Federação francesa decidiu sozinha manter amistoso contra a Inglaterra e incomodou o elenco
O anúncio foi surpreendente e ao mesmo tempo compreensível. No sábado, quando a França ainda contava o número de mortos nos atentados do dia anterior, o presidente da federação de futebol do país, Noel Le Graet, afirmou que o amistoso da campeã mundial de 1998 contra a Inglaterra, em Wembley, na próxima terça-feira, seria realizado como estava previsto.
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A decisão de Le Graet foi tomada com uma única condicional. Caso as autoridades inglesas sentissem que a realização do amistoso seria perigosa demais, e que a segurança de todos os envolvidos não pudesse ser garantida, ele seria cancelado. Mas Londres deu o seu ok. A partida acontecerá em tom de desafio. A vida tem que continaur sem restrições. O futebol não será vencido pelo terror.
Esse é o sentimento. O problema é que Le Graet não consultou os jogadores que compõem a seleção francesa e nem o treinador Didier Deschamps. “Eu tomei sozinho a decisão de manter o amistoso. Os jogadores não tiveram nada a ver com ela. Informei Deschamps por volta do meio-dia de sábado”, afirmou o dirigente.
Como era de se esperar, ainda mais na seleção francesa, os jogadores não gostaram da maneira unilateral como essa decisão foi tomada, de acordo com o jornal britânico The Times. Eles gostariam de ter sido pelo menos consultados e teriam ficado incomodados com o pouco tempo que tiveram para ficar com seus familiares depois dos atentados que deixaram 129 mortos e mais de 350 feridos. Ainda mais tendo que treinar em Clarefontein no sábado e no domingo, o que transformou o fim de semana em dias de trabalho normais para os jogadores, ao mesmo tempo em que o país chorava os seus mortos nos três dias de luto nacional declarados pelo presidente François Hollande.
A seleção francesa estava em campo no Stade de France quando três explosões aconteceram ao redor do estádio, causando quatro mortes. Hollande estava nas tribunas e foi retirado imediatamente do local. Muitos dos 80 mil espectadores ocuparam o gramado em busca de segurança e à espera de mais informações antes de retornarem para suas casas. Tanto o time da casa quanto os alemães, adversários do amistoso, ficaram nos vestiários até o amanhecer, quando puderam ser escoltados com segurança.
Entre eles, estava o meia Lass Diarra, cuja prima foi fuzilada pelos terroristas na região central de Paris, em um dos atos do atentado coordenado pelo Estado Islâmico. A irmã de Antoine Griezmann sobreviveu ao ataque à casa noturna Bataclan, o mais sangrento de todos na noita da última sexta-feira, que matou 89 pessoas.
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Essas são apenas as histórias mais próximas dos jogadores da seleção, que como o restante do país, estão feridos, irritados e desorientados. Naturalmente, queriam ter a chance de opinar sobre a realização do amistoso da próxima terça-feira, mas, uma vez que ele acontecerá, querem estar em campo. Segundo a BBC, o técnico Didier Deschamps ofereceu desconvocar quem não quisesse enfrentar a Inglaterra, mas todos os 23 atletas, inclusive Diarra e Griezmann, recusaram a proposta.
O arco do Wembley será iluminado com as cores da bandeira francesa em solidariedade à França. No lado externo do estádio, estará o lema “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, e antes da partida começar, a Marselhesa será cantada por todos os franceses e, se tudo der certo, também pelos ingleses. A letra do hino será mostrada no telão para que qualquer um, independente da nacionalidade ou da rivalidade, possa estufar o peito e mostrar a quem estiver interessado que o terror não vai vencer.
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