Draxler é uma aposta alta do PSG, mas, a princípio, favorável para todas as partes

Potencial nunca faltou. Qualidade técnica também não. Entretanto, a impressão é a de que Julian Draxler acabou ficando pelo meio do caminho, aquém do que demonstrava quando estourou no Schalke 04, aos 17 anos. O meio-campista é figura frequente na seleção alemã, mas nunca emplacou nos clubes. Apesar da idolatria, deixou os Azuis Reais para assumir o protagonismo no Wolfsburg. Alternou momentos com os Lobos e já vinha deixando claro nos últimos meses que sua cabeça estava longe. Chega em janeiro ao Paris Saint-Germain, contratado como uma resposta dos franceses à queda de desempenho. Para ganhar a principal chance em um clube de força da Europa e tentar provar realmente a capacidade.
Já estava claro que não existia mais ambiente para Draxler continuar no Wolfsburg. O meia teve boas partidas pelos alviverdes, sobretudo na última Liga dos Campeões, mesmo não sendo um substituto a altura de Kevin de Bruyne, como se esperava. Contudo, pareceu um pouco deslumbrado com a chance de dar um passo maior, especialmente pelo referido interesse da Juventus. Nesta temporada, pouco fez em uma equipe que mudou bastante e teme o rebaixamento na Bundesliga. O interesse do PSG, de certa forma, é um golpe de sorte.
Draxler sai deixando um lucro razoável ao Wolfsburg, comprado por €36 milhões e vendido por €42 milhões. Negócio de urgência aos parisienses, considerando a distância para o Nice na Ligue 1, assim como o futebol pouco convincente de uma maneira geral. A falta de dinâmica tem prejudicado o time de Unai Emery em diversos jogos decisivos. Por isso mesmo, natural que busquem um jogador capaz de se encaixar em diferentes posições no setor ofensivo e que, além da capacidade individual, também auxilie na construção.
Dentro do sistema de jogo do PSG, Draxler garante possibilidades de variação. Pode ser o meia central, posto vago no Parc des Princes, diante da lesão de Javier Pastore e da falta de empenho de Hatem Ben Arfa em se firmar na equipe. Além disso, é alternativa às pontas, sobretudo à esquerda, onde Ángel Di María não rende o esperado. Dá profundidade ao elenco, oferecendo diferentes rotações a Unai Emery nas próximas semanas, sem precisar exigir mais de determinadas peças.
O negócio é um tanto quanto nebuloso. Ainda assim, a princípio, se aponta favorável para todas as partes. O Wolfsburg vende uma estrela que produziu abaixo das expectativas. Draxler ganha o espaço para recomeçar, em um ambiente favorável para a sua motivação. E o PSG leva um jogador de 23 anos, que continua com potencial grande, apesar da irregularidade. Faz uma aposta alta, mas coerente, diante do momento.



