FrançaLigue 1

Enquanto uns brigam pela LC, PSG ri à toa

Olympique de Marseille e Lille fizeram o jogo mais esperado da 32ª rodada da Ligue 1 e deixaram o Paris Saint-Germain rindo à toa. O empate sem gols entre os rivais, aliado à vitória por 1 a 0 sobre o lanterna Troyes, deixou o clube da capital muito perto do título. Para o LOSC, ficou a decepção de perder terreno na ferrenha disputa pela última vaga na Liga dos Campeões. O OM, que já se contentava com a segunda vaga direta na LC, abriu os olhos para o Lyon, que encostou e parece reagir após uma péssima fase.

O Lille vinha de uma sequência avassaladora. Nos últimos oito jogos, o LOSC havia obtido sete vitórias e seu último jogo fora uma goleada de 5 a 0 sobre o Lorient. Atuando em casa, os Dogues foram para cima dos visitantes com a faca nos dentes. Foi uma partida de ataque contra defesa. Os marselheses claramente entraram em campo com uma missão: atuar fechadinho na defesa e deixar o tempo passar.

Para sorte do OM, a tática funcionou, muito por conta da excelente atuação da dupla formada por Lucas Mendes e Nkoulou na defesa. Como se esta muralha não fosse suficiente, Steve Mandanda viveu uma de suas melhores atuações nesta temporada. O goleiro simplesmente fechou a meta e transmitiu segurança aos demais companheiros. Os marselheses trocaram a timidez do primeiro tempo por uma postura um pouco mais agressiva na etapa final e complicaram o Lille.

O LOSC até mantinha uma alta taxa de posse de bola (chegou a 61%), mas de nada adiantava. Esta dominação estéril se resumia a um toque de bola sem sentido, já que o OM subiu sua marcação e reduziu muito os espaços no meio-campo. Sem fluidez para chegar ao ataque, os Dogues pouco ameaçaram Mandanda. Como os marselheses estavam mais interessados em se defender, o 0 a 0 perdurou até o apito final.

A tática de segurar o empate foi executada de forma perfeita pelos marselheses, mas o resultado disso pode não ser tão bom assim. Após três derrotas seguidas, o Lyon mostrou que não está morto. A vitória por 3 a 1 sobre o Toulouse teve um time renovado, muito por conta das mudanças feitas por Rémi Garde para este jogo, o treinador optou por mandar a campo um 4-3-3 ofensivo, com Gourcuff e Briand na equipe.

O OL começou bem e logo aos oito minutos abriu o placar com Grenier. Era a senha para o time manter a postura ofensiva, mas inexplicavelmente a equipe recuou. O Toulouse ganhou confiança, já não sofria a mesma pressão quando saía para o jogo e se animou para buscar o empate ainda no primeiro tempo. As coisas pareciam azedar de vez para os lioneses com a perda de Lacazette, lesionado.

Na etapa final, porém, o Lyon voltou com aquele espírito do início do jogo. A organização da equipe não foi a ideal, mas o suficiente para retomar o controle da partida e recolocar o TFC em seu campo de defesa. Grenier deixou de atuar pelo flanco esquerdo, como em sua exibição apagada diante do Stade Reims, e ficou mais centralizado. Foi uma das chaves para a vitória do OL.

Já o Saint-Étienne começou mal sua semana decisiva. O ASSE visitou o Valenciennes, levou um sufoco no segundo tempo e o 0 a 0 fora de casa foi comemorado como um milagre. No meio da semana, os Verdes receberam o Lorient na Copa da França e viram o triunfo dos Merlus por 2 a 1 em pleno Geoffroy-Guichard. No sábado, a decisão da Copa da Liga Francesa diante do Rennes surge como última esperança. Um novo revés deixa o time em frangalhos do ponto de vista psicológico para brigar por uma vaga na LC.

Orgulho parisiense

O Paris Saint-Germain deixou a Liga dos Campeões de cabeça erguida. O fato de não perder para o Barcelona nos dois jogos que disputou contra os rivais já serve mais do que como um prêmio de consolação. O PSG ganhou respeito dentro do cenário europeu e deixou uma impressão positiva, muito por conta de seus pesados investimentos terem dado certo e escapado do fiasco de outros novos-ricos, como no caso mais notório do Manchester City.

Mesmo jogando no Camp Nou, o PSG esteve bem perto de conseguir algo até então impossível: desbancar o poderoso Barca em seus domínios e avançar para as semifinais da Liga dos Campeões. Jogou de igual para igual com um adversário que encontrava dificuldades diante do clube da capital até que um tal Messi, mesmo sem suas melhores condições físicas, entrou em campo e resolveu a parada. O empate por 1 a 1 poderia ser frustrante, mas acendeu o orgulho parisiense.

No começo do jogo, o PSG cometeu alguns erros que quase permitiram ao Barcelona ficar em vantagem, sobretudo em lances de bola parada. Aos poucos, porém, os visitantes se aclimataram e foram muito bem no combate. O time francês exercia uma pressão forte sobre quem estava com a bola, forçando o erro do adversário. Sem a mesma eficiência para chegar ao ataque, o Barcelona viu o Paris Saint-Germain criar algumas boas oportunidades. Ironicamente, o Barça não deu sequer uma finalização certa durante todo o primeiro tempo.

Para aqueles que adoram criticar Lucas e o acusar de ser pouco objetivo, principalmente em momentos decisivos, o ex-são-paulino deixou a defesa do Barcelona em pânico. O brasileiro sempre foi uma opção confiável na frente com suas arrancadas, mudanças de direção repentinas e consciência na hora de driblar e passar. Ele não se intimidou diante de um Camp Nou apinhado e da marcação cerrada sobre ele.

Em seu retorno ao estádio do Barcelona, Zlatan Ibrahimovic também aprontou das suas. O sueco esteve na origem de praticamente todas as jogadas ofensivas do PSG, seja na definição ou como garçom. E Javier Pastore apareceu quando mais se precisava dele. O meia, que custou € 42 milhões e ficou conhecido por sua inconstância em campo, teve uma exibição de encher os olhos.

Este PSG mostrou na LC que está acima daqueles catados feitos apenas para mostrar ostentação. Méritos para o trabalho de Carlo Ancelotti, que enfrentou muitas dificuldades no começo da temporada, mas soube encaixar da melhor forma os medalhões que apareceram no elenco. Hoje, os parisienses formam um time, capaz de manter a serenidade em momentos decisivos mesmo tendo o Barcelona diante de seus olhos.

Para a próxima temporada, a torcida renova as esperanças de que time fará uma campanha ainda melhor, já que o elenco terá amadurecido. Basta os qatarianos não inventarem de fazer do clube um balcão de negócios ao fim desta temporada e reduzir o grupo a um monte de produtos em exposição na vitrine.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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