França

Espíritos opostos

Mal na Ligue 1, o Olympique de Marselha entrou em campo contra o Besiktas pressionado por seus próprios fantasmas. O Vélodrome viu uma atuação correta do OM, embora a equipe tenha dado sinais de que ainda pode evoluir bastante. A vitória por 2 a 0 pelo menos serve para dar um pouco mais de moral e confiança a um elenco abalado pelo começo de temporada irregular.

A mudança no estilo de jogo dos marselheses, mais agressivos do que em seus duelos até agora no campeonato francês, deve-se enfim a uma boa atuação de Ziani. O meia recuperou seu bom futebol e ajudou Nasri a pensar a partida com um pouco mais de calma. Com dois jogadores concentrados no setor de armação, a tarefa do ataque ficou mais tranqüila. Zenden, pela esquerda, fez uma boa combinação com Niang pela esquerda. Tanto o senegalês como Cissé foram mais acionados, o que ajudou o time a criar boas chances para marcar.

Embora o Besiktas tenha se mostrado uma equipe bastante técnica, sua lentidão facilitou um pouco a tarefa dos donos da casa. O Olympique, embora não tenha feito uma marcação tão firme em cima dos adversários, sentiu uma certa dificuldade para encaixar suas jogadas. Por roubar a bola longe da meta rival, o OM gastaria naturalmente um tempo maior para criar uma jogada ofensiva. Acrescente-se a isso o fato de o time querer trocar passes de forma excessiva em vez de ser mais objetivo.

O OM adotou uma postura de quem realmente não se sente ainda tão seguro de suas capacidades. Tal característica encontra em Nasri sua melhor explicação. O meia, um dos pontos nevrálgicos da equipe, esteve um pouco tímido, sem ousar muito em seu posicionamento em campo. Ele atuou um pouco distante de Cissé; essa inércia impediu a abertura de maiores espaços na defesa turca, embora os dois tenham feito algumas boas jogadas.

Na defesa, o destaque ficou para a atuação segura de Faty e o bom desempenho de Cana à frente da zaga. O Olympique não foi perfeito, mas pelo menos deu algumas esperanças de que pode causar algum incômodo. Basta recuperar um pouco sua confiança para fazer seu ritmo de jogo fluir sem problemas.

Erros em profusão

Enfrentar o Barcelona dentro do Camp Nou está muito longe de ser uma tarefa simples. No entanto, o Lyon exagerou no direito de se entregar ao adversário sem ao menos esboçar um sinal de reação. O 3 a 0 final a favor da equipe catalã acabou barato para o OL, pois o clube espanhol teve todas as chances para fazer pelo menos o dobro – e sem ter feito grandes esforços para isso.

Alain Pérrin até tentou modificar a equipe para conter as descidas de Lionel Messi pela direita. Para isso, o treinador fez mudanças no lado esquerdo da defesa. Ele preferiu colocar Grosso, criticado por avançar demais e deixar muitos espaços às costas e colocou o destro Réveillère por ali. Uma opção válida, mas que caiu por terra devido à outra escolha feita pelo técnico.

Belhadj sentiu o peso de disputar um jogo de tamanha importância. O jovem jogador, que atuou pela meia-esquerda e tinha a responsabilidade de duelar com Zambrotta, parecia perdido em campo. Mais acostumado com a lateral-esquerda, onde se destacou na temporada passada pelo Sedan, ele nem fez bem uma coisa nem outra. A grande atuação de Messi traduz muito bem como essas opções foram decisivas para o naufrágio lionês.

Além disso, a reorganização do meio-campo revelou-se um desastre. O ponto forte da equipe perdeu completamente sua alma com o recuo de Juninho Pernambucano. O brasileiro, sumido em campo, foi obrigado a correr atrás da bola, quando o natural seria tê-la dominado em seus pés e distribui-la. Toulalan, acostumado a ser um vértice do triângulo deste setor, deveria atuar exatamente no ‘ponto médio’; porém, com Juninho mais atrás, ele foi obrigado a se deslocar um pouco para o lado. Com isso, perdeu seu centro de equilíbrio e, com isso, seu poder de marcação também foi reduzido drasticamente. Källström, isolado, nada pôde fazer para ligar o ataque com Benzema e Govou.

Pérrin deve ter se arrependido ao ver todos os seus planos serem aniquilados com grande facilidade pelo Barça. Não dá para se dar ao luxo de querer montar um esquema revolucionário se o Lyon perder sua identidade como fez no Camp Nou. A torcida lionesa certamente não reconheceu sua equipe e espera tê-la de volta, sob o risco de um fiasco ainda mais retumbante do que o da LC anterior.

Queda e redenção

Considerado como um dos favoritos para brigar com o Lyon pelo título da Ligue 1, o Olympique de Marselha mais uma vez decepcionou seus torcedores. Na oitava rodada do torneio, o time perdeu em pleno Vélodrome para o Toulouse por 2 a 1. Os Violetas quebraram um tabu de 45 anos sem ganhar na casa dos marselheses. Um resultado que afunda o OM um pouco mais em sua crise e reforça as dúvidas quanto ao futuro da equipe na temporada.

Logo na sua semana de estréia na fase de grupos da Liga dos Campeões, o Olympique sofreu outro golpe. O milionário time montado por Pape Diouf naufragou diante do Toulouse, em mais um tropeço em seu território. Uma rotina enterrada em 2006/07, mas reavivada nessa fase inicial da Ligue 1. Com a derrota por 2 a 1, o OM se vê muito mais perto da zona de rebaixamento do que da liderança.

De novo, o Olympique repetiu o mesmo problema de suas partidas anteriores. A equipe até pressiona o rival e cria algumas jogadas interessantes; porém, erra exatamente no momento de concluir. O Toulouse conteve o ímpeto inicial dos donos da casa e, passada a euforia do OM, deixou muito bem clara sua intenção: aproveitar um contra-ataque. Assim saiu o primeiro gol dos Violetas. Como Nasri estava sobrecarregado na tarefa de levar o time para a frente, os marselheses pouco incomodaram Douchez. Para piorar, Elmander fez o segundo, para desespero da torcida.

Na segunda etapa, nada de novo. Zubar diminuiu nos acréscimos, mas o OM sabia que a apresentação ficou longe do esperado. Albert Emon tentou escalar a equipe num 4-4-2, com Arrache pelo lado esquerdo do meio-campo e Nasri na direita. Contudo, a opção se mostrou um desastre, pois o ataque ficou isolado e o setor defensivo ficou desprotegido. Talvez teria sido melhor um 4-5-1 contra um TFC perigoso com Elmander e Emana. Emon precisa restabelecer o equilíbrio de 2006/07 para formar um time que não dê show, mas também evite passar por novos vexames.

No sentido contrário, o Paris Saint-Germain ganhou sua segunda partida seguida, ao bater o Monaco por 2 a 1 em pleno principado. O time da capital pelo menos mostrou um pouco de organização, fruto sobretudo da boa atuação de Jérôme Rothen. O meia enfim despertou e distribuiu bons passes para Diané, Frau e Luyindula. Com inteligência, ele soube ditar o ritmo de jogo quando os monegascos mais incomodavam.

Os donos da casa provaram sua evolução sob as ordens de Ricardo Gomes. O Monaco explorou muito bem as laterais do campo e marcavam os adversários em seu campo defensivo. A entrada de Koller no segundo tempo transformou o jogo em um ataque contra defesa infernal. O PSG pelo menos teve a frieza necessária para aproveitar os poucos deslizes dos monegascos para sair de campo com mais um triunfo. Ao ASM, cabe trabalhar um pouco mais a finalização, pois chances não faltaram. Ao clube da capital, resta saber se Rothen mergulhará em novo período de hibernação ou se permanecerá acordado por mais algumas semanas.

Para quem desdenhava do Lyon e seu início trôpego, a goleada de 5 a 1 fora da casa sobre o Metz serviu como resposta aos críticos que já o julgavam morto. Embora estivessem diante do lanterna e dono de um ataque de apenas um gol marcado até então, os lioneses ainda precisavam de uma partida para deslanchar de vez. O momento ideal para isso havia chegado.

O OL voltou a demonstrar aquele mesmo espírito da primeira metade da temporada passada. Descontada a fragilidade do rival, o Lyon tomou conta do jogo como bem quis. Mesmo diante de uma defesa formada por cinco jogadores, os hexacampeões tiveram a calma necessária para ler o jogo e fazer das jogadas rápidas entre Ben Arfa e Benzema sua arma mortal. A goleada também serviu para devolver a confiança a Juninho Pernambucano, que não marcava um gol de falta há algum tempo, e Bodmer, com um bom desempenho defensivo. Com o moral cada vez mais alto, ficará difícil segurar o Lyon.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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