Em excelente hora

O Vannes chegou à final da Copa da Liga Francesa depois de derrubar três grandes pelo caminho. Na decisão, o clube bretão tinha pela frente o desafio de encarar seu quarto rival de peso: o Bordeaux. Desta vez, o Stade de France viu a zebra passar longe dos seus limites. Se a Bretanha, que já tem garantido um título na temporada (na Copa da França) ao menos se viu representada no alto do pódio: Yoann Gourcuff, um dos principais destaques da partida, nasceu na região.
Como deveria se supor antes do começo do confronto, o favoritismo pertencia aos Marine et Blanc. Só que os outros concorrentes do Vannes também ostentavam esta condição e ficaram um a um estraçalhados pelo caminho. Era preciso confirmar esta teoria, e Laurent Blanc soube muito bem como fazer seu time escapar das garras do VOC. Mesmo em meio à acirrada disputa do título da Ligue 1, o treinador incutiu em seu elenco a necessidade de arrasar com o adversário logo no começo do duelo. A mensagem foi compreendida da melhor maneira possível.
Passados apenas 15 minutos de jogo, o Bordeaux já vencia por 3 a 0 e estava com a taça em suas mãos. No primeiro gol, marcado por Wendel, uma bela finalização por cobertura logo aos três minutos serviu para esfriar os ânimos do Vannes. Em seguida, em dois lances de bola parada, Planus e Gouffran completaram para as redes para mostrar quem realmente mandava por ali. Era o essencial para colocar o pé no freio e guardar energias para os momentos decisivos da Ligue 1.
Gourcuff fechou o marcador pouco antes do intervalo, apesar das insistentes tentativas do Vannes em aproveitar algum contra-ataque. Para o VOC, o sonho de ser campeão esbarrou em uma tarde infeliz de Revel. Herói da classificação da pequena equipe nas fases anteriores, ele cometeu erros nos três primeiros gols sofridos e teve contribuição decisiva pela derrota.
Com a goleada, o Brdeaux conquistou pela terceira vez o título da Copa da Liga Francesa e se igualou ao Paris Saint-Germain. Apesar de o torneio ter sua importância contestada no país (não se deve esquecer de que ela é a terceira e de criação mais recente), ele chega em uma excelente hora para os girondinos. A taça, ainda mais pela ótima exibição na final, deu um banho de ânimo nos jogadores para as rodadas finais da Ligue 1. Em uma disputa tão acirrada, um detalhe como este faz toda a diferença.
Por outro lado, Blanc há de lamentar a contusão de Wendel. O brasileiro, autor do primeiro gol, deixou o gramado após somente 18 minutos. A ausência dele em jogos cruciais para a equipe coloca uma responsabilidade extra para Gouffran. O meia-atacante, cujo início de temporada ficou abaixo do esperado, agora tem a chance de confirmar sua recuperação e se firmar como um dos principais articuladores do time. As esperanças permanecem vivas nos girondinos.
Contrastes
A cada rodada, o Lyon se despede um pouco mais das chances de se tornar octocampeão francês. Para amenizar a tragédia anunciada, os lioneses ainda sentiram o gostinho de praticamente tirar o Paris Saint-Germain da briga pela taça com o empate sem gols em Gerland. Enquanto o OL soma outro deslize em seu terrível final de temporada, o Olympique de Marselha continua firme rumo à conquista – exatamente com o mesmo espírito vencedor característico dos lioneses nos últimos anos.
Mesmo fora de casa, o Olympique confirmou seu excelente momento diante do Lille. O OM carregava um retrospecto de 33 pontos ganhos em 16 jogos longe de seus domínios, a melhor campanha como visitante. Além destes números bastante favoráveis, os marselheses ainda combinaram a eficiência com seu poder de recuperação. Após um primeiro tempo em branco, o LOSC saiu na frente aos três minutos do segundo tempo, mas sucumbiu ao equilíbrio encontrado pelo OM para reverter este quadro.
Há de se levar em conta o fato de que o Olympique contava com uma série de desfalques importantes. Taiwo, Bonnart, Cana, Koné, Rodriguez e Wiltord ficaram de fora da partida, mas nem por isso o treinador Eric Gerets deixou de montar um time competitivo. Seu grande golpe foi a escalação de Zubar pelo lado esquerdo. Foi o suficiente para Michel Bastos, um dos principais articuladores do Lille, ter uma apresentação apenas discreta. Além disso, foi capital a defesa de Mandanda feita em um pênalti cobrado pelo próprio Michel Bastos no fim da primeira etapa.
O Lille abriu o placar aos três minutos da segunda etapa, mas a reação marselhesa levou menos de dez minutos para ser colocada em prática e restabelecer a ordem do confronto. Cheyrou e Niang viraram para os visitantes, que na maioria do tempo pressionou o rival no seu campo de defesa e, mesmo nos momentos de maior pressão, soube conter os ataques dos donos da casa. Uma qualidade digna de quem amadureceu o bastante para se sagrar campeão.
Por outro lado, tudo dá errado para o Lyon. Contra um rival direto, o OL não foi além de um 0 a 0 com o Paris Saint-Germain, em péssimo resultado para os dois. Agora, os lioneses estão seis pontos atrás do Olympique e precisam bem mais do que de suas próprias pernas para sonhar com o oitavo título consecutivo. O PSG, quarto colocado e um ponto atrás dos heptacampeões, também vê seu maior rival abrir uma grande distância e já se prepara para jogar a toalha.
A sorte que tanto acompanhou o Lyon nos últimos tempos parece tê-lo abandonado de vez. Nem mesmo atuar em Gerland significa um pouco de alegria à equipe. Foram apenas duas vitórias nos onze jogos mais recentes disputados sob o olhar de seus torcedores – sem contar as exibições de pouco brilho. Diante de um bloco parisiense bem armado defensivamente, restou ao OL se resumir a chutes de longa distância, sem causar grandes danos a Landreau.
Fisicamente, o Lyon também mostra estar com a língua quase no chão. Tal condição se fez provar na lentidão da equipe em buscar o ataque, resumindo-se a um ilusório domínio na posse de bola. Puel ainda tentou causar algum impacto ao surpreender na escalação (Bodmer, Pjanic e Mounier foram titulares, e Källström atuou como lateral-esquerdo), mas de nada adiantou. A atuação segura da dupla de zaga parisiense Camara/Sakho impediu que Benzema fizesse algo de mais produtivo – ele acertou a trave no final, porém participou pouco do jogo.
Sem apetite, o OL se livrou do pior por conta dos problemas encontrados pelo PSG para explorar os contra-ataques. Embora Sessegnon estivesse bem, Giuly, com dores, quase nada acrescentou à equipe da capital. Rothen também esteve mais preocupado em defender do que apoiar o ataque. O Lyon ainda se lamenta de alguns erros da arbitragem, como em um pênalti não dado por um toque de mão de Ceará e uma falta violenta de Sessegnon em Boumsong, punida apenas com um amarelo. Realmente, a maré não está mesmo boa para os lioneses.


