nacional. Um craque que, embora o histórico de confusões também pese contra, tem se comportado bem melhor nos últimos anos e pode ser o diferencial individual que se perde sem Benzema.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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