França

E agora, Ricardo?

No início da temporada, a chegada de Ricardo Gomes ao Monaco trazia uma esperança de dias melhores no clube do principado. O treinador, que conseguiu levar um modesto Bordeaux à Liga dos Campeões, reuniria condições de trazer o clube de volta aos seus melhores períodos. Em 2006/07, o ASM flertou com a zona de rebaixamento e se viu em meio a uma completa desorganização. Salvou-se, mas estava longe de satisfazer sua torcida. No entanto, esse sonho hoje parece longe da realidade.

O brasileiro, conhecido por sua capacidade de organização, obteve bons frutos no começo da Ligue 1. Os bons resultados logo levaram o time para a parte de cima da tabela, o que deixava os diretores do clube bastante satisfeitos com o acerto de sua aposta. Contudo, a boa fase terminou cedo demais e logo o Monaco começou a perder. Foram cinco derrotas consecutivas até o empate sem gols com o Caen em pleno estádio Louis II. Foi o suficiente para Ricardo Gomes ser mais do que questionado.

Quando o treinador chegou ao time do principado, trazia consigo o plano de arrumar um pouco a bagunça que imperava no clube. Nas últimas temporadas, o Monaco se notabilizou por sua instabilidade. Para comprovar essa tese, basta ver quantos treinadores passaram por lá nos últimos tempos. Bastaram as primeiras derrotas para se comprovar que o imediatismo dos dirigentes monegascos não se alterou.

Ricardo Gomes corre risco de perder seu emprego caso o ASM não reaja logo. Apesar dessa ameaça, ele tem feito o possível para se virar com um elenco de nível mediano. Não se deve esquecer que o setor defensivo do time ainda não digeriu a saída de Yaya Touré, negociado com o Barcelona e responsável pelo equilíbrio do meio-campo. A perda de um jogador tão fundamental sem a devida reposição deixa o treinador sem ter como compor o time titular de maneira harmônica.

Por essa necessidade de preencher esse vazio, o técnico ainda não conseguiu dar um padrão de jogo ao Monaco. Ricardo Gomes tem sido criticado por constantemente mudar seus esquemas táticos e utilizar diferentes jogadores sem obter qualquer resultado mais importante. Se não há um substituto à altura para Touré, o brasileiro precisa mesmo fazer suas experiências com aquilo que tem em mãos. Se o elenco disponível não preenche esses requisitos, daí não se pode jogar o peso da queda de produção da equipe em suas costas. Os responsáveis pela contratação de reforços deveriam ter olhado com mais cuidado para esse problema.

Caso pague o pato pela impaciência dos dirigentes do Monaco, Ricardo Gomes será um dos menores responsáveis pelo fracasso do time até aqui na temporada. Ele será mais uma vítima da falta de visão a longo prazo do clube, que mais uma vez mostra problemas para se planejar de forma adequada. Se houver um pouco de bom senso, dá tempo para se corrigir os problemas do meio-campo. Janeiro se aproxima e, com a reabertura do mercado de transferências, será possível contratar alguém para tapar o buraco do setor defensivo. Um erro que seria evitado se houvesse um pouco de boa vontade e inteligência se fosse observado desde o início.

Duelo da juventude

No Parc des Princes, Paris Saint-Gemain e Lyon fizeram um confronto marcado por um duelo de novas gerações. Do lado do PSG, a aposta do treinador Paul Le Guen em jovens jogadores se trata de uma de suas cartadas desesperadas para tentar fazer o time render alguma coisa. Para os lioneses, o sangue novo pôde ser visto com mais viço em seu ataque, com Karim Benzema e Hatem Ben Arfa. Revelados pelas categorias de base do OL, os dois se transformaram nesta temporada nas grandes armas ofensivas da equipe. Na capital, os comandados de Alain Pérrin levaram a melhor.

Para conquistar sua primeira vitória em casa, Le Guen repetiu a fórmula utilizada na rodada anterior contra o Valenciennes. Lá se foram de novo Ngoyi, Sankharé, Sakho… Como se poderia esperar de uma equipe repleta de jovens jogadores, empolgados por deixarem no banco estrelas do porte de Pauleta, o entusiasmo do PSG era notório. No entanto, tanta vontade até deu ao clube um maior domínio dos espaços, mas logo exigiu o pagamento de uma compensação.

Ironias à parte, faltou ao time da capital alguém com maior presença de área desde o início para colocar a defesa lionesa em maiores apuros. A salvação veio dos suplentes, com a entrada de Pauleta. A Águia dos Açores marcou dois gols e poderia dar aos anfitriões uma melhor qualidade de jogo desde o início. Le Guen se arrisca demais ao lançar muitos jovens de uma só vez sem ter alguém com grande experiência para orienta-los em campo. Mickaël Landreau, embora preencha os requisitos por sua carreira, pouco pode contribuir no decorrer da partida. O português seria um candidato ideal, mas precisaria se dispor a servir como um ‘professor’.

Enquanto os jovens do PSG penam, os do Lyon brilham com intensidade cada vez maior. Pérrin continua o trabalho feito por seus antecessores e trabalha Benzema e Ben Arfa com bastante cuidado. Os dois atacantes não foram atirados aos leões como última alternativa de salvação da equipe. Ambos tiveram suas chances aos poucos, para evitar uma excessiva carga de responsabilidade de forma prematura. A lesão de Fred acelerou o processo de amadurecimento, mas eles já tinham uma base bem sólida para suportar a experiência ‘para valer’.

Le Guen não dispõe de toda essa tranqüilidade para trabalhar, como prova a situação do PSG na tabela. Sem fazer o time render, ele se apega à mesma estratégia usada no início do ano. De nada adianta querer lançar vários jogadores promissores mas ainda inexperientes, que ainda não ultrapassaram a categoria de ‘estagiários’. Jogar sobre os ombros deles o peso de livrar a equipe das últimas colocações não parece ser o melhor jeito de acelerar seu desenvolvimento. Benzema e Ben Arfa acabaram com o jogo; os jovens do clube da capital apenas lamentaram o fraco desempenho e a necessidade de recorrer ao ‘renegado’ Pauleta. Uma diferença que reflete muito bem o desnível no qual os dois times se encontram no momento.

Para o Lyon, além do triunfo diante do PSG, a rodada lhe trouxe grandes benefícios com o empate sem gols entre o Nancy e o lanterna Metz. Com o segundo tropeço seguido do ASNL, os hexacampeões abriram quatro pontos de vantagem na liderança, o que já dá margem para a repetição do filme de temporadas passadas. O OL pode até ter demorado um pouco para aparecer sozinho em primeiro lugar na Ligue 1, mas foi o tempo necessário para começar a se ajustar às diversas mudanças sofridas no meio do ano. Enquanto o Nancy dá os primeiros sinais de perda de rendimento, os lioneses pegam embalo rumo à conquista do hepta.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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