França aperta segurança nos estádios, mas tenta parecer natural
A vida continua, Paris continua, mas é impossível fingir que o terrorismo não é uma ameaça. A capital francesa foi alvo de um atentado que matou 130 pessoas em novembro de 2015 e receberá a Eurocopa em junho deste ano. Óbvio que há uma preocupação sobre a segurança do evento, ainda mais considerando que um amistoso entre França e Alemanha foi um dos alvos há seis meses e que Bruxelas foi recentemente atacada pelo mesmo núcleo que atingiu a capital francesa.
A reportagem da Trivela esteve em dois grandes eventos esportivos realizados em Paris na última semana: uma partida entre Paris Saint-Germain e Nice no estádio Parc des Princes e a maratona da cidade. Nos dois casos, foi possível perceber como a segurança está reforçada, mas tentando dar uma sensação de que as coisas não mudaram tanto. Como assim?
VEJA TAMBÉM: Uefa descarta portões fechados na Eurocopa, mas a preocupação com terrorismo é inegável
Não há um ambiente ostensivamente policiado ou militarizado. Não se vê equipamentos pesados, como grandes veículos ou mesmo muitos agentes a cavalo. Também não há uma tropa de choque e os poucos policiais e seguranças que se vê tentam agir com naturalidade, sem atitude intimidadora como é tão comum em jogos de futebol no Brasil.
Em um primeiro momento, até pode parecer que não há nada diferente. Mas, aos poucos, isso ia se revelando. No PSG x Nice, disputado no último sábado (dia 2), os acessos ao Parc des Princes tinham circulação fechada e agentes faziam questão de mostrar que tinham armas pesadas. Ainda que mantivessem a atitude “natural”, se mostravam pronto para uma ação agressiva a qualquer momento.
O segundo ponto de segurança estavam a cerca de 150 metros do estádio, onde era realizada a primeira triagem. Os seguranças conferiam os ingressos e só deixavam passar quem já tinha garantido sua entrada para o jogo. Mais perto do estádio, a checagem final, com revista bastante detalhada (sobretudo nos casacos) e nova conferência dos ingressos.
VEJA TAMBÉM: Molenbeek, o bairro belga que virou sinônimo de terrorismo, mas também é fértil ao futebol
Para o padrão francês, ainda mais em um jogo de risco baixo de violência de ultras, é um nível de cuidado acima do normal. Mas as autoridades também pareciam fazer questão de tratar tudo com alguma suavidade, como se a ideia fosse mostrar que o policiamento está mais intenso, mas sem que isso soe a excesso de vigilância sobre as pessoas.
Um sinal disso era que, dentro do Parc des Princes, havia uma espécie de chapelaria, um local para torcedores guardarem mochilas e capacetes. Algo que soa estranho quando se pensa em atentados terroristas, mas que faz sentido se considerar que as autoridades confiam no esquema em torno do estádio e querem impactar o mínimo possível as pessoas dentro dele.
[galeria_embeded]
Na Maratona de Paris, realizada no dia seguinte, o princípio parecia o mesmo. Não havia checagem sobre as pessoas que resolvessem acompanhar a prova pelas ruas da capital francesa, mas policiais exibindo suas armas circulavam a todo momento, sobretudo nas áreas mais delicadas (a linha de largada e de chegada).
Para a Eurocopa, provavelmente será feito algum esquema mais forte. O fluxo de turistas será muito maior, assim como o potencial midiático de um eventual ataque terrorista. Mas parece que a ideia dos franceses não é criar um clima de intimidação e medo sobre os torcedores. Não tem sido assim até agora.