Eliminatórias da CopaFrança

França está quase pronta para a repescagem

Vencer a Finlândia por 3 a 0 foi insuficiente para dar à França a vaga direta para a Copa do Mundo-2014. Pior do que ver a Espanha terminar na liderança do grupo foi a constatação de que os Bleus não são cabeças de chave no sorteio da repescagem. Em outras palavras, a equipe comandada por Didier Deschamps tem pela frente apenas pedreiras se quiser confirmar sua presença no Mundial no Brasil. Para a repescagem, o técnico tem uma equipe praticamente definida. Suas dúvidas estão no ataque.

Desde já, a França deseja evitar o duelo contra Portugal e Cristiano Ronaldo. Só que Ucrânia, Croácia e Grécia também são adversários complicados. Mesmo com as boas exibições diante de Austrália e Finlândia, a França tem o que temer, embora os jogadores tenham adotado um discurso confiante de que tudo vai dar certo. A parte tática funciona bem, Ribéry tem roubado a cena, mas há motivos para grandes preocupações.

Deschamps ao menos tem a certeza de que seu time está praticamente pronto para as duas batalhas decisivas. As últimas partidas dos Bleus validaram a escolha do treinador pelo esquema 4-2-3-1. Para os duelos de novembro, o técnico já tem em mente sua equipe do ponto de vista defensivo. No ataque, a única certeza é a presença de Ribéry, cada vez mais indispensável para a criação e conclusão das jogadas ofensivas.

A dupla de zaga formada por Abidal e Koscielny ganhou a confiança de DD, muito embora eles não tenham brilhado contra a Finlândia. As laterais também estão definidas. Débuchy e Evra atenderam ao pedido do treinador e participaram com mais afinco da armação. O primeiro aproveitou muito bem o espaço deixado pelo lesionado Sagna com o gol marcado na Austrália e uma assistência diante da Finlândia. Evra, por sua vez, teve atuações seguras e está um passo à frente do seu concorrente Clichy.

À frente da zaga, Matuidi se tornou intocável no meio-campo. Pogba deu a volta por cima após sua péssima exibição diante de Belarus e convenceu com seus avanços seguros no apoio. Mais à frente, Ribéry vive fase exuberante e tem sido a principal arma ofensiva dos Bleus. Não apenas pelo golaço contra a Finlândia, mas por sua redenção após o fiasco de Knysna na Copa do Mundo-2010.

As interrogações começam a aparecer para Deschamps com relação aos demais postos ofensivos. A primeira se refere à dupla Valbuena e Nasri. Contra a Finlândia, o primeiro atuou da forma como mais gosta: como um verdadeiro meia, centralizado, pronto para pensar o jogo. No entanto, ele se sentiu sem referência por conta do posicionamento de Nasri, atuante pela direita. Discreto, Valbuena passou longe dos seus melhores dias e faz Deschamps repensar o quebra-cabeça.

O treinador também ganhou uma dúvida para definir o centroavante da equipe. Após um jejum de 1222 minutos, Benzema enfim balançou as redes pelos Bleus na goleada de 6 a 0 sobre a Austrália. Repetiu a dose contra a Finlândia e agora ganha força na disputa com Giroud, titular e de certa forma dono da vaga por conta da má fase do concorrente direto. O atacante do Real Madrid tem personalidade suficiente para chamar a responsabilidade em um momento tão decisivo para a seleção ou se esconderá como nas oportunidades anteriores? Um dilema daqueles para Deschamps resolver.

Ribéry e o resgate do orgulho francês

A seleção francesa se tornou dependente de Ribéry, disso não resta dúvida. E não são só seus gols, dribles, assistências e arranques que o tornam uma peça fundamental para os Bleus. O meia-atacante do Bayern de Munique carrega nos ombros a missão de mudar a imagem da equipe com a torcida, extremamente desconfiada e, principalmente, ferida por conta dos tristes acontecimentos ocorridos durante o Mundial-2010.

Para se ter uma ideia de como os franceses ainda não perdoaram a seleção por conta de tudo o que aconteceu na África do Sul, o jornal Le Parisien encomendou uma pesquisa para avaliar a imagem da seleção. O resultado, divulgado antes do amistoso contra a Austrália, foi catastrófico: 82% dos franceses têm uma visão negativa dos Bleus. Outros nomes mostram como a equipe se tornou bastante impopular.

Para 85% dos entrevistados, os Bleus não são simpáticos; 86% acham que os jogadores ganham um salário elevado demais; 84% os acham individualistas; 73% os consideram grosseiros; e 67% disseram que eles não têm talento. A força dos eventos ocorridos em Knysna, sobretudo o caso da greve, neste imaginário negativo se comprova por outro dado: 76% das pessoas consultadas afirmam que, quando ouvem falar na seleção francesa, imediatamente a associa ao episódio do ônibus na concentração.

Nem mesmo a chegada de Deschamps, com a adoção de medidas disciplinares mais rígidas, serviu para melhorar a imagem dos Bleus perante a opinião pública. O fracasso na Euro-12 e a reação negativa de Nasri e Ménez reforçaram a ideia de que esta geração de jogadores nunca se arrependeria de suas atitudes. Para 54% dos entrevistados, a França não se classifica para a Copa, em um retrato fiel do pessimismo do torcedor.

Com tantos dados em mãos, voltemos a Ribéry. Com tanta desconfiança em torno da seleção, suas grandes atuações têm grande peso em trazer o torcedor de novo para o lado dos Bleus. Sua trajetória redentora após os tristes episódios de Knysna devem servir como um exemplo de que sim, é possível tirar preciosas lições dos últimos vexames e resgatar o orgulho ferido e a cumplicidade com o torcedor.

A imagem de um Ribéry extasiado por seu golaço diante da Finlândia demonstra muito mais do que a felicidade por uma bela jogada. Simboliza a reaproximação dos Bleus com uma torcida machucada e que espera se ver representada naquele uniforme clássico em azul-escuro (sem ser aquele tom claro que não diz coisa alguma), branco e vermelho. Reavivar o orgulho pela seleção francesa passa, sem sombra de dúvida, por Ribéry.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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