Do êxtase ao caos em 11 anos

Há onze anos, o Monaco comemorava a conquista de seu 11º título francês. Há sete anos, o ASM por pouco não alcançou a maior glória de toda a sua existência, quando o Porto o derrotou na final da Liga dos Campeões. A temporada 20010/11 entra para a história do clube do principado como uma página melancólica diante de tantos bons momentos vividos recentemente. Em queda meteórica, os monegascos amargam um inacreditável rebaixamento, logo em sua 2000ª partida na Ligue 1.
Ironicamente, o homem que há onze anos conduziu o Monaco ao título da Ligue 1 foi o responsável para atirá-lo às profundezas. Claude Puel conquistou seu primeiro título como técnico no ASM, mas agora dependia de um bom resultado diante do time do principado para salvar sua pele no Lyon. A vitória por 2 a 0 não apenas confirmou a classificação do OL para a Liga dos Campeões como também deu um sopro de alívio ao treinador.
Mesmo jogando em um estádio Louis II completamente tomado pelos torcedores, o Monaco exibiu seus problemas acumulados ao longo desta temporada. Com a necessidade de impor seu jogo diante do adversário, o ASM sucumbiu por não ter um mínimo de qualidade em seu meio-campo. A falta de criatividade saltava aos olhos e permitia à defesa lionesa momentos de grande paz.
Tímido, o Monaco praticamente não incomodou a zaga do OL, tanto que Cris teve uma boa atuação. O brasileiro, ao longo desta temporada, oscilou demais e não conseguia repetir o mesmo nível de temporadas anteriores. Mesmo com um empate sem gols ao fim do primeiro tempo, o OL mostrou-se superior e dominante em grande parte do confronto. Era apenas uma questão de tempo para abrir o marcador.
Sem forçar, o Lyon fez o óbvio: derrotou um rival entregue, que mal apresentava algum esboço de reação. Sabia-se desde o início que o Monaco tinha a missão mais complicada para escapar do facão do rebaixamento, mas a apatia da equipe, para quem deveria entregar a vida para tentar um último esforço de salvação, fez a torcida perder qualquer tipo de esperança.
Já há algum tempo, a diretoria do Monaco caprichava nas barbaridades para afundar o clube. A paciência nunca foi uma virtude dos cartolas, que mandavam os ensinamentos de planejamento a longo prazo às favas quando os resultados ruins se acumulavam. Como sempre, a corda rompeu do lado mais fraco, e os treinadores pagavam o pato sem ter ao menos o tempo necessário para dar sua cara ao elenco.
O Monaco também deixou a desejar exatamente neste quesito. Ao apostar em um elenco repleto de jovens e de pouca experiência, o ASM ignorou outro aspecto fundamental: a necessidade de alguém experiente em campo para segurar a onda quando o time encarasse as oscilações naturais. Não houve esta figura, quanto mais a de alguém com a qualidade necessária para comandar o time e lhe dar alguma referência de qualidade no estilo de jogo.
Para o Lyon, a visão da catástrofe vista no Louis II serve como uma valiosa lição. Não que os lioneses corram risco de rebaixamento, mas a ameaça de uma hecatombe esteve muito perto de Gerland. Sem empolgar, o OL obteve sua classificação para a Liga dos Campeões na última rodada de uma temporada digna de esquecimento. Muito desta vaga se deve também à incompetência do Paris Saint-Germain em suas últimas partidas.
O mês de maio revelou ser um inferno para o PSG. Em cinco partidas, o time da capital não conquistou uma vitória sequer. Para ser mais cruel, a equipe não ganhou qualquer um de seus últimos onze jogos disputados em maio! O empate por 1 a 1 fora de casa com o Saint-Etienne coroa o sentimento de decepção, ainda mais com todas as chances oferecidas pelo Lyon ao longo da temporada.
Dono novo
Após o decepcionante quarto lugar na Ligue 1 e a chance de disputar a Liga dos Campeões ir para o espaço, o Paris Saint-Germain agora se volta para uma nova era. A venda do clube para o Qatar Investment Authority (QIA) deixa no ar a expectativa para grandes investimentos exatamente para evitar novos fiascos na temporada seguinte. Mal houve tempo para lamentar os problemas vividos pelo clube nos últimos tempos.
Há algumas semanas, o grupo Colony Capital, até então acionista majoritário do PSG, já havia dado sinais de que venderia parte de sua participação no clube. Pelo acordo, o Qatar Investment Authority adquiriu 70% das ações, com um preço de venda entre € 30 milhões e € 40 milhões, de acordo com o jornal Le Parisien.
O PSG encerrou a temporada com perdas da ordem de € 19 milhões e uma dívida acumulada estimada entre € 15 milhões e € 20 milhões. O saldo da passagem da Colony Capital pelo clube nos cinco últimos anos foi, de certa forma, positivo. O time passou de candidato ao rebaixamento para uma equipe que luta pelas primeiras colocações da tabela. Além disso, foi capaz de montar bons elencos sem fazer grandes loucuras financeiras.
O investimento principal, como o próprio grupo deixou claro, foi para o futuro do PSG, com desenvolvimento de centros de treinamento e formação de atletas. A torcida pode se sentir frustrada por não comemorar a classificação para a LC, mas em um passado não tão distante estava respirando aliviada pelo fato do time não cair.
Em um primeiro momento, a troca de dono não implicará mudanças significativas na equipe. Afinal, Robin Leproux deve continuar como presidente e Antoine Komboauré permanece no cargo de treinador. O QIA, dono de hotéis de luxo em Paris e que faz parte do capital de grandes empresas da França, não deve demorar muito para iniciar a busca de reforços, o que certamente alimentará a indústria de boatos.
Resta saber como o QIA usará a montanha de dinheiro que deve investir no PSG. A manutenção da política usada pelo Colony Capital se tornou fundamental nos esforços de recuperação do clube. Claro que contratações serão bem recebidas, desde que não se rasgue dinheiro como em outros tempos. Do contrário, todo o trabalho feito nos últimos anos, mesmo que não tenha sido 100% perfeito, escoará pelo ralo.


