Eliminação desastrosa para a França

A eliminação do Olympique de Marselha nas quartas de final da Liga dos Campeões representou um duro golpe não só para os torcedores do clube, mas para o futebol francês como um todo. A queda diante do Bayern de Munique fez a França perder a quinta posição no ranking de coeficientes da Uefa. A grosso modo, este número é usado para determinar a quantidade de vagas de cada país em suas competições interclubes, bem como definir em qual fase eles iniciam a disputa.
Como seu único representante nas quartas de final de uma competição organizada pela Uefa nesta temporada caiu, a França perdeu a esperança de retomar a quinta posição no ranking de coeficientes da entidade, ocupada por Portugal. Em outras palavras, isso significa o seguinte: o terceiro colocado da Ligue 1 continua com vaga garantida na Liga dos Campeões, mas não entrará mais nos playoffs do torneio, último degrau para a fase de grupos. Na LC 2013/14, ele disputará a terceira fase preliminar, em novo obstáculo para a classificação.
Além do rebaixamento de categoria, os franceses enfrentarão problemas com a reclassificação. O terceiro colocado da Ligue 1 em 2012/13 já terá dificuldades com um calendário cada vez mais carregado. Pegando-se o exemplo desta temporada, o Lyon enfrentou o Rubin Kazan em agosto. Na nova formação, o futuro representante do país entrará em campo pela LC em meados de julho, quando não terá feito qualquer jogo oficial e estará no meio de sua preparação.
Quem pensa em vida fácil nesta terceira fase preliminar da Champions, as coisas não são bem assim. Basta dar uma olhada nas equipes que participaram desta fase e que teriam totais condições de enfrentar o representante francês: Rubin Kazan, Twente, Trabzonspor e Panathinaikos. Adversários distantes de qualquer pretensão de título, mas que podem muito bem complicar a vida de quem cruzar seu caminho nestas fases iniciais.
Com maiores dificuldades para ter três representantes na fase de grupos, os clubes franceses se veem obrigados a evoluir em suas campanhas na LC. Do contrário, a diferença para Portugal apenas aumentará. E isso pode piorar ainda mais, se analisarmos que Benfica (LC) e Sporting (Liga Europa) ainda estão vivos nas competições que disputam – lembrando que a coluna foi escrita antes de eles entrarem em campo nesta semana.
Levando-se em consideração apenas os resultados desta temporada, o quadro se revela bem mais preocupante. A França fica atrás não apenas dos gigantes europeus (Espanha, Inglaterra, Itália e Alemanha), mas também de Portugal (já esperado) e da Holanda, graças ao bom desempenho do AZ na Liga Europa. Como o coeficiente da Uefa leva em consideração as cinco últimas temporadas, os franceses ainda guardam uma vantagem confortável sobre a turma dos Países Baixos e da Rússia.
Como a vida na LC não costuma ser fácil, os clubes franceses precisam olhar a Liga Europa com mais carinho. Simplesmente nenhum time do país se classificou para os mata-matas, enquanto Polônia, Bélgica e Grécia tiveram mais de um representante. Este fraco desempenho apenas contribui para a derrocada francesa no continente, um fiasco de grandes proporções para quem cogitou estar no topo.
PSG no vermelho
A situação do Paris Saint-Germain se complica a cada dia. Na Ligue 1, a derrota por 2 a 1 para o Nancy abriu a possibilidade para o Montpellier se distanciar na liderança – o MHSC tem um jogo a menos. Fora de campo, o quadro também aponta rumo à catástrofe. Em maio, o clube apresentará seu balanço à Direção Nacional de Controle de Gestão (DNCG). E o primeiro resultado financeiro do clube após passar para o controle dos qatarianos tem cor vermelha berrante.
No exercício antecipado do período 2011/12, que se encerra em junho, o PSG acumula um déficit aproximado de € 200 milhões. Mesmo com um número astronômico como esse, a DNCG aparenta tranquilidade quanto à saúde financeira do clube. Os dirigentes enviaram ao órgão os certificados bancários provando que tem recursos em caixa para cobrir estas perdas e garantir o orçamento provisório previsto para o próximo exercício.
O PSG não está ameaçado de entrar em processo de falência, mesmo com a previsão de novas perdas nas próximas duas temporadas. No entanto, vale o alerta para 2014-15, quando começa a valer a regra do fair play financeiro da Uefa. Jean-Claude Blanc, diretor geral do PSG, manteve a tranquilidade por conta dos trabalhos de renovação do Parc des Princes (que se tornará fonte de receita bastante valiosa) e do desenvolvimento esportivo e comercial do clube. Este plano de autossuficiência, porém, tem que ser acompanhado pelo desempenho do time nos campeonatos do qual participa.
Nesta Ligue 1, por exemplo, o PSG vê suas chances de ser campeão ficarem mais difíceis. Insatisfeito com o rendimento do time, Carlo Ancelotti fez cinco mudanças para a partida contra o Nancy. Contudo, elas não deram resultado e o treinador amargou uma derrota por 2 a 1. Não importa quantas alterações sejam feitas na equipe, mas a inconstância permanece e nada mexe com os ânimos de um grupo cada vez mais pressionado. Como se não bastasse a possibilidade de o Montpellier abrir distância, o Lille se aproxima de forma perigosa e já está a quatro pontos do time da capital.
Em entrevista ao L’Équipe, Leonardo defendeu sua política como diretor esportivo do PSG e as escolhas pelas contratações de Ancelotti e do meia Javier Pastore. Por mais que esteja correto com seu plano a médio/longo prazo, o brasileiro precisa contornar o ambiente cada vez mais tenso pela queda de produção da equipe e a possibilidade cada vez maior de perder um título dado como ganho. Sem pulso firme, todo o plano certamente naufragará.


