Escolinha do professor Hansson

Foi só elogiar para o Auxerre entregar o ouro. A derrota por 1 a 0 para o Paris Saint-Germain tirou o AJA da liderança da Ligue 1. O primeiro lugar do campeonato volta às mãos do Bordeaux, que finalmente reencontrou seu melhor nível ao bater o Nancy por 3 a 0 fora de casa. O Lyon, por sua vez, tropeçou de novo, ficou no 1 a 1 com o Rennes em pleno Gerland e desperdiçou a chance de ficar mais perto da ponta. Nenhum destes duelos, porém, foi o centro das atenções da 15ª rodada do campeonato.
Ainda está fresco na memória o polêmico gol marcado por Gallas e que levou a França à Copa do Mundo-2010. Pelo jeito, o juiz sueco Martin Hansson inspirou os árbitros franceses a fazer vistas grossas em lances capitais. Não houve um toque de mão clamoroso como o de Henry contra os irlandeses, mas as falhas dos senhores do apito ajudaram a mudar o panorama da tabela.
O Auxerre está coberto de razão ao reclamar do juiz na derrota por 1 a 0 para o Paris Saint-Germain. No Parc des Princes, o time da casa havia acabado de abrir o placar no segundo tempo quando, no minuto seguinte, Sakho cometeu uma falta em Contout, nitidamente dentro da área. O que fez o senhor Ennjimi? Marcou o pênalti, mas reviu sua decisão ao consultar o bandeirinha. Resultado: marcou a infração fora da área.
Até então, a partida seguia equilibrada. Os parisienses estiveram longe de uma atuação convincente, mas ao menos evoluíram após o intervalo. O PSG apresentou desde o começo da partida um problema sério para chegar ao ataque, com meio-campo sem imaginação. O técnico Antoine Kombouaré corrigiu em parte este defeito ao deslocar Sessegnon para o lado direito, no lugar ocupado por Giuly.
Foi o suficiente para renovar o fôlego da equipe e fazê-la ir à frente com mais consistência. A quebra do jejum de quase três meses sem ganhar em casa teve um lado negativo: a lesão de Coupet, o que deixa a torcida preocupada com a ausência de alguém tão experiente em campo como o goleiro.
Voltando a falar da arbitragem, o Nice também se enervou com o juiz, que validou um gol do Sochaux que não houve. A bola de Mikari não ultrapassou a linha, mas para o árbitro foi como se estivesse no fundo das redes. O lance foi determinante para o resultado do jogo: vitória dos Leões por 1 a 0. Para encerrar o assunto, o Lorient agradeceu a falta de senso de espaço do bandeirinha para empatar com o Grenoble por 2 a 2. E os Merlus foram beneficiados nos lances de seus dois tentos, em jogadas nas quais era evidente o impedimento.
Nem mesmo a chuva foi capaz de fazer o Bordeaux voltar ao seu bom nível. Diante do Nancy, os Marine et Blanc logo se adaptaram ao campo encharcado do Marcel-Picot, ganharam as ações no meio-campo e não demoraram para subjugar o ASNL. Sem Gourcuff, o irregular Yoann Gouffran também se aproveitou do reposicionamento de Plasil para se destacar no meio e ter papel fundamental no triunfo dos girondinos – além de ganhar pontos com o técnico Laurent Blanc.
Já o Lyon segue sua preocupante rotina de empates na Ligue 1. Contra o Rennes, o OL completou uma série de três igualdades no torneio. Levando-se em conta todas as competições disputadas pelo clube, os lioneses viveram um novembro para ser esquecido: cinco jogos, nenhuma vitória. O desinteresse mostrado pela equipe nos últimos duelos fez o Rennes abrir o placar, pressionar os donos da casa em seu campo de defesa e acumular chances perdidas.
Os únicos lioneses que entraram em campo dispostos a jogar por um prato de comida foram Lloris e Lisandro López. Tanto o goleiro como o atacante carregaram os companheiros nas costas e, se não fosse por eles, o OL teria sofrido mais uma derrota. Para sorte dos lioneses, o ataque do Rennes estava sem inspiração. Os constantes erros de passe também contribuíram para os bretões voltarem para casa com apenas um ponto.
Um dado curioso: Fernando Morientes foi escalado como titular do ataque do Olympique de Marselha em três partidas nesta temporada na Ligue 1. Por coincidência, foram as três derrotas sofridas pelos marselheses no torneio: contra Valenciennes (3 a 2), Monaco (2 a 1) e a deste fim de semana contra o Lens (1 a 0). O espanhol precisa de um banho de sal grosso…
Impossível? Nem tanto
O sorteio dos grupos da Liga dos Campeões foi implacável com o Olympique de Marselha. Nada menos do que Milan e Real Madrid entraram no caminho da equipe, considerada como carta fora do baralho na disputa por uma das vagas para as oitavas de final. Com a bola rolando, o OM deu motivos para quem acreditava em uma eliminação prematura com as duas derrotas sofridas em seus dois primeiros jogos. Agora, na rodada final da fase de grupos, o time sonha com a chance de passar de fase – embora isto seja mais uma utopia do que uma realidade.
No San Siro, o Olympique lamentou sua falta de sorte diante do Milan. Após um início de partida tímido, a equipe soube manter a calma mesmo após o gol marcado por Borriello. No lance do gol de Lucho González, está certo que Dida colaborou e muito para a igualdade, mas os marselheses davam sinais claros de reação.
O OM soube explorar muito bem as laterais do campo, levando perigo constante à área rossonera com seguidos cruzamentos. Por azar, a trave evitou a virada na cabeçada de Diawara e o travessão completou o serviço na conclusão de Brandão, com o gol livre diante dos seus olhos. Há ainda quem reclame de um pênalti de Abate, que por pouco não ficou com a camisa de Ben Arfa em suas mãos.
Agora, os marselheses definem sua classificação diante do Real Madrid no Vélodrome. A se julgar pela síndrome que o aplaca quando atua em casa, o time não suscita grandes esperanças, ainda mais diante de um clube tradicional, repleto de estrelas e que precisa confirmar sua classificação. Contudo, também era esperada uma derrota para o Milan em San Siro, sendo que o OM dominou o rival diante da torcida rossonera.
O cenário mais improvável é a classificação direta do Olympique para as oitavas. Para isso, a equipe precisaria vencer o Real Madrid por 3 a 0 ou uma diferença igual ou superior a quatro gols. Um triunfo por um placar mais magro leva o OM a torcer por um tropeço do Milan fora de casa diante do eliminado Zürich. A equipe suíça, condenada à lanterna, bateu o time italiano no San Siro, mas não deve oferecer resistência.
A ideia de derrotar o Real Madrid, mesmo por 1 a 0, parece um sonho longe da realidade para o OM. Um empate eliminará a equipe, que se consolará com a vaga para a Liga Europa como um prêmio de consolação. Ao menos o clube tem esperanças de ir mais longe neste torneio, do qual tem se tornado frequentador assíduo de suas fases principais.
Já classificado, o Bordeaux recebeu a Juventus, que esperava por um adversário sem ambições. A Vecchia Signora se enganou completamente e pagou o pato. Os girondinos abusaram das jogadas pelas laterais, em atuação destacada de Trémoulinas pela esquerda, dominaram as ações no meio-campo e impuseram uma vitória incontestável por 2 a 0 sobre os visitantes – garantia do primeiro lugar da chave. Nada mal para o ‘patinho feio’ que ficaria atrás de Juve e do Bayern de Munique.


