França

Dupla do barulho

A “turma do amendoim” do Vélodrome não perdoou Brandão depois da vitória do Olympique de Marselha sobre o Le Mans por 2 a 1. O atacante brasileiro deixou o campo sob algumas vaias de alguns torcedores mais exigentes, que o cobravam por não ter ido às redes durante a partida. Bom, os “corneteiros de plantão” apenas se esqueceram de analisar outros dados importantes do jogo e que refletem como Brandão tem sido peça de fundamental importância neste início do ano para os marselheses.

Contra o MUC 72, Brandão fez a assistência para o primeiro gol dos marselheses. Em seguida, sofreu o pênalti que determinou a vitória dos donos da casa. No jogo anterior, contra o Saint-Etienne, o brasileiro também havia se destacado. Nos 3 a 2 sobre o ASSE, pela Copa da Liga, ele fez dois gols e deu a assistência para o outro de sua equipe. Um desempenho fantástico para um jogador vaiado, não?

O bom desempenho de Brandão neste início de 2010 em muito se deve ao retorno de Mamadou Niang. O senegalês voltou à equipe após se recuperar de uma fratura na clavícula e, graças ao bom entrosamento com seu companheiro de ataque, não demorou para reencontrar sua vocação artilheira. Niang fez um contra o Saint-Etienne e mais dois contra o Le Mans – sim, seus gols saíram após jogadas de Brandão.

O estilo complementar dos dois jogadores não passaria pelos olhos de Didier Deschamps. O treinador tratou de fortalecer ainda mais a associação entre Niang e Brandão e, para isso, foi obrigado a mudar seu esquema tático. O Olympique, que se acostumara a atuar em um 4-3-3, passou a jogar em um 4-4-2. Curiosamente, a equipe se tornou bem mais ofensiva do que antes, exatamente por conta de sua dupla de frente.

No entanto, apesar da fórmula eficiente, Deschamps sabe que ela não durará muito. O próprio treinador fez questão de explicar que avançou Niang em campo por um motivo simples: como ele acabou de voltar de uma lesão grave, correria mais riscos de uma nova contusão caso atuasse mais recuado, com maiores obrigações de marcar a saída de bola do adversário. Bastaria uma dividida mais ríspida para levá-lo de volta para a enfermaria do clube.

Além disso, a mudança de esquema tático forçou Deschamps a deixar no banco dois de seus principais reforços contratados para esta temporada: Lucho González e Fabrice Abriel, reconhecido como melhor contratação se analisado o custo-benefício. Ao menos o técnico tem a segurança de que pode variar a escalação de sua equipe sem sofrer grandes perdas de qualidade – ainda mais em um período duro pela frente, com uma maratona de jogos pela Ligue 1 e Liga Europa.

Paris em chamas

Enquanto o Olympique de Marselha vai muito bem, obrigado, seu maior rival enfrenta uma situação bem diferente. O Paris Saint-Germain até agora parece em ritmo de pré-temporada. Havia a esperança de uma recuperação diante do Monaco, em pleno Parc des Princes; a chegada de uma vitória redentora enfim despertaria no elenco o ímpeto vencedor, que engrenaria uma reação no campeonato. Todos os sonhos desmoronaram com a vitória da equipe do principado por 1 a 0. Ficou a impressão de que, jogando bem ou mal, o PSG conhece apenas um destino: o da derrota.

Há muitas semanas, o clube da capital não fazia um jogo tão bom. O próprio treinador Antoine Kombouaré se surpreendeu com o espírito coletivo da equipe, com qualidade no toque de bola e pressão sobre o adversário. Só que ele não contava com o erro de Edel para estragar a noite. O goleiro do PSG havia trabalhado muito pouco na partida e errou em um lance bobo. Do outro lado, Stéphane Ruffier se multiplicou para evitar o gol dos donos da casa. Saiu de campo com o uniforme encardido, mas com a alma lavada por sua atuação perfeita.

O lance de Edel quebraria o ritmo de qualquer equipe. O goleiro camaronês, alçado à condição de titular depois da contusão sofrida por Grégory Coupet, abaixou-se para pegar um chute rasteiro de Vincent Muratori. O goleiro se preparou para segurar a bola com as duas mãos, mas ela inexplicavelmente bateu em seu pé e foi parar nas suas redes. Foi um daqueles perus homéricos, de levar abaixo qualquer torcida.

Enquanto a desgraça caía sobre os ombros de Edel, Ruffier aproveitou seu momento de graça para fechar o gol monegasco. Com mais uma atuação segura, o goleiro já vê seu nome ser cogitado para a seleção francesa. O jogador mantém os pés no chão, diz estar preocupado “apenas com o clube” no momento, mas sabe que os comentários positivos a seu respeito chegam aos ouvidos de Raymond Domenech.

Por uma dessas ironias, o PSG havia pensado em contratar Ruffier para suprir a saída de Mickaël Landreau. Sem ele, o time da capital se vê em uma posição bastante modesta na tabela da Ligue 1, a uma distância inalcançável para o líder Bordeaux e a bons pontos atrás do bloco dos classificados para alguma competição europeia. A terceira derrota seguida, levando-se em consideração todos os torneios disputados pelo time, deixa o PSG em situação delicada, com sério risco de uma grande decepção para seus torcedores ao final da temporada.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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