Empate dá ao PSG o direito de sonhar no Camp Nou
Não foi como há 18 anos, quando o Paris Saint-Germain eliminou o poderoso Barcelona na Liga dos Campeões, mas a exibição de terça-feira dos parisienses no Parc des Princes foi bastante digna. Há quem acredite até em uma classificação no Camp Nou, ainda mais após o estilo de jogo convincente do PSG. O time da capital fez uma boa partida, fundamental para suas pretensões de entrar no clube do Bolinha dos grandes europeus.
O gol irregular de Ibrahimovic não diminui a apresentação sólida do PSG. No primeiro tempo, embora já fosse esperada a maior posse de bola do Barcelona, os donos da casa criaram as melhores chances. Ao basear seu jogo no contra-ataque, os parisienses exploraram muito bem a velocidade de Lucas pelo lado direito. Bem marcado, Messi cumpria um jogo sem tanto brilho, mas bastou um instante de desatenção para o argentino fazer a diferença.
No mais, Thiago Silva esteve em noite inspirada. O brasileiro esteve praticamente perfeito em seu posicionamento, nas antecipações e, sobretudo, nas jogadas pelo alto. O zagueiro não só cumpriu seu papel com maestria lá atrás como teve participação decisiva quando atacou; Ibrahimovic que o diga. O sueco, aliás, deu seu recado aos críticos com sua intensa participação no ataque e espírito de luta.
Carlo Ancelotti promoveu uma surpresa ao escalar Beckham como titular. O treinador teve sua recompensa. O Spice Boy teve um papel mais defensivo e permitiu a Blaise Matuidi subir ao ataque com mais frequência. Mesmo mais distante da área, o meia inglês deu aquele toque de equilíbrio ao meio-campo parisiense, carente de alguém com bom passe e capaz de organizar a equipe com tranquilidade e visão de jogo.
Aos 37 anos, Beckham teve fôlego por cerca de uma hora. Correu aproximadamente 9 km, originou algumas boas jogadas de ataque dos anfitriões (a melhor delas foi a bola na trave de Lavezzi) e raramente ficou para trás nas jogadas em cima dele. O lado marcador do inglês aflorou com as três faltas cometidas e o cartão amarelo recebido. Para o jogo no Camp Nou, o PSG precisa exatamente deste Beckham para sonhar com algo maior.
Os parisienses tiveram vários méritos no duelo contra o Barça. O mais importante foi explorar com inteligência o ponto fraco da equipe espanhola: as jogadas pelo alto. A ausência de Messi no segundo tempo sugeriria uma queda acentuada na qualidade dos avanços dos visitantes, mas o que se viu foi uma queda no nível de atuação do meio-campo do PSG, muito por conta do cansaço de Beckham.
A entrada de Verratti no lugar do inglês deu fôlego aos anfitriões e fez com que o time deixasse de perder tantas disputas de bola no meio-campo. Nas duas vezes nas quais esteve atrás no marcador, o PSG demonstrou calma para não se desesperar e forçou o ritmo em busca do empate. Sem se intimidar diante do favorito, o time da capital sonha em aprontar no Camp Nou; porém, precisa não só repetir a atuação inspirada do primeiro duelo como contar com algo especial.
Taça encomendada
A taça da Ligue 1 já tem um dono. O Paris Saint-Germain dificilmente entregará o troféu para algum de seus rivais, ainda mais após aumentar para sete pontos a distância para seu perseguidor mais próximo. O Lyon, que até então nutria alguma esperança de desafiar o clube da capital nas nove partidas finais do campeonato, viu seu sonho ruir com a derrota por 2 a 1 em casa para o Sochaux. A segunda colocação agora pertence ao Olympique de Marseille, mas o time não deve reunir as condições necessárias para dar aquele sprint para alcançar seu maior adversário.
O Parc des Princes viu um duelo simbólico entre PSG e Montpellier. O jogo serviu para o MHSC, atual campeão francês, passar sua coroa para o novo rei. Mesmo com ausências importantes (Lucas, Lavezzi e Thiago Motta), o clube da capital não sentiu tantas dificuldades. O placar magro, definido a dez minutos do fim da partida, não reflete como foi o andamento do embate. Foi o melhor jogo do PSG em 2013, pelo menos no nível de construção das jogadas – algo que ainda precisava de um melhor ajuste.
Há quase um ano, as duas equipes também se encontraram em um momento decisivo. Naquela ocasião, o empate por 2 a 2 possibilitou ao Montpellier um golpe psicológico sobre o vice-líder PSG, babando pela possibilidade de desbancar o futuro campeão. O novo encontro teve efeito final parecido, embora o MHSC esteja fora da disputa pela taça desta vez. Os parisienses demonstraram a paciência necessária para resolver o jogo da forma como pretendiam e deram um recado claro à concorrência: não adianta qualquer esforço.
O Montpellier entrou em campo determinado a lutar, ao menos, para ganhar forças na disputa por uma vaga na Liga Europa. O técnico René Girard escalou uma formação ofensiva, com apenas um jogador de características defensivas em seu meio-campo (Stambouli). No entanto, nem mesmo a bela exibição de Rémy Cabella, de volta ao time após longa ausência por conta de uma lesão, serviu para confortar o MHSC.
Do lado parisiense, Carlo Ancelotti se decepcionou com Clément Chantôme. Há que se descontar o fato de o jogador ter atuado em uma função na qual está pouco habituado, mas seu desempenho esteve aquém do esperado. Com um papel ofensivo pelo lado direito, ele pouco contribuiu para os avanços do PSG. O time sentiu a falta de confiança de Chantôme e quase o ignorou nas ações ofensivas. No comando do meio-campo, Pastore preferiu centralizar as jogadas ou distribuí-las pela esquerda.
A vitória deixou o PSG com o título encaminhado e com mais ânimo para enfrentar o Barcelona, muito embora seja bem mais provável que o time espanhol avance na Liga dos Campeões. Além da tranquilidade com a qual lidou durante o jogo com o Montpellier, os parisienses contam com outro atributo fundamental para já deixar a festa preparada: a incapacidade de seus rivais.
O Lyon perdeu o rumo diante do Sochaux. Antes da pausa para as datas-Fifa, o OL havia conquistado apenas dois pontos em três jogos. O time tinha a esperança de se recuperar diante do desesperado Sochaux em Gerland, mas caiu novamente. Os donos da casa até começaram bem e exerceram aquela pressão característica da equipe, mas suas ações em nada deram. Os visitantes, acuados em um primeiro momento, aos poucos viram que o cenário não era tão infernal e saíram de seu casulo.
O OL pouco incomodava com seu 4-4-2 e com a dupla ofensiva formada por Lisandro López e Gomis. Jogando nos contra-ataques, o Sochaux se saiu melhor e abriu o placar. O Lyon melhorou com a entrada de Mvuemba no lugar de um insosso Malbranque e dominou o meio-campo. Veio o empate, mas os lioneses deixaram os Leões soltos para novo avanço rápido, já no finzinho, para definir a vitória. Um duro golpe para quem sonhava incomodar o líder PSG nas últimas rodadas.
Melhor para o Olympique de Marseille, novo vice-líder ao bater o Nice por 1 a 0. nesta reta final, o OM mostra sua cara de time de chegada, algo que o Lyon, por exemplo, não encontrou por sua inexperiência para gerenciar momentos decisivos. Sem pânico quando o rival pressionou, os marselheses souberam conduzir o ritmo da partida ao seu bel prazer e chegam como favoritos para ficar com a segunda vaga direta na próxima LC.


