E agora?
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Robert Louis-Dreyfus perdeu uma batalha de longos anos de duração contra uma leucemia. Aos 63 anos, o principal acionista do Olympique de Marselha faleceu sem conhecer o sabor da conquista de um título. Dono do clube desde 1997, ele mal teve tempo para acompanhar o desenrolar de uma nova fase da equipe. Se a saída do presidente Pape Diouf indicava novos tempos, a morte de Dreyfus coloca um ponto de interrogação natural sobre o futuro dos marselheses. A torcida, pelo menos por enquanto, não precisa temer. Dreyfus deixou tudo muito bem encaminhado.
Para começar, o OM se encontra muito bem do ponto de vista financeiro. Se no começo dos anos 2000 as contas do clube eram observadas com certa desconfiança, agora paira a certeza de uma boa situação. No final de 2008, o Olympique registrou um superávit de € 8,2 milhões relativos às transferências de jogadores. Nas últimas cinco temporadas, Diouf teve os méritos de equilibrar as finanças. Agora, o time não demonstrava mais tanta dependência dos aportes de Dreyfus, que injetou mais de € 220 milhões desde 1997. Por isso, os marselheses se lançaram com todas as forças no mercado de transferências e já fecharam alguns negócios muito bons.
Para começar, o clube investiu € 18 milhões para tirar o meia Lucho González do Porto – e o montante pode chegar a € 24 milhões, dependendo do desempenho do argentino, desde já a maior contratação da história do OM. O argentino preenche uma lacuna não só no Olympique, mas em praticamente toda a Ligue 1: a necessidade de um meia-armador. E ‘El Comandante’ desponta desde já como figura-chave no 4-3-3 que o novo treinador Didier Deschamps deseja montar. Isso sem contar a qualidade técnica e sua capacidade de criar perigo em lances de bola parada.
Mais € 6 milhões e o defensor Souleymane Diawara trocou o Bordeaux pelo time do sul. Um dos elementos fundamentais para o bom desempenho da defesa girondina na camapnha vitoriosa de 2008/09, ele chegar para dar maior consistência a um setor com problemas. Edouard Cissé, livre de contrato com o Besiktas, tornou-se mais um reforço para o meio-campo marselhês. Sem dúvida, outra boa opção para fortalecer o combate no meio-campo e auxiliar o setor defensivo.
Poderia se imaginar que o Olympique se tornou um avião sem piloto, mas Dreyfus deixou tudo muito bem encaminhado. Ele já havia definido o orçamento para as transferências e preparou Jean-Claude Dassier para assumir a presidência do clube. Pouco cotado para substituir Diouf, o jornalista ganhou a confiança de Dreyfus e agora ganha poderes maiores do que tinha seu antecessor. Isto porque o OM não deve indicar tão cedo algum acionista substituto.
Por falar em Diouf, o ex-dirigente do OM deixou o cargo que ocupou por cinco anos por três fatores principais. O primeiro envolveu Eric Gerets. Dreyfus incumbiu o ex-presidente da missão de promover a renovação de contrato com o treinador. No entanto, Diouf fracassou, pois suas divergências com o belga falaram mais alto. O anúncio da saída do treinador em meio à reta final da Ligue 1 e da disputa pelo título certamente tiveram impacto negativo no elenco.
Diouf também se queimou ao criar um clima nada amistoso com Vincent Labrune, presidente do conselho de observação do clube e muito próximo de Dreyfus. E, claro, a falta de títulos, apesar dos grandes investimentos. Apesar da popularidade alta com os torcedores, Diouf estava com a imagem extremamente desgastada com a alta cúpula. Dassier herdou um ambiente tenso nos bastidores, e a morte de Dreyfus sugeriria um clima ainda mais complicado nestas próximas semanas.
A situação atual prevê justamente o contrário. Claro que o golpe pela perda do acionista principal deixa todos atônitos, mas Dreyfus havia preparado o terreno para montar um alicerce sólido. Ele sabia que os dias conturbados acabariam com a escolha do novo presidente. O projeto para a próxima temporada estava muito bem encaminhado, com a confirmação de Deschamps como treinador, as primeiras (e muito boas) contratações fechadas e um plano financeiro adequado. A vida segue no Vélodrome, e Dreyfus preparou tudo para o OM continuar nos eixos.
Aposentadoria forçada
Steve Savidan ralou muito em sua vida. Nascido em uma família modesta, desde cedo ele se acostumou a driblar as dificuldades em sua vida. Para manter vivo o sonho de jogar futebol, o atacante se desdobrava em três. Além de treinar, ‘Savigol’ arrumava tempo para trabalhar como barman e lixeiro, tudo para garantir uns trocados a mais no fim do mês. Só que, desta vez, apareceu um problema em sua vida incapaz de ser driblado. Savidan foi obrigado a encerrar sua carreira aos 31 anos após ser constatado um problema em seu coração.
Estava quase tudo certo para que ele acertasse sua transferência para o Monaco. Na última temporada, mesmo com o rebaixamento do Caen, ‘Savigol’ foi o principal destaque do SMC na Ligue 1. O atacante marcou 14 gols (um terço do total de sua equipe) e deu cinco assistências. Suas boas atuações não vinham de hoje. Na temporada anterior, Savidan já havia brilhado no Valenciennes. Chegava sua hora de, enfim, ter uma chance em uma equipe de maior destaque. Só que o destino lhe fechou as portas.
Faltavam apenas os exames médicos para concretizar sua ida ao clube do principado. Na grande maioria dos casos, uma mera formalidade. No entanto, veio a péssima notícia. Os testes revelaram que Savidan sofria de uma anomalia cardíaca, o que colocaria em risco sua vida caso ele continuasse a jogar. Um caso semelhante aos de Lilian Thuram, Dagui Bakari e Johan Radet. Estava encerrado o sonho. O ASM estava disposto a pagar € 4 milhões para contar com os gols do atacante, mas não teve outra saída diante dos fatos.
Rennes, Nice, Saint-Etienne e Lens também estavam de olho em Savidan. Raymond Domenech também havia se rendido aos gols do atacante, tanto que o convocou uma vez para a seleção francesa. Foi em novembro de 2008, em um amistoso contra o Uruguai. ‘Savigol’ começou no banco de reservas, mas logo teria sua oportunidade. No intervalo, ele entrou no lugar de Anelka. Foi seu primeiro e único jogo pelos Bleus.
O atacante ficou poucos minutos em campo e não conseguiu fazer o placar sair do 0 a 0. Mesmo assim, recebeu elogios por seu espírito de luta em uma equipe que teve pouquíssimos motivos para ser bem avaliada. “Estou com 30 anos, mas minhas pernas têm 20”, declarou, na época. Embora consciente das poucas possibilidades de ser novamente chamado para defender os Bleus, o atacante mantinha as esperanças de, quem sabe, voltar a viver as mesmas sensações.
Savidan não teve chance. Após sentir o gosto de estar no auge de sua carreira, o atacante viveu um período de jejum no Caen, no qual ficou quase dois meses sem marcar. Nada que se compare à tristeza de agora. Depois de cinco anos vagando por clubes pequenos da segunda e da terceira divisão (Châteauroux, Ajaccio, Beauvais, Angoulême), ele estava no Valenciennes. A identificação com o VA foi imediata e se fortaleceu com os dois acessos seguidos do clube, que deixou o National para figurar na Ligue 1. No currículo, ‘Savigol’ acumulou as artilharias do National (2004/05) e da Ligue 2 (2005/06). Em seu primeiro ano na elite, marcou 13 gols, sendo o vice-artilheiro do torneio.
Além da vocação para marcar, Savidan se notabilizou por ser uma pessoa espontânea, sem esquecer de suas origens humildes – algo raro em um universo cada vez mais dominado por estrelas, marketing e ostentação. Para quem já enfrentou tantos problemas na vida, não será mais esse que fará o atacante desistir. Apesar de ter sua carreira encerrada por um problema de saúde, ele nunca deixará de ser um grande vencedor.