França

Disputa aberta

Para quem esperava um fim de temporada monótono na briga pelo título da Ligue 1, a rodada do meio de semana tratou de colocar mais lenha na fogueira. O polêmico empate do Montpellier com o Évian devolveu as esperanças ao Paris Saint-Germain, vencedor do duelo contra o Saint-Étienne. E a batalha pela taça, que parecia restrita aos dois clubes, já tem a companhia do Lille, cada vez mais próximo da dupla e em boa fase nesta reta de chegada para tentar o bi.

A quarta-feira poderia ser de pressão no Parc des Princes, já que o Montpellier jogou antes contra o Évian e poderia abrir uma vantagem de oito pontos na ponta. Contudo, o líder não só desperdiçou a oportunidade de deixar o PSG em situação complicada como perdeu um de seus jogadores mais importantes. Tudo por conta do destempero de Younès Belhanda, que saiu na mão com Cédric Mongongu e agora corre risco de sofrer uma punição severa.

Como nas vitórias por 1 a 0 sobre Toulouse e Valenciennes, o Montpellier partiu para cima do Évian e asfixiou o rival. Da mesma forma, foram várias finalizações erradas até Belhanda converter a cobrança de pênalti que abriu o placar. O ETG, porém, aprontou ainda antes do intervalo e igualou. Os donos da casa retomaram o ritmo na etapa final, mas sofriam diante da retranca armada pelo Évian.

A virada dos visitantes inflamou o Montpellier, que empatou com Giroud e teve a chance de selar a vitória no pênalti assinalado nos acréscimos. A confusão entre os jogadores, no entanto, mostrou que os nervos do MHSC não estão assim tão equilibrados como pareciam. O erro de Camara deu ao PSG a chance de se reaproximar e coloca em dúvida a capacidade do atual líder de suportar a crescente pressão com a contagem regressiva perto do fim.

Embora adote um discurso de que não está em pânico, o Montpellier mais uma vez sente o nervosismo. Nas outras ocasiões, contou com a colaboração do PSG, que também tropeçou quando menos deveria. A vitória por 2 a 0 sobre o Saint-Étienne dá aquele ânimo que talvez faltasse ao time, mas ninguém pode descartar um Lille que ameaça atropelar todo mundo e arrancar para o bi.

Com uma formação inesperada (Armand, Camara e Bodmer foram titulares), o PSG teve uma ajuda do árbitro diante de um ASSE inofensivo. Um pênalti inventado permitiu ao time da capital sair na frente e relaxar de forma perigosa, convidando os Verdes para seu campo. Com Alex em atuação inspirada na defesa, os parisienses conseguiram respirar com o gol de Pastore, que lhes permite sonhar de novo.

O Lille, por sua vez, obteve sua quarta vitória consecutiva e dá aquele tchauzinho maroto para Montpellier e PSG. Contra um adversário ameaçado pela degola, o LOSC não correu risco mesmo jogando fora de casa diante do Nice. O gol precoce de Túlio de Melo ajudou os atuais campeões a comandar o ritmo da partida, enquanto os Aiglons se atrapalhavam na organização de seu esquema 5-4-1 ineficaz.

Mesmo cinco pontos atrás do Montpellier a três rodadas do fim da Ligue 1, o Lille conta com um ingrediente que parece faltar ao líder neste momento tão crucial: tranquilidade. Além disso, os dois se enfrentam na penúltima rodada, em confronto com a torcida mais do que especial do PSG. Apesar de a tabela sugerir um panorama favorável ao MHSC, o líder precisa reencontrar seu equilíbrio.

Taça com ponto positivo e negativo

O Lyon acabou com o sonho do Quevilly e, com uma vitória por 1 a 0, conquistou o título da Copa da França. A taça teve múltiplos significados para os lioneses. Além da óbvia euforia por uma taça a mais em sua galeria, o clube ao menos assegura presença em uma competição europeia e, de certa forma, ameniza uma temporada discreta. No entanto, seu maior trunfo foi ver uma de suas principais apostas dar as caras.

Yoann Gourcuff conviveu com as lesões e pouco entrou em campo nesta temporada. Foram apenas nove jogos disputados na Ligue 1. Em outros números, foram somente 534 minutos em campo no torneio. O meia, contratado como grande esperança de criatividade, acumulava atuações decepcionantes. Para o duelo no Stade de France, o técnico Rémi Garde resolveu arriscar e seu deu muito bem.

Gourcuff não era titular do OL desde 8 de fevereiro, quando foi escalado no onze que enfrentou o Bordeaux na Copa da França. O meia voltou a ser decisivo. Objetivo, ele esteve na origem do gol do título e transmitiu a confiança necessária aos seus companheiros para fazer a bola passar por seus pés com frequência. Uma segurança que o fez chamar a responsabilidade para coordenar a equipe de forma tão natural como há tempos não se via.

O meia teve o apoio fundamental de Gonalons e Källström para ficar mais livre das funções defensivas e se concentrar com mais afinco à tarefa de pensar o jogo. Gourcuff também contou com a intensa movimentação do trio ofensivo lionês, formado por Lisandro López, Gomis e Lacazette, que facilitou seu trabalho e lhe deu boas opções de jogadas.

Com a exibição de destaque na decisão da Copa da França, Gourcuff ganha pontos com Laurent Blanc, que esteve no Stade de France, e aumenta suas chances de figurar na lista final para a disputa da Eurocopa. Como o Lyon tem apenas cinco jogos a cumprir até o fim da temporada após derrotar o Quevilly, o meia precisa repetir as apresentações destacadas para impressionar o treinador dos Bleus – e provar que não foi apenas fruto de uma ilusão de ótica propagada pela camisa 3D usada pelo Lyon na decisão.

Só que nem tudo foi motivo de festa no Stade de France. Após a partida, vários jogadores do OL deixaram o bom senso de lado e cantaram músicas provocativas (para não dizer hostis) direcionadas ao Saint-Étienne, seu maior rival, da sacada de um hotel. A lembrança nada agradável provocou discussão e revolta entre os dirigentes do ASSE, revoltados com a atitude nada elogiável dos lioneses.

Cris, Jimmy Briand, Alexandre Lacazette, Samuel Umtiti e Maxime Gonalons foram os mentores da ideia infeliz de provocar o Saint-Étienne e sua torcida, que nada tinham a ver com aquele momento de euforia pela conquista de um título. O vídeo, claro, fez sucesso na internet, mas os irresponsáveis nem pensaram nas consequências de seu gesto bastante condenável.

Jérémie Janot resumiu as consequências que uma atitude imbecil como esta pode ter. “Se por uma infelicidade houver confusão e feridos no próximo dérbi, eles serão os grandes responsáveis! Eles atiçaram o ódio”, escreveu o goleiro do Saint-Étienne em seu perfil oficial no Twitter – no que está coberto de razão.

Que as autoridades francesas usem o mesmo expediente já visto em um caso parecido e não deixe passar este episódio em branco. Na última temporada, Taye Taiwo, então no Olympique de Marselha, entoou cânticos provocativos ao Paris Saint-Germain após seu time derrotar o Montpellier na Copa da Liga Francesa. O nigeriano pagou por seu gesto: foi suspenso por uma partida e multado em € 20 mil.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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