França

Esperança viva

A escrita continua. O Lyon manteve sua invencibilidade diante do Real Madrid e pode, sim, sonhar com uma classificação para as quartas de final da Liga dos Campeões. Tudo bem, as chances de obter um resultado interessante no Santiago Bernabéu são pequenas, mas o OL até conseguiu ser superior aos Merengues durante parte do duelo no Gerland. Ao menos o time francês pode se orgulhar de ter encarado o poderoso adversário de igual para igual.

O primeiro tempo mostrou um Lyon aplicado taticamente, com a qualidade necessária para anular as principais peças ofensivas do Real Madrid. Para tanto, a equipe exerceu uma forte pressão ainda no seu campo ofensivo, sem dar espaços para a defesa madrilena respirar. O trabalho no meio-campo também foi louvável, pois o OL tocava a bola com propriedade e a fazia chegar constantemente perto da meta de Casillas.

No desenrolar dos primeiros 45 minutos da partida, o Real Madrid aos poucos obteve maior posse de bola, mas isso não significou que os Merengues levaram perigo aos donos da casa. O time espanhol se limitava a arriscar chutes de longa distância, sem dar muito trabalho a Lloris. Diante de um bloco compacto e muito disciplinado, os visitantes comemoraram o único defeito apresentado pelos lioneses.

Gomis resumiu bem o que faltou ao Lyon para sacramentar seu domínio na primeira etapa. O erro na finalização quando tinha Casillas batido e mandou por cima foi exatamente o que o Lyon fez de pior no jogo. O OL errou muitas conclusões e pagou por não apresentar a mesma eficiência na hora de concluir suas jogadas. No segundo tempo, o esforço feito pelos lioneses anteriormente também cobrou seu preço.

O início da segunda etapa foi um bombardeio à meta de Lloris. A defesa do Lyon não apresentava a mesma atenção de antes e foi facilmente superada. Duas bolas no travessão e o gol de Benzema, em jogada que se iniciou com Toulalan perdendo a bola, marcaram o pior momento do OL na partida. O golpe e o cansaço físico atingiram os lioneses no fígado. Restava apenas esperar a inédita derrota para o rival.

O Lyon resumiu suas tentativas em desesperadas cobranças de falta de longa distância, no popular “jogar na área para ver o que é que dá”. Deu certo uma vez, com o gol de empate de Gomis. O resultado deixa uma ponta de esperança nos torcedores do OL, embora nem o mais otimista deles acredite que o time comandado por José Mourinho ofereça tantas oportunidades assim no Santiago Bernabéu.

Poço sem fundo

Nada mais natural do que sofrer uma derrota durante um campeonato longo. Para o Bordeaux, porém, sofrer uma goleada de 5 a 1 para o Lorient significa dizer que algo anda muito errado pelos lados do clube. O técnico Jean Tigana repete o discurso de início de temporada, no qual pede paciência com um time em formação, que passa por um período de transição e essas bobagens de quem evita reconhecer o óbvio: o time é ruim e bem abaixo daquilo que os Marine et Blanc deveriam produzir por conta de seu passado recente.

A humilhante derrota para os Merlus apenas evidenciou algo muito claro desde a eliminação para o Angers na Copa da França. Tigana está falando para o vento. Os jogadores dão a total sensação de quem não estão nem aí para o que o treinador fala. O próprio Tigana afirmou que, no intervalo do jogo contra o Lorient, implorou para seus atletas evitarem fazer a linha de impedimento. Na segunda etapa, o que se viu? A tal da linha burra posta em prática e, pior, muito mal executada.

O ambiente no vestiário do Bordeaux anda péssimo, algo constatado pelo capitão Alou Diarra. A culpa agora recai sobre a defesa, que não obedeceu às ordens do treinador. Mas será que Chalmé, Ciani, Sané e Marange são mesmo os únicos culpados? Se há um racha no elenco, se o técnico não consegue passar suas instruções para o elenco e tudo caminha para o caos, seria a hora de a diretoria tomar alguma atitude.

No entanto, os dirigentes do Bordeaux perderam o bonde. A hora das mudanças passou diante dos olhos deles na pausa de inverno e ninguém moveu uma palha. O momento de se dar um choque estava ali, na cara deles, mas eles preferiram apostar na manutenção do marasmo. Uma troca de técnico ou alguma contratação de impacto certamente mexeriam com o clima no elenco; a situação poderia até piorar, mas não se poderia acusá-los de omissão, algo que aconteceu para desespero da torcida.

Enquanto o time cai pelas tabelas, com um elenco desintegrado e um treinador sem comando, a diretoria do Bordeaux preferiu apontar suas armas para algo completamente aleatório. Após a derrota por 2 a 1 para o Caen, o alvo escolhido da ira dos dirigentes foi a arbitragem. Claro, os juízes franceses teriam armado um complô apenas com o intuito de prejudicar os girondinos. Uma ideia que deveria ser premiada tal a genialidade que brota dos poros de seus pensadores.

Enquanto teima em não reconhecer sua incompetência, a diretoria do Bordeaux se omite na tarefa de encontrar soluções para fazer o time render em campo. Os Marine et Blanc se arrastam na Ligue 1 em um modesto 12º lugar. As pretensões de se classificar para a Liga dos Campeões há muito ficaram para trás. A Liga Europa também ficou bem distante. Alou Diarra deu o alerta: “todo mundo falava em Europa; agora, precisamos olhar para trás”. O capitão será ignorado mais uma vez?
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo