França

Dungomenech

Raymond Domenech se prepara para anunciar a lista de jogadores da seleção francesa para a disputa da Copa do Mundo-2010. Todos sabem que daquela cabeça sempre sai algo para chamar a atenção, daí a antena ficar ainda mais ligada para o que este senhor, que felizmente deixará o comando dos Bleus depois do Mundial, falará. E lá se foi o treinador, falando um por um quem fazia parte de sua lista. Ou melhor, anti-lista, pois não se pode admitir que alguém em seu pleno juízo deixe Patrick Vieira e Karim Benzema fora sob qualquer aspecto, circunstância, comprometimento ou algo que o valha.

Todos esperavam a lista definitiva dos 23 nomes para a África do Sul. Domenech contrariou a expectativa e, por seu capricho exclusivo, convocou 30 atletas, sem ao menos fazer uma distinção entre eles. Reforçando: Benzema e Vieira não foram chamados. E não há um Doni que sirva para o treinador basear suas justificativas para deixar o meio-campista e o atacante esquecidos em um canto.

Vieira fez todos os esforços necessários para convencer Domenech de suas condições para estar no Mundial. Para conseguir mais minutos de jogo e provar em campo estar bem, ele se transferiu para o Manchester City. Muito melhor do que ficar no banco da Internazionale, convenhamos. Manter-se na vitrine e em um campeonato tão competitivo como o Inglês, ainda mais em um time que estava na luta por uma vaga para a Liga dos Campeões parecia ser a lógica mais eficaz para provar seu valor para o técnico dos Bleus.

Só que não dá para colocar os termos “lógica” e “Raymond Domenech” juntos. Nada foi capaz de mudar a opinião do treinador, para quem o antigo capitão ainda precisa recuperar a forma física, prejudicada por conta de seguidas lesões. Segundo o pensamento do treinador, não daria para o meio-campista ir para a África do Sul fora de suas melhores condições e disputar um torneio de tamanha importância.

A questão em torno de Vieira parece ser bem complicada e é até possível compreender a postura de Domenech – a de não arriscar e levar um jogador cuja experiência seria valiosa, mas pouco proveitosa em campo dadas suas condições físicas. No entanto, o treinador demonstrou sua falta de tato ao nem procurar o jogador antes e lhe dizer “olha, acabou”. Teria sido bem mais honesto e, venhamos, menos sádico.

Benzema, por sua vez, paga por ser um reserva de luxo no Real Madrid. O atacante, que também enfrentou problemas físicos durante a temporada, ainda tem contra ele o fato de nunca ter convencido quando vestiu a camisa azul. Também fica difícil querer que ele faça alguma coisa de útil se não recebe oportunidades. As coisas ficam ainda piores quando analisamos alguns nomes presentes (e ausentes) da relação de Domenech.

Samir Nasri, por exemplo, fez uma temporada muito boa pelo Arsenal. Teria uma vaga no meio-campo dos Bleus, certo? Não para Domenech. Melhor chamar Yann M'Vila (?), do alto de seus 19 anos. Outras duas “surpresas” mereceram a convocação pelo que fizeram por Olympique de Marselha e Bordeaux, respectivamente: Mathieu Valbuena e Marc Planus.

Enquanto parece seguir uma linha de coerência (lembrando que Julien Escudé, com sucessivas falhas, também ficou fora), Domenech segue uma linha semelhante à traçada por Dunga: a fase atual em campo até importa, mas não é o fator determinante para a escolha dos jogadores que irão à África do Sul. Ainda bem que a contagem regressiva para a saída do treinador se aproxima de seu final.

Atraso tirado

Enfim acabou o jejum. Passados 18 longos anos, o Olympique de Marselha pôde enfim comemorar novamente a conquista do título do Campeonato Francês. E com direito à volta olímpica antecipada, duas rodadas antes do fim da Ligue 1. Nada mais justo para coroar o excelente trabalho desenvolvido pelo treinador Didier Deschamps à frente de um time que, se não exibiu um futebol brilhante, ao menos soube ser eficiente.

Ao contrário das últimas temporadas, o OM demonstrou uma qualidade que passava longe do clube: o controle emocional. O grande teste de fogo para o elenco marselhês foi a eliminação da Liga Europa para o Benfica, com uma derrota em casa. Em outros tempos, a “síndrome do Vélodrome” se instalaria em todo o elenco e não haveria meios de arrancá-lo dali. O que se viu foi o contrário: o time não só se recuperou rapidamente do golpe como o usou para crescer na reta final da temporada.

Claro, há de se convir também que os adversários ajudaram bastante. Montpellier e Bordeaux, dois fortes concorrentes à taça em meados do segundo turno, pegaram uma bela ladeira e permitiram ao OM abrir confortável distância na liderança. Isso não tira os méritos dos marselheses, mas ajuda a entender como o time de Deschamps também foi superior em outros pontos fora de campo.

Para o histórico jogo contra o Rennes, Deschamps usou a mesma formação que havia entrado em campo no 0 a 0 contra o então vice-líder Auxerre. Aliás, o AJA deixou aberto o caminho para o triunfo marselhês ao ser derrotado por 2 a 1 pelo Lyon algumas horas antes. A torcida presente ao Vélodrome foi ao delírio já no início com o gol marcado por Heinze. O início empolgante do OM quase foi coroado com Valbuena, mas aos poucos o time baixou de rendimento.

Era a senha para o Rennes atacar e empatar ainda antes do intervalo. No segundo tempo, a sorte mostrou estar mesmo ao lado do OM. Ao sentir dores nas costas, Heinze deixou o campo e foi substituído por Taiwo. O lateral nigeriano, tão criticado por suas falhas na marcação, teve papel decisivo para que os donos da casa saíssem com a vitória por 3 a 1. A entrada de Ben Arfa também incendiou o Olympique, em outra prova de como Deschamps tem o elenco na mão e com boas opções para mudar o panorama de uma partida.

Após uma festa merecida, o Olympique voltou a campo contra o Lille. A invencibilidade de 15 jogos dos marselheses foi para o vinagre com o 3 a 2 imposto pelo LOSC, cada vez mais perto de garantir uma vaga na Liga dos Campeões. O OM vendeu caro o resultado; mesmo com um time misto, esteve duas vezes à frente no placar e permitiu a virada apenas nos acréscimos.

Além do espírito de luta do OM, que resistiu bravamente mesmo com um jogador a menos (Mandanda foi expulso), o Lille mereceu destaque graças ao seu treinador. Rudi Garcia alinhou seu time titular (Mavuba voltou após cumprir suspensão) e não teve receio em buscar alternativas para sair de campo vitorioso. Com as alterações feitas (Túlio de Melo e Obraniak), os Dogues se tornaram mais ofensivos, criaram inúmeras chances e foram recompensados pela vitória. A LC seria um prêmio justo para quem exibe um futebol vistoso como o do LOSC.
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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