A rotina de Florian Thauvin no Lille aos poucos se torna uma dor de cabeça para os dirigentes do clube. Valorizado após a conquista do título mundial sub-20 pela seleção francesa, o meia-atacante está no meio de um dilema para os Dogues. O LOSC deseja manter o jogador a qualquer custo, resistindo ao intenso assédio do Olympique de Marseille. No entanto, as seguidas recusas têm irritado o jovem atleta.
No alto de seus 20 anos, Thauvin não compreende os motivos pelos quais o Lille não o libera para vestir a camisa do Olympique de Marseille. O OM fez uma proposta de € 8 milhões, com um bônus de € 2 milhões por objetivos alcançados, para convencer a diretoria do Lille a fechar o negócio. Os dirigentes dos Dogues, porém, fecharam as portas mais uma vez, bateram no peito e disseram que seu promissor jogador continua no elenco.
Em janeiro, o Lille pagou € 3,5 milhões ao Bastia para contratar o jovem e o emprestou ao clube da Córsega por seis meses. A primeira oferta do Olympique de Marseille, feita em junho, era de € 5,5 milhões. Com a nova proposta, Thauvin já estaria valendo quase três vezes mais do que a quantia paga pelo LOSC ao Bastia. Seria um excelente negócio para um clube que se notabilizou nos últimos tempos por se desfazer de seus principais nomes para fazer caixa – ainda mais em uma temporada sem os milhões de euros que uma participação na Liga dos Campeões proporciona.
Só que as coisas não funcionam bem assim no Lille. Claro que o clube precisa de dinheiro, mas seus dirigentes têm consciência de que Thauvin vale bem mais do que o OM já ofereceu. Além do mais, o meia-atacante tem alto potencial de recolocar o time em um bom patamar. Basta ver suas estatísticas no Bastia na última temporada: titular em 25 jogos, ele marcou dez gols, com um aproveitamento de quase 50% em suas finalizações.
Thauvin ainda nem disputou um jogo oficial pelo Lille e leva a diretoria a sonhar com valores bem mais altos em um futuro próximo. A aposta em mantê-lo no elenco pode fazer o LOSC faturar algo em torno de € 50 milhões nas próximas duas temporadas, se juntarmos a valorização natural do jogador, os prêmios por boas colocações na Ligue 1 e, claro, a presença na Liga dos Campeões. Uma conta simples, que mostra o tamanho do erro econômico que seria deixá-lo partir a preço de banana.
O discurso parece perfeito para mostrar que a permanência de Thauvin é o melhor para as duas partes, mas o jogador não pensa assim. O meia-atacante está cada vez mais irritado com os ‘nãos’ dados ao OM e resolveu enfrentar a situação como uma guerra. Na cabeça dele, o Lille age como um carrasco ao ignorar alguém que demonstre tanto afinco para contratá-lo. A tática usada pelo jovem atleta se assemelha à dos adolescentes que querem chamar a atenção dos seus pais: fugir de casa – no caso, sumir do clube.
Aos 20 anos, partir para a briga com o Lille se mostra uma atitude impensada e irresponsável por parte de Thauvin. O gesto do meia-atacante tem grandes chances de ser mal visto por grandes clubes europeus, que certamente monitoram cada passo dele para apresentar propostas futuras. Mesmo que consiga deixar os Dogues e faça suas vontades, o jovem ficará com a péssima imagem de alguém que força a barra, não honra suas obrigações e sem qualquer comprometimento.
Caso queira manter a aura de promessa, Thauvin deve continuar no Lille e de bico fechado, até para amadurecer seu comportamento. Do contrário, ele se tornará apenas mais um jogador que pintou como revelação, mas se perdeu pelo caminho e desperdiçou uma chance preciosa de construir uma carreira sólida.
Enfim, a primeira vitória
Após empates frustrantes contra Montpellier e Ajaccio, o Paris Saint-Germain finalmente venceu sua primeira partida nesta edição da Ligue 1. O triunfo por 2 a 1 sobre o Nantes fora de casa, porém, esteve longe de convencer a torcida de que o time engrenou. Diante de um adversário limitado, o PSG correu riscos desnecessários e voltou a apresentar os problemas vistos nas rodadas iniciais.
Tudo parece indicar que dois PSGs coabitam a equipe. O primeiro conta com jogadores pautados pela abnegação, esforço e que se esmerilham para corrigir os erros dos companheiros. Ibrahimovic, Cavani, Sirigu, Verratti e Thiago Silva se encaixam nesta definição, pois se desdobram em campo para compensar a apatia e salvar a pele de quem ainda não encontrou seu ritmo ideal.
No PSG adormecido, estão Pastore, Lucas, Van der Wiel e Jallet. O meia argentino irrita por sua discrição em uma função crucial para o bom desempenho do time. O brasileiro, como já foi falado neste espaço, está perdido em campo e sem saber o que fazer com e sem a bola. A lentidão e seus problemas de leitura do jogo o fazem perder cada vez mais espaço no time. O lateral holandês paga por sua timidez e drena as chances ofensivas do PSG pelo flanco direito. A alternativa seria Jallet, mas as falhas na cobertura vistas no jogo contra o Ajaccio deixam uma grande interrogação para Laurent Blanc neste setor.
Para tentar remediar os problemas deste PSG em duas velocidades, Blanc optou por trocar o 4-4-2 por um 4-3-3 diante do Nantes. Para o duelo contra os Canários, o treinador preferiu montar uma linha ofensiva com Cavani e Lavezzi pelas pontas no apoio a Ibrahimovic. O trio tem apresentado um elevado nível de jogo e entrosamento, mas certamente teria um rendimento melhor se contasse com alguém com inspiração maior do que Pastore.
A superioridade do PSG durou cerca de meia hora. O Nantes conseguiu se equilibrar em campo e passou a apertar o rival, explorando a fragilidade defensiva de Van der Wiel. Sirigu multiplicava seus milagres quando Blanc resolveu mexer no time e voltar ao seu 4-4-2 preferido. A entrada de Lucas no lugar de Pastore, porém, foi pouco efetiva. Embora tenha melhorado um pouco e retomado as rédeas, o PSG logo caiu na mesmice.
Blanc voltou ao 4-3-3 inicial quando colocou Rabiot na vaga de Lavezzi. O PSG suportou a pressão do Nantes para assegurar a vitória, mas as incertezas continuam. O treinador também tem participação neste momento de indefinição da equipe da capital, pois está demorando para encontrar um padrão de jogo e definir um esquema tático que lhe permita controlar uma partida sem sofrer tantos sustos como se viu diante dos Canários.


