França

Fim de ano animado

O Montpellier vivia seu conto de fadas com a liderança isolada da Ligue 1, mas foi necessário um duro golpe para recolocar o time em sua realidade. Quando se pensava que o MHSC resistiria bravamente às investidas dos grandes, eis que o Valenciennes surgiu em seu caminho. O VA, que luta para se distanciar da zona de rebaixamento, aproveitou a visita do líder para vencê-lo por 1 a 0, ganhar forças em seu objetivo primordial e, além de tudo, permitiu o acirramento da disputa pela ponta do campeonato.

Até então, apenas Lyon e Paris Saint-Germain foram capazes de derrubar o Montpellier. A constatação de que o MHSC ligou o sinal de alerta foi dada pelo artilheiro Olivier Giroud, que desta vez passou em branco e, como toda a equipe, pouco fez em campo. A quebra da invencibilidade do líder, que já durava oito partidas, revelou um time irreconhecível diante de um adversário sempre superior tecnicamente, apesar das ausências de alguns de seus principais jogadores.

Se Giroud ficou isolado na frente e teve raras chances para marcar, muito se deve à péssima atuação do meio-campo do Montpellier. O treinador René Girard percebeu que Younes Belhanda e Joris Marveaux eram apenas figuras decorativas em campo e acertou ao substituí-los, mas de nada adiantaram as mudanças. O Montpellier continuou adormecido, o que deixa margem para a velha pergunta pessimista: a magia acabou?

O Paris Saint-Germain, que nada tem a ver com a apresentação sofrível do líder, aproveitou o tropeço do Montpellier para alcançá-lo no topo. O triunfo por 1 a 0 sobre o Sochaux serviu para o time da capital curar suas feridas causadas pelo ambiente tenso dos últimos dias. A imagem de um Pastore bem mais participativo deixa os torcedores aliviados, ainda mais após as duras palavras proferidas pelo meia argentino e já abordadas aqui nesta coluna.

Ao contrário da trabalhosa vitória por 3 a 2 sobre o Auxerre na rodada passada, o PSG exibiu um futebol eficiente. O time pegou o Sochaux pela garganta. Sem muitas alternativas, os Leões só ameaçavam quando a defesa parisiense cometia alguma falha. Para piorar sua situação, os donos da casa perderam seu principal articulador logo no começo do segundo tempo. A lesão de Marvin Martin tirou qualquer esperança de reação dos anfitriões.

Com a vitória por 2 a 0 sobre o Dijon, o Lille completou 15 partidas sem derrotas na Ligue 1, um recorde para a equipe. O atual campeão do torneio mostrou que está em ascensão, consolidando-se no pódio e com forças para lutar com todas as forças pelo topo da tabela. Trata-se de uma marca de extrema importância para dar aquela motivação extra logo antes de um duelo decisivo contra o Paris Saint-Germain.

Para o LOSC, derrotar o Dijon teve sabor especial. A equipe mostrou-se recuperada após ficar em último em seu grupo na Liga dos Campeões – ou seja, o time só terá chances de participar de uma competição europeia na próxima temporada. A reação dos Dogues foi vista logo de cara, com uma forte pressão sobre os rivais. O Lille sofreu com alguns contra-ataques, mas provou que já se recuperou rapidamente de seu fracasso continental e agora concentra todas as suas forças para voltar à LC com a lição aprendida.

De olho no futuro

A indústria de boatos Paris Saint-Germain Ltda. continua seu funcionamento a pleno vapor. Depois de David Beckham tomar conta do noticiário, agora é a vez de Carlos Tevez se tornar a bola da vez no clube parisiense. Segundo diversas fontes, o atacante argentino poderia muito bem trocar o Manchester City pelo PSG, estragando o namoro com o Milan – que sinalizou com uma proposta de empréstimo pelo jogador.

De acordo com o tabloide Daily Mail e a RMC, o Manchester City já teria até entrado em acordo com o PSG pela transferência de Tevez. O clube inglês teria aceitado a oferta de € 27 milhões feita pelos parisienses e o caminho do argentino já estaria definido a partir de janeiro. Assim que a informação surgiu na imprensa, os Citizens trataram rapidamente de vira a público e desmenti-la.

Pessoas próximas a Tevez também juram que o PSG nunca teve qualquer contato com o atacante sobre uma possível negociação. A conversa, porém, ocorreu sim, e bem longe da Europa. Os mandatários Mansour Bin Zayed (Manchester City) e Tamim Al Thani (PSG) (que são primos) se encontraram em Doha (capital do Qatar) e, entre um assunto e outro, falaram do problemático atacante, que não faz parte dos planos do treinador Roberto Mancini. Nada muito profundo, mas apenas uma sondagem inicial.

Caso o PSG atravesse o Milan e realmente intensifique seu assédio a Tevez, um personagem sairá desgastado nesta história. Leonardo, diretor esportivo do clube parisiense, tem estreita ligação com a equipe italiana. Um chapéu francês abalaria a relação de confiança entre o brasileiro, que já defendeu os rossoneri como jogador, treinador e dirigente, e o Milan. Contudo, algo mais próximo da realidade preocupa o futuro da equipe a curto prazo.

Antoine Kombouaré não goza de muito prestígio dentro do PSG há tempos. O duelo contra o Athletic Bilbao pela Liga Europa será decisivo para definir sua permanência no cargo. A eliminação precoce do torneio continental deverá lhe custar a cabeça, já que a diretoria acha que o time galáctico montado para esta temporada poderia render bem mais do que aquilo demonstrado em campo. Como sempre, a corda romperia para o lado do técnico.

Como se já não houvesse pressão suficiente, a imprensa ajuda o processo de fritura de Kombouaré ao alimentar a boataria. Os candidatos à sucessão do treinador se multiplicaram nos últimos dias. Carlo Ancelotti e Rafa Benitez pintaram como possíveis candidatos. Agora, o nome de Frank Rijkaard ganha força e desponta como grande favorito.

Leonardo já o teria sondado para saber se aceitaria se dividir entre o PSG e o comando da seleção da Arábia Saudita, seu atual cargo. Rijkaard agrada à diretoria do clube da capital, pois seus títulos à frente do Barcelona lhe dão as credenciais procuradas pelo QSI para oferecer à equipe um status internacional. O fim de ano promete ser quente no Parc des Princes com um prato bastante conhecido em sua ceia: batata assada.

Um passo por vez

Poderia ser muito pior. Afinal, a França estava no pote 4 e não tinha como escapar de pegar adversários complicados na fase de grupos da Eurocopa-2012. No entanto, o sorteio das chaves reservou aos Bleus alguns rivais perigosos, mas menos mortais do que pareciam. Inglaterra, Ucrânia e Suécia estão longe de dar moleza para os comandados de Laurent Blanc, mas foi muito melhor do que pegar uma Alemanha, Espanha ou Itália pela frente.

Trata-se de um grupo passável para os franceses. Os ingleses surgem como favoritos naturais para a primeira vaga da chave, mas não com uma tremenda superioridade sobre os outros componentes do grupo, bastante equilibrado e homogêneo. Se os Bleus estão em reconstrução, o English Team também está em uma fase de transição, na qual alguns jogadores importantes (como Rio Ferdinand, Steven Gerrard e John Terry) já não exibem a mesma qualidade de tempos recentes.

A ordem dos jogos, de certa forma, ajudou a França. A seleção estréia contra a Inglaterra, que não contará com o suspenso Rooney. Bem melhor do que enfrentar os ingleses na última rodada, quando poderiam depender do resultado diante de um forte rival. Mesmo em caso de derrota em seu primeiro jogo, os Bleus têm a chance de reagir contra, na teoria, adversários de menor peso.

A Ucrânia, segunda rival da França, parte sem pressão, apesar de ser uma das anfitriãs da Euro-2012. Assim como a Suécia, os ucranianos assumiram a postura de que não têm nada a perder diante de franceses e ingleses. Por motivos óbvios, Blanc não deve achar que encontrará a mesma Ucrânia que foi goleada por 4 a 1 em junho. Os suecos, com um estilo de jogo calcado na força física, também merece muitos cuidados.

A França não pegou um grupo tão complicado como o da última Euro (Itália, Holanda e Romênia), nem um mais simples como o da Copa do Mundo-2010 (África do Sul, Uruguai e México). Entretanto, como os vexames nas duas competições ainda estão bem vivos na memória dos franceses, cabe a Blanc conter qualquer soberba, briguinha de egos e procurar manter um mínimo de espírito coletivo para fazer uma campanha digna. Passar de fase já seria um passo sem tamanho para quem só tropeçou recentemente.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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